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A nossa autonomia. Uma mão cheia de nada…

Num final de jantar com um grupo de amigos fui desafiado, coisa normal nesse tempo pré-eleitoral.

Confrontaram-me com a necessidade de reduzir o número de deputados na Assembleia Regional, coisa que numa lógica de TACHOS pensavam, nenhum partido defendia. Respondi que embora com excelentes sondagens, somos o partido que pela primeira vez se candidata a eleições pelos Açores e que, sendo um dos potencialmente mais prejudicados em termos de representação nominal, contestamos isso mesmo. Temos 57 deputados na nossa Assembleia. O que fazem mais de 30 deputados naquela casa? Confesso que para além de custos com salários, subsídios e viagens, não sei. Penso que ninguém sabe. Democracia não o é certamente. Democracia faz-se com representatividade e respeito. Não com despesismo, abuso do erário público, pelo contrário. Uns estão por nomeação de família, outros permeação do caciquismo, outros os há por acaso de cotas e ainda há alguns para não mudarem de cor. Por competência estão muito poucos. Serão provavelmente uns lugarinhos tão confortáveis, que não há nenhum outro partido além do CHEGA a apelar à sua redução. Mas há mais. Os velhacos não se amam, mas unem-se, digo-o a miude. Só assim também aqui se explica, a ausência de sensos para a limpeza dos cadernos eleitorais, coisa que até hoje nenhuma força política ousara comentar. Lugares os há em que o número de eleitores supera o número total de habitantes a onde se incluem crianças, adolescentes e algum inimputável. Numa lógica de suposta representatividade, quanto maior o número de eleitores, maior o número de deputados. VERGONHA! CHEGA de TACHOS, queremos RESPONSABILIDADE!

Questionaram a falta de solidariedade com as ilhas de menor dimensão populacional e o centralismo em São Miguel, que em tudo contribui para o enviesamento da nossa democracia, pensei então nesta crónica.

É bom que se clarifiquem as águas. Todos sabem porque viemos, é fundamental que se entenda ao que vimos também.

Falemos então da Terceira, mas não só:

Por um lado afirmo perentoriamente da solidariedade da Direção do CHEGA, Nacional e Regional com os problemas específicos da ilha Terceira, que associados ao drama de base, da contaminação norte-americana, justificam políticas específicas e paços determinados ao nível da descontaminação e estratégias de mitigação de riscos. Consequentemente ao nível dos investimentos associados na saúde que tanta falta nos fazem. Não esquecemos também a justa compensação dos terceirenses pela condição a que estiveram, estão e estarão sempre indubitavelmente sujeitos, pelos malefícios da presença norte-americana na Base das Lajes, instalação que tanto beneficiou e beneficia Portugal, compensando-os com uma redução significativa da sua carga fiscal. É de JUSTIÇA!

Não podemos tratar de igual o que é diferente.

Comprometidos estamos com a «Plataforma Logística de Mercadorias na Praia da Vitória» bem como com o «Entreposto GPL» associado, investimentos estruturantes para os Açores e para o País. Não descuidamos a construção de um «Cais de Cruzeiro» para acesso pedonal à Cidade Património Mundial, Angra do Heroísmo, que há muito o justifica.

São as bandeiras do nosso início de trabalhos para a Terceira, mas há muito, muito mais porque lutar, eu sei.

Somos uma Região que vive uma autonomia artificial, com uma economia artificial, aqui tudo é mentira e preso com arames, disseram-me.

É verdade, e em cima de tudo isto, é a região do País com o maior índice de pobreza. Região autónoma ou não, que raio de Nação é esta que observa o empobrecimento comparativo desta terra que é Portugal e assobia para o lado? Que porcaria de governação regional é este pardieiro socialista que está no governo faz quase 24 anos e sai à rua enganando o Zé Povinho com um balde de tinta e uns rendimentos mínimos, para não falar nuns empregosinhos espremidos aqui e ali e sim, só para os eleitos. Tudo pago por todos nós que trabalhamos, à laia de compra de votos. Que futuro pretende esta gente, que não estimula a sociedade ao trabalho, sim à mediocridade, ao compadrio e ao oportunismo de viver à custa do trabalho dos outros.

