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COCA-COLA OU LARANJADA?

Para quem não sabe, fui o primeiro nos Açores e um dos pioneiros em Portugal a lançar uma plataforma online de venda ou promoção de viaturas. Já lá vão 15 anos de muito trabalho e sacrifício pessoal e familiar. Não fiquei “rico” porque vivo numa região mais pequena onde o mercado tem um lote de clientes muito reduzido. Nunca temi a concorrência, mesmo quando foi desleal. Combatia-a com qualidade, muita dedicação e seriedade. Penso que o meu percurso fala por si e não preciso de fazer mais considerações.

Sou filho de um camionista que trabalhou, quase toda a sua vida, sete dias por semana, como profissional liberal, fez-me aprender muita coisa, fez-me ver que o mundo para uns é fácil para outros extremamente difícil. Tive sempre este grande exemplo e referencia na minha vida, o que também me faz perceber as dificuldades dos outros que lutam pela “fatia de pão” todos os dias.

Muito tenho lido a respeito de vir a UBER ou não, e até com algum humorismo, ao ver quem me tenta dar lições de ideologia de direita, especialmente de gente que não sabe o que é trabalhar por conta própria e que sempre teve o ordenado garantido pelo estado todos os dias. Curiosamente até de alguns que não usam qualquer dos serviços que atacam ou defendem, mas fazem apenas por capricho ou por simplesmente ser do contra.

Quem me conhece sabe que sou de convicções forte e pouco gosto de modinhas ou do politicamente correto. Prefiro ver as coisas sem “palas nos olhos”, com justiça e equilíbrio. A política é feita com pessoas e para pessoas, quem tratar os açorianos como números tem aqui um forte opositor, mesmo que me custe muitos votos.

Meus amigos, é preciso perceber que nesta altura de pandemia temos de ter cuidado com o que defendemos. Não é um tempo normal em que o mercado irá funcionar normalmente, mas sim anormalmente. Nada tenho contra as plataformas e muito menos contra a concorrência, porque esta última pode ajudar o consumidor. O nosso mercado é pequeno e frágil e quem não perceber isto é porque tem a vida facilitada ou até nem mora por cá.

A questão aqui está na altura não ser a ideal, mas não confundir com questões de qualidade, etc, mas sim de pensar as coisas como elas são. Não confundir se o serviço pode ser melhorado ou não ou até mesmo se alguns profissionais são mais ou menos sérios, não é esta a discussão. Tudo é possível de melhorar e evoluir e se calhar pode ser a altura certa para dar este passo em frente.

Não falamos apenas nos táxis, mas também nas animações turísticas e rent-a-car. Quem não percebe que esta gente está sem trabalhar ou é cego ou não é sério. Se acham normal que ainda haja menos trabalho para os que existem, então são pessoas que não me identifico e agradeço a distância.

Jamais defenderei capitalismo selvagem e muito menos na nossa terra. Tratar diferente o que é diferente numa altura destas não é proteccionismo, mas sim equilíbrio e justiça.

Quando o mercado voltar à normalidade e se os consumidores assim o acharem, venha quem quiser, mas sempre dentro das mesmas regras dos que cá estão, nem mais, nem menos. Já dizia o meu avô “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”.

Quase me apetece dizer que esta discussão está ao nível do “gostas mais de coca-cola ou Laranjada?” Apesar de gostar de coca-cola, prefiro deixar o dinheiro na minha terra e gostar mais da Laranjada, sempre que possível.

Um abraço com amizade a todos e lembrem-se que o debate é bom quando honesto e com argumentos. Os ataques pessoais ou com intuitos partidários menos claros, para mim pouco valem e pouco me incomodam.

Haja saúde.

 

José Pacheco

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Fonte: RTP Açores (clique neste link para ver o video)

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