Comissão do Vaticano defende desinvestimento militar para reforço dos sistemas de saúde

Comissão do Vaticano defende desinvestimento militar para reforço dos sistemas de saúde

7 de Julho, 2020 0 Por Azores Today

Comissão do Vaticano defende desinvestimento militar para reforço dos sistemas de saúde

Jul 7, 2020 | noticias do vaticano

Santa Sé reforça apoio ao cessar-fogo global aprovado pela ONU

A Comissão do Vaticano para a Covid-19 apresentou hoje em conferência de imprensa a sua preocupação com o que denominou “tsunami” de crises humanas, defendendo a aplicação de dinheiro gasto em armamento no reforço dos sistemas de saúde.

O cardeal Peter Turkson, presidente do organismo criado pelo Papa em resposta à pandemia, falou aos jornalistas de uma das “piores crises humanas” desde a II Guerra Mundial (1939-1945), que junta os problemas sanitários, a recessão económica e a emergência climática, com consequências visíveis na diminuição do acesso à água e comida, a “normalização da insegurança” ou o aumento da violência doméstica durante o confinamento.

“A confluência de todas estas crises criou um verdadeiro tsunami de crises humanas”, referiu o presidente do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé).

O responsável reforçou o apoio da Santa Sé e do Papa ao cessar-fogo global adotado pelo Conselho de Segurança da ONU, para permitir a ajuda humanitária durante a pandemia.

“O único combate que a humanidade deve conhecer é o combate contra a Covid-19”, sustentou o cardeal Turkson, que pediu uma “globalização da solidariedade”.

Os responsáveis da Comissão do Vaticano para a Covid-19 apelaram ao desarmamento e ao desinvestimento em despesas militares, para responder com mais recursos à crise sanitária e económica.

A irmã Alessandra Smerilli, coordenadora da equipa de trabalho para a Economia, uma das cinco ‘task-forces’ desta comissão, defendeu que a saúde global deve ser considerada “um bem comum”, dado que “a pandemia não conhece fronteiras”.

“Temos de nos perguntar: e, se em vez de corrida aos armamentos, houvesse uma corrida à alimentação, saúde e segurança no trabalho? O que é que os cidadãos pedem agora? Precisam de um Estado militar forte ou de um Estado que investe no bem comum?”.

Alessio Pecorario, coordenador da equipa de trabalho para a Segurança, referiu, por sua vez, que “há escolhas que têm de ser feitas”.

“Medicamentos, segurança alimentar e renascimento económico focados em justiça social e economia verde exigem recursos, que podem ser desviados do setor militar no contexto de um renovado controlo de armas”, sustentou.

“À luz da emergência, da complexidade e dos desafios interconectados surgidos da pandemia, podemos concluir que os recursos e a tecnologia humanos e financeiros devem ser usados para criar e estimular estratégias, alianças e sistemas destinados a proteger vidas e o planeta, não para matar pessoas e ecossistemas”, acrescentou.

O Papa criou em abril um Fundo de Emergência, junto das Obras Missionárias Pontifícias, para ajudar milhões de pessoas vulneráveis.

O portal ‘Vatican News’ informa que as ajudas têm servido para a aquisição e distribuição de kits de alimentos e kits de saúde para crianças carentes, apoio escolar e ao trabalho de assistência e evangelização de várias dioceses.

(Com Ecclesia)

Fonte: Igreja Açores