A arte de bem (des)educar (Parte 1)

A arte de bem (des)educar (Parte 1)

24 de Abril, 2020 0 Por Azores Today

Vivemos num mundo imperfeito, não nas mais primitivas e naturais concepções de tudo o que nos rodeia, mas sim naquelas onde fomos/somos intervenientes directos. Num mundo perfeito não existiria um Covid 19 que, quer se queira quer não, terá sido criado pelo homem, ou consequência dos actos deste.

Que um Convid 19 de repente passa a condicionar fortemente as nossas vidas, com implicações dirtectas na nossa saúde, não é já novidade, novidade será, portanto, a forma como o enfrentamos e que mecanismos/acções se desenvolvem para lidar com este da melhor forma.

A nível educativo, a opção foi tão somente a pior que se pudesse ter encontrado. Como se não bastasse tudo o que nos atinge fortemente, ainda teremos de lidar agora com iluminados deste sector, perfeitos líricos, utópicos inconsequentes, e aqui não me refiro aos docentes, já que estes serão igualmente nada mais, nada menos que vitimas de sonhadores que nos pedestais em que se refugiam teceram esta teia e amálgama chamada de “ensino à distancia”. Mas, terá de ser-lhes dado algum mérito, a rapidez com que obrigaram professores, pais, alunos a terem de ser autênticos licenciados à pressa. Como assim? Não são todos licenciados, ou pelo menos dotados de cultura e sabedoria acima da média, perfeitos engenheiros informáticos?!!! Calma… num mundo perfeito, aquele em que os “iluminados” parecem viver deveremos todos ser… só que não vivemos num mundo perfeito, vejamos:

Na minha mais modéstia opinião, a escola, os estabelecimentos de ensino, terão nos seus alicerces basilares, para além da nobre responsabilidade de ensinar, ocupar e desempenhar um fundamental papel na redução das desigualdades sociais, pois esta cai literalmente por terra quando se espera que todas as nossas crianças tenham um computador, tenham internet em casa e ainda tenham  encarregados de educação que não sejam infoexcluídos e sejam/estejam preparados para os auxiliar/apoiar/ajudar a desempenhar as extensas tarefas que lhes estão a ser enviadas pelos professores.

No meu caso, a menor que tenho em casa, será obrigada a desempenhar pelo menos 13 trabalhos semanais, alguns algo complexos, onde se incluem fotos/videos a realizar exercícios para a disciplina de educação física, pergunto, isto não colide de frente com os princípios fundamentais do tão falado RGPD?. Felizmente que por cá podemos proporcionar-lhe todos os meios para as completar, ainda que a mãe fique mais de 12 horas diárias a apoiar/ajudar.

Como vimos o mundo está longe de ser perfeito e uma esmagadora parte dos nossos miudos não tem os meios técnicos, não tem em casa encarregados de educação licenciados e com a disponibilidade/preparação/conhecimentos para os apoiar/ajudar e aqui importa esclarecer que estes fatores terão de ser conjugados. Um sem o outro equivale a praticamente nada e provamo-lo aqui em casa.

Num mundo perfeito, o “deles”, todos os docentes serão jovens, verdadeiros engenheiros informáticos, sem filhos, sem mulheres ou maridos, sem vidas de casa. Como assim? Não são? Ah, afinal parece que se esqueceram que a população docente em muitos casos não será a mais jovem, logo, terão menores aptidões/preparações para lidar de perto e da forma exigente que se verifica com as mais recentes tecnologias informáticas, ou como diz um amigo professor da ilha do Faial, “alguns deles pouco mais sabem que ligar a torradeira lá de casa”, quanto mais ter de lidar com o perfeito e desmesurado sufoco em maios digitais em que os colocam.

Fim da 1ª parte.

 

César Ferreira

Dirigente do Chega Açores

 

Fonte: Artigo de opinião do dirigente César Ferreira no Jornal Tribuna das Ilhas, do Faial, a 24 de Abril de 2020