Criem-se programas inclusivos de regresso ao trabalho, de integração social. Incentive-se o trabalho e o brio profissional. Reconheça-se o mérito. VERGONHA!

VERGONHOSO ainda que na falta de mais para dizer fazem o discurso de olhem para a paisagem, somos nós que a oferecemos. Recentemente já nem é oferta do governo, é o próprio PS, por ridículo que o seja, é o partido que nos oferece tudo, com uma mão cheia de nada. VERGONHA!

É realmente lugar tranquilo, de vistas deslumbrantes e de paisagem vive o povo.

Salvando-se a paisagem, é com esta paisagem idílica que tanto nos apraz que nos enganam. O amor pela terra, um subsidio aqui, um emprego ali, um balde de tinta acoli, uma palmada nas costas e lá vai a coisa. Mais quatro anos a raspar o TACHO.

Entre garotos, acomodados e vendidos, para o fundo vamos com as nossas ilhas. CHEGA!

Há muito mais a fazer. Há que repensar a educação e a sua necessária transição para a «Escola Moderna» que tantas provas tem dadas ao nível da integração e do aproveitamento escolar. Formar cidadãos mais bem preparados, mais interventivos, menos formatados, ou será que os informados e inconformados vos assustam?

Há que pensar a reintegração das escolas técnicas. Vivemos num País e uma Região em que ou se é básico ou se é doutor. Onde se formam os quadros médios, estruturantes a qualquer sociedade?

Há a necessidade imperiosa de coesão no desenvolvimento do Arquipélago. De reorganizar e moralizar os transportes marítimos. De organizar os serviços e empresas públicas de acordo com planos técnicos não exclusivamente de estratégias políticas, geralmente politiqueiras que sempre acabam servindo os mesmos.

Há que dar por finda a SATA Airlines, a dita internacional que nos acumula prejuízos da ordem dos 53 Milhões por ano. É preciso investir na mobilidade interna dos açorianos proporcionando-lhes preços baixos nas suas deslocações. Esta é uma bandeira do CHEGA que já tem cópias de má qualidade. Temos o PSD a parir uma, fazendo-se gente com as ideias dos outros. Só chegaram com dois meses de atraso. Há que repensar a base da SATA Air Açores, das nossas linhas internas, numa estratégia de centralismo geográfico, eficiência económica e reestruturar a empresa para um tempo de multifuncionalidade, adaptabilidade e eficiência. Há que reduzir o custo de uma administração pesada com salários milionários. Há que sanear a incompetência. Há que pensar os seus horários de operação para corrigir as estratégias implementadas de obrigar a dormidas na ilha maior. A política existe para servir as populações, não para servir grupos de interesses e amigos.

Há que olhar para os salários, condições de trabalho e carreiras de classes há muito esquecidas e estruturantes da nossa sociedade. Temos bombeiros, policias, guardas prisionais, professores, enfermeiros, funcionários públicos. Todos dependentes diretamente do Estado e tratados abaixo de cão.

Temos necessidade de quadros médicos e não lhes damos condições de fixação.

Há que repensar o desenvolvimento dos Açores num todo solidário e não a partir do peso do seu eleitorado.

Não pode continuar tendo o poder económico a ditar as políticas regionais. Enquanto assim for, não haverá autonomia que lhe valha nem democracia que lhe resista. Queremos o fim de um reinado de MEDO e SUJEIÇÃO. O FEUDALISMO tem de ser relegado para o passado, de onde não deveria nunca ter saído.

Nós queremos MAIS AUTONOMIA, MAIS JUSTIÇA, um grande CHEGA no COMPADRIO e na CORRUPÇÃO!

Queremos um ESTADO DE DIREITO, queremos SOLIDARIEDADE, queremos DEMOCRACIA!

Queremos o que tu queres!

 

Por Orlando Lima

In Diário Insular

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