CHEGA de meter água!

CHEGA de meter água!

15 de Setembro, 2020 0 Por Azores Today

Relatório anual da ERSARA, entidade reguladora da água, é boa notícia para alguns, mas para nós não serve.

 

O ditado popular, “com a verdade me enganas” é plenamente aplicável a este relatório.

Se do ponto de vista da ERSARA que analisa a qualidade da água pelo ângulo do cumprimento com os parâmetros legais vigentes, tudo dizem parece bem e merecedor dos mais rasgados elogios, do ponto de vista do CHEGA Açores, a qualidade da água na ilha Terceira vai de incógnita a profunda preocupação.

Comecemos pela incógnita:

– Foi comprovado pelo laboratório francês de referência em radioatividade CRIIRAD, a presença de isótopos radioativos antrópicos no lugar da Caldeira Guilherme Moniz, nomeadamente nas imediações do Pico Careca. Estes valores levaram-nos a concluir que no início dos anos 70, a concentração de radioatividade não natural e não explicável pelo fallout radioativo, era equivalente àquela encontrada à três anos a 30 Km de Fukushima.

Em consequência dos resultados obtidos, verificamos também que os dados analíticos divulgados pelo CRIIRAD deram valores 10 vezes superiores aos seus homólogos, obtidos pelo Instituto Superior Técnico, IST, entidade que analisou o mesmo solo, no mesmo local, na mesma semana.

Esta disparidade de resultados entre dados independentes e entidade Nacional altamente politizada que é o IST, deixa-nos com as maiores dúvidas sobre o resultado radiológico das análises oficiais efetuadas também à água para consumo humano fornecida pela edilidade angrense, proveniente de captação localizada no epicentro do problema.

É hoje aceite que em 68, terá ocorrido nas instalações norte-americanas dos «Bunker´s do Cabrito», um incidente com materiais radioativos, ainda não divulgado, mas que já levou a que uma comissão do senado norte-americano investigasse o local, validando o evento.

Vamos à preocupação:

– Dados analíticos fornecidos pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, LNEC, confirmam o pior das nossas preocupações. A água captada no graben das Lajes e fornecida aos praienses, encontra-se contaminada por hidrocarbonetos, solventes e metais pesados.

Por bioacumulação, a ingestão dessa água constitui uma fonte de contaminação e um risco para a saúde pública, havendo já indícios de doenças potencialmente associadas.

Sair-se à rua, como faz a ERSARA premiando por mérito a Praia Ambiente por fornecer água tóxica mas no escrupuloso cumprimento da lei, é ofensivo e moralmente criminoso. A Lei da Água e os seus parâmetros de qualidade, não prevê nem considera os poluentes existentes na ilha Terceira.

A edilidade e o Governo Regional, permitirem e calarem-se com tamanho elogio, quando deveriam já ter interrompido o fornecimento de água contaminada, é moralmente degradante e envergonha-nos a todos.

Qualquer entidade responsável já teria fornecido provisoriamente água engarrafada a esta gente, na defesa da saúde pública de uma população martirizada. CHEGA!

 

Orlando Lima

 

In Diário Insular de 15 de setembro de 2020

Vice-presidente do CHEGA-Açores