Futuros sacerdotes prometem “presença e proximidade” ao jeito de uma Igreja sinodal

Futuros sacerdotes prometem “presença e proximidade” ao jeito de uma Igreja sinodal

5 de Setembro, 2020 0 Por Azores Today

Futuros sacerdotes prometem “presença e proximidade” ao jeito de uma Igreja sinodal

Set 5, 2020 | Manchete

Os seis diáconos que este domingo serão ordenados sacerdotes pelo bispo de Angra são os convidados do programa Igreja Açores que regressa este domingo depois do meio dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra

A igreja açoriana passa a contar a partir deste domingo com seis novos presbíteros, todos naturais de São Miguel, com diferentes experiências de vida, mas igualmente dispostos a servir o povo de Deus com “presença e proximidade”.

“Temos de estar onde estão as pessoas. De noite, de dia, onde e quando quer que seja, temos de estar presentes” porque é nessa presença “que podemos fazer a diferença” afirma Nuno Pacheco de Sousa, natural da Ribeirinha e futuro vigário paroquial de Água D´Alto, São Pedro e São Miguel Arcanjo, em Vila Franca do Campo.

O diácono mais velho, dos seis que este domingo serão ordenados por D. João Lavrador é um dos convidados do programa de rádio Igreja Açores que regressa à Antena 1 Açores e ao Rádio Clube de Angra depois do meio dia deste domingo.

À conversa, os seis jovens refletem sobre os desafios do sacerdócio no século XXI, a relação com os jovens e com a Igreja em geral, os medos e a solidão de um jovem habituado ao conforto da comunidade e da família e sobre a diocese de Angra e a sua caminhada sinodal.

“Uma igreja presente significa que não são os meus muros: isto é o templo, estou aqui, se quiseres vem ter comigo. Precisamos de ser uma igreja onde caibamos todos- jovens menos jovens, reclusos, movimentos, famílias” acrescenta ainda Nuno Pacheco de Sousa.

“Resumiria em três palavras: escuta, presença e amor” esclarece Sandro Costa, natural das Furnas e que irá servir pela primeira vez as comunidades da ilha de São Jorge.

“Nenhum de nós sabe ser pároco. No Seminário não aprendemos a ser párocos, nem padres; mas aprendemos que o caminho se faz caminhando e a proximidade às comunidades, numa relação profunda, tem de ser sempre o caminho”, afirma Pedro Carvalho, natural de Santa Bárbara, na ouvidoria das Capelas, na costa Norte de São Miguel. O jovem diácono irá servir as comunidades do Pico.

“Para um jovem ter pouca população pode ser difícil mas permite-nos criar uma relação mais profunda com as comunidades” refere.

“Será sempre difícil” mas “é um crescimento que fazemos em conjunto: a maior sede terá de ser sempre o Evangelho. É partir daqui que tudo se desenrola, porque Jesus Cristo é o que importa” interpela João Farias, também natural de Santa Bárbara e que na primeira colocação foi enviado para São Jorge.

“A sociedade atual quer e precisa de Deus: nós é que temos de ser capazes de apresentar Jesus para que, em conjunto, possamos refletir sobre o verdadeiro sentido da vida”, sublinha ainda João Farias a propósito dos jovens mas também dos cristãos em geral.

“O mundo tem muita sede de Jesus e os padres novos, quer queiramos quer não, são uma grande esperança para as pessoas, que depositam em nós muita confiança” adianta Aurélio Sousa, natural das Sete Cidades, que servirá a partir de outubro as comunidades do Faial.

“ Somos portadores do Evangelho que traz a novidade para o meio das pessoas. Este é o meu grande medo: que alguém se aproxime de mim, queira a novidade do Evangelho e eu não esteja à altura de a dar e de a colocar no seu coração” refere o diácono.

“A sociedade exige muito de nós; não se trata de ser agradável aos olhos de todos mas ter a disponibilidade na fidelidade, ser sempre ao jeito de Jesus” insiste Igor Oliveira, natural de São Roque. É, porventura, um dos jovens sacerdotes que vai ter uma responsabilidade acrescida pois será o diretor de um dos serviços pilares da diocese, o Serviço Diocesano de Apoio à Catequese, Evangelização e Missão.

“Colocar as nossas limitações num ministério que é tão grande” pode “assustar”, refere ainda o jovem de São Roque que será também o secretário pessoal do bispo de Angra.

“Fui apanhado de surpresa com esta nomeação, o que vou fazer é muito diferente e por isso só conseguirei perceber exatamente a dimensão do meu trabalho quando o iniciar”, refere num misto de entusiamo e prudência.

“Precisamos de um certo acompanhamento” refere, por seu lado Sandro Costa a propósito da decisão episcopal de agora em diante os neo sacerdotes terem durante dois anos um acompanhamento do Seminário, com uma formação especifica, ao jeito de uma espécie de formação continua.

“ Saímos de uma vida em comunidade e entramos num passal sozinhos. A solidão pode não ser assim uma coisa tão boa. Essa semana de formação não será só em temas teóricos; permitir-nos-á partilhar a vida e isso é importante” refere Sandro Costa.

“É um problema, sim a solidão, porque não é uma coisa normal” acrescenta Aurélio Sousa.

“Há coisas que sabemos que uma vida sacerdotal exige e, por isso, quando o Senhor nos chama temos de aproveitar a caminhada do seminário para ir relativizando algumas coisas para que depois não nos estampemos porque não estamos preparados” esclarece.

“Nós não vamos ser pastores sozinhos, vamos ter um rebanho. Os padres, hoje em dia, fazem o dobro da falta que faziam antes e se nós nos disponibilizarmos para ser presença junto das ovelhas, não teremos tempo para a solidão”, acrescenta.

“julgo que nós estamos preparados para tudo e não estamos para nada” refere Pedro Carvalho.

“Tenho medo de falhar, de fazer algo que as comunidades não precisem e que eu tenha a tentação de achar que é melhor para elas. Sim, na verdade, tenho medo de falhar; esse é o meu maior medo”, conclui o jovem diácono.

“O Evangelho tira-me o sono, mas o medo de ter medo é paralisante. Jesus nunca teve medo” esclarece Nuno Pacheco de Sousa que sublinha, ao jeito de Paulo “gostava de ser tudo para todos e alcançar todos”. Já João Farias lembra que diante do egoísmo e do consumismo, “facilmente perdemos as forças. Esse é o meu maior medo”.

“Ser o rosto de Jesus em cada momento das nossas vidas não é fácil” adianta, por sua vez Sandro Costa. “Este é o nosso grande desafio e talvez o meu maior medo”.

A conversa com os futuros sacerdotes passa este domingo depois do meio dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra, marcando assim o regresso do programa de Rádio Igreja Açores à antena regional.

A ordenação presbiteral dos seis diáconos pode ser seguida em direto no facebook do Igreja Açores, a partir das 16h00, numa emissão especial.

Além da ordenação, haverá ainda a instituição de três seminaristas, no ministério de acólitos: João Silva, António Santos e Jorge Sousa, que no próximo ano letivo serão alunos do sexto ano no Seminário Episcopal de Angra.

Fonte: Igreja Açores