Entrevista a José Pacheco deputado do Chega

Entrevista a José Pacheco deputado do Chega

2 de Novembro, 2020 0 Por Azores Today

 

1 – Uma estreia no parlamento.  Quem é José Pacheco?

 

Tenho 49 anos, nasci em São Roque, mas resido na Ribeira Chã há mais de 15 anos. Sou Designer gráfico de profissão, responsável por vários sites digitais, sendo o mais conhecido o Portal Auto Açores. Nesta área presto assistência a várias empresas nas vertentes de marketing e publicidade e, nos últimos anos, em redes sociais e plataformas digitais.

Para além da minha profissão já exerci funções como formador profissional e adjunto parlamentar do CDS antes de 2005, ano que abandonei o partido.

Desde novo, tenho trabalhado com as temáticas da juventude, das artes e da cultura. Nesta última vertente, há sete anos que mantenho o projecto musical e associação cultural Filhos da Terra, aqui na minha Ribeira Chã.

Considero-me simples, persistente e sonhador, mas muito combativo. Ao longo da vida sempre gostei de ser mais uma figura de bastidores do que da ribalta, desta vez saiu-me ao contrário por achar que tinha de avançar para o primeiro patamar. Trabalho por objetivos o que me faz ser disciplinado, trabalhador e muito realista.

Sempre fui conhecido por ser naturalmente de direita, um democrata-cristão assumido, sem tabus ou receio de o assumir publicamente, conforme sempre o transpareci nas minhas crónicas dos últimos anos. De igual modo sou, o que chama o nosso povo, “uma boca ruim”, ou seja, o que está na minha alma rapidamente chega à minha boca. Pode até parecer um defeito, mas na política é a virtude de dizer o que se pensa sem medos ou constrangimentos, quebrando tabus impostos vamos lá saber por quem.

Nesta nova função quero ser sempre eu, não sei fingir “bonecos” para agradar outros. Não vou exercer tal responsabilidade sendo mais um no meio de tantos. Não venho para fazer amigos e muito menos para cumprir agendas que sejam contrárias aos meus valores pessoais que os meus antepassados me passaram.

Como pessoa de Fé pedirei sempre a iluminação Divina do Espírito Santo para que me oriente neste caminho, que tenho a certeza ser difícil.

 

2 – Surpreendeu- o resultado do Chega?

 

De forma alguma surpreendeu-me este resultado, até porque estava dentro dos objetivos traçados desde fevereiro que seriam de 2 a 5 deputados. Por pouco não conseguimos o terceiro, ficará para uma proxima de certeza.

Julgo que as pessoas começam a identificar-se com os princípios básicos do Chega, com o André Ventura, mas essencialmente, percebem ser um partido das pessoas comuns, que trabalham e lutam diariamente por uma vida melhor, para si e a sua familia.

Estamos a construir uma casa sólida e penso que já demos um primeiro passo muito positivo.

 

3- e os resultados em geral foram surpresa?

 

Não foram necessariamente uma surpresa uma vez que estavam dentro dos parâmetros analisados. Confesso que não se esperava esta saudável solução democrática de se eleger uma pluralidade de forças políticas, algo que considero muito positivo.

Fico pessoalmente satisfeito quando vejo a democracia a funcionar e muito mais ficarei no dia em que a abstenção real baixar para valores residuais. Todos temos um dever de cidadania e é inconcebível que os representantes do Povo sejam eleitos por menos da metade da população. Nunca gostei de cheques em branco e por isso defendo o voto obrigatório tal como muitas outras coisas que já temos na vida, bem ou mal.

 

4- E agora? Quem deve formar governo e como se vão posicionar os deputados do Chega?

 

Os meandros da política regional permitem várias soluções e muito honestamente não gostava de me meter nesta “zaragata”. Fomos a votos convictos de fazer a mudança e, tal como dizíamos, a mudança fez-se com o povo açoriano.

De resto, as soluções passam por bons diálogos que devem ter sempre em conta os verdadeiros interesses das populações e não dos partidos.

Há uma maioria de direita, mas muito fragmentada partidariamente. Parecendo ser bom, pode ser um grande obstáculo a uma boa governação uma vez que serão muitas sensibilidades em jogo.

