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ILUSÃO DO TURISMO OU A ARTE DE ANDAR NO ARAME

Esta crise pandémica tem nos feito reflectir muito, mas muito mesmo, em termos económicos, especialmente no turismo.

 

Ao longo de anos, os Açores eram o paraíso das vacas, seria este sector o grande motor da economia. Vieram subsídios, vieram técnicas, veio este e aquele “engenheiro” que disse isto e aquilo, mas a verdade é que nunca se revelou ser a tal mina de ouro que muitos advogavam. E mais importante, não foram os lavradores os que mais beneficiaram com tanto ruido, estes continuam a trabalhar 365 dias por ano para serem o elo mais fraco nesta cadeia ilusória. Mas isto seria outro tema.

 

Importa sim, neste momento, falar de turismo, que entre teorias e processos na justiça passou a ser a vaca sagrada da economia açoriana, coisa que sempre achei ser uma grande ilusão e demasiado perigoso voltar novamente todo o investimento político e económico para uma única área ou sector.

 

A verdade dos factos é que durante muitos anos tínhamos a TAP, depois a SATA e só mais tarde as low cost como a Easy Jet, que se desencantou facilmente, permanecendo, até Deus sabe quando, a Ryanair.

 

Importa aqui salientar que este tal “explodir do turismo” não foi mérito do partido socialista, que até nem queria a liberalização do espaço aéreo. São eles que querem recolher os louros, mas que nunca nos esqueçamos que eram eles os maiores opositores a tal coisa. Verdade, verdadinha, é que agora colocam-se em bicos de pé a dizer que são os grandes impulsionadores do turismo nos Açores, mas é mentira.

 

Sempre achei este jogo perigoso e uma ilusão para quem pretendesse investir nesta área. Certo é que surgiram como cogumelos uma série de pequenos e médios negócios à volta deste sector, quer fossem rent-a-car, quer alojamento local, ou até mesmo restaurantes, animações turísticas, etc.

 

A verdade é que toda esta economia, que parecendo real, é apenas virtual, está presa a uma única companhia low cost que, no dia que deixar de receber o subsídio para cá voar, o mais certo é deixar de o fazer. O resultado será termos apenas a TAP, uma vez que a SATA já não se aguenta nas canelas com estas rotas, que há de fazer os preços que lhe der mais jeito para quem desejar sair daqui das nossas ilhas.  E se há dúvidas é ver o que aconteceu com uma estudante açoriana recentemente obrigada a pagar bilhete de primeira classe. Se isto não é estar preso por arames, então não sei o que será.

 

Um facto curioso é o de nunca se ter falado no baixar os preços das viagens inter-ilhas até o Chega Açores exigir que assim seja de futuro. Agora, todos querem baixar tarifas a reboque das nossas posições publicas. Se isto servir o povo açoriano, pois que sejam todos os partidos a defender esta causa, porque é incompreensível andarmos a patrocinar os de fora quando os açorianos nem conhecem as suas ilhas. Isto sim, seria uma verdadeira mobilidade e uma boa prática e durante o ano todo. Isto sim, estimula a nossa economia que tanto vai precisar face à catástrofe económica que aí vem, por mais que o governo regional tente camuflar para não ser penalizado nas próximas eleições regionais.

 

A grande palhaçada que tem sido o caso dos barcos que todos os anos faz prever que será assunto para muitas mais décadas. No meu entender, esqueçam a porcaria dos barcos, excluindo-se os que servem o grupo central e bem, e invistam estes largos milhões em ligações entre as ilhas açorianas a baixo custo, como já acontece por este mundo fora, por exemplo nas Canárias.

 

Quem vai pagar? Muito fácil de explicar, reduzam as mordomias, os tais barcos, o numero de deputados e especialmente as compras a preço de ouro para contemplar amigos e alguma algibeira mais glutona, etc., etc., etc., etc., etc…. . É difícil de perceber? Penso que não.

 

Haja saúde e que sejam os açorianos a dizer bem alto que Chega de andar a brincar com a vida das pessoas

 

José Pacheco

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Fonte: RTP Açores (clique neste link para ver o video)

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