Por outro lado, as pessoas estão cansadas do socialismo, da ilusão e especialmente de todas as “trapaças” que temos vivido. A suspeição constantemente levantada quanto à seriedade da condução do bem comum é algo sério e que deve ser um fator a pesar nesta decisão.

Os deputados do Chega vão estar sempre do lado da verdade, da transparência, de quem se comprometer a fazer desta terra um lugar mais justo e mais estável para se viver com as nossas famílias.

 

5- O Chega prefere integrar um governo à direita ou simplesmente um acordo parlamentar?

 

O Chega prefere realizar a sua tarefa em prol de todos os açorianos, o mais perto possivel daqueles que se disponham ser bons parceiros nesta tarefa. Não nos propusemos a ser governo, mas sim a criar soluções para os Açores. Se no futuro tivermos que assumir soluções governativas faremos com a mesma convicção que agora entramos no parlamento regional. Tudo a seu tempo e com a devida ponderação. O futuro dos Açores não se decide às pressas.

 

6- Quais os problemas que vai levar ao parlamento e que se vai bater nesta legislatura?

 

Isto sim seria uma verdadeira lista de compras. Abreviando, há questões fundamentais como o colapso que a nossa economia poderá ter em breve, assim como uma verdadeira auditoria às contas da Região. Temos de ter um plano muito alargado de combate à corrupção que evite todo o desequilíbrio e compadrio económico, social e competitivo que temos visto na nossa terra, nos últimos anos. Falta demasiada transparência nas contas publicas e nas empresas ou instituições ligadas ao estado. Falta cortar todo e qualquer excesso da pesada máquina estatal, reduzindo-a ao essencial, tornando-a mais eficiente e menos partidária. Os contribuintes não podem continuar a sustentar as comitivas partidárias nas cadeiras douradas do estado. Connosco isto acabou.

Mas as áreas como a educação e formação, a saúde, o emprego, a inovação, a agricultura, etc, etc, são o garante do futuro destas nossas ilhas. Não acreditamos em soluções de médio prazo e muito menos em constantes experimentalismos que só nos fazem atrasar no progresso e criar um fracasso total social e económico.

Temos de dignificar o ser humano, puxar para cima os valores e o mérito que cada um tem de melhor em si, não podemos continuar a cavar o buraco da pobreza sustentando a mesma. Isto é um absurdo completo, mas que os socialistas alimentaram durante anos sempre com propósitos eleitorais.

Não pode o estado sobrepor-se à iniciativa privada, aos agentes culturais e sociais, usando e abusando do melhor que a nossa sociedade oferece, tal e qual um regime fascista e ditador. Os açorianos não são marionetas e muito menos descartáveis.

Temos de aprofundar a nossa autonomia, impedir que as nossas ilhas sejam governadas por forças externas, muitas delas tão sombrias que nem percebemos quem são, ou se calhar até sabemos quem são.

Os valores seculares que sempre nos orientaram têm de voltar a prevalecer na nossa sociedade. As nossas tradições têm de ser valorizadas e não engolidas pelo estado. A nossa cultura tem de ser um dos melhores cartazes turísticos destas nossas ilhas.

Finalmente, e para não me alongar muito, tem de haver verdadeira justiça na nossa terra. Temos de responsabilizar judicialmente todo e qualquer governante que faça mau uso do bem publico e, se necessário for colocar na prisão este tipo de personagem. Só assim os açorianos voltam a acreditar nos políticos, na justiça, em todos nós que aqui andamos com bons propósitos. As autoridades devem ser reforçadas de meios materiais e humanos para que se faça um efetivo combate à corrupção que todos nós sabemos existir, mas é difícil de comprovar legalmente porque todo e qualquer “bandido” só o é depois de ser apanhado e comprovada a sua culpa. Não podemos ter justiça a duas velocidades: rápida para o pequeno delinquente e demasiada lenta para o corrupto.

 

7- Seja qual for a composição do governo, acredita que há condições para durar os 4 anos?

 

Acredito que pode durar 4 anos desde que haja sempre bom diálogo e transparência. Tudo dependerá da seriedade dos protagonistas. Estaremos muito atentos a cada movimento.

 

 

Entrevista ao Jornal Diário dos Açores, 1 de Novembro de 2020