CHEGA ENVIA CARTA A VASCO CORDEIRO COM PREOCUPAÇÕES E SOLUÇÕES PARA A RETOMA DA NORMALIDADE NOS AÇORES

O Chega Açores manifestou, através de carta, ao Presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. Vasco Cordeiro, preocupação e apontou soluções quanto à retoma da normalidade nos Açores.

Esta preocupação prende-se, no entender do Chega Açores, de ainda não terem sido tomadas medidas para estabelecer regras que salvaguardem a necessária segurança da saúde pública, podendo esta situação originar novos focos de contágio, num futuro próximo, até porque teremos de retomar a actividade económica o quanto antes.

Neste documento, enviado ao Presidente do Governo Regional, são indicadas algumas soluções a terem em conta para que a retoma se faça o mais rapidamente possivel, mas garantindo a segurança de todos. No entender do Chega Açores, esta passará por uma formação e fiscalização inicial continua, uma vez que se compreende que este vírus permanecerá entre nós ainda algum tempo.

O Chega Açores também se disponibiliza, perante o Governo Regional e  a sociedade açoriana,  para ser um agente proactivo num cauteloso e eficaz restabelecimento da normalidade, na nossa região, compreendendo que a todos cabe a missão de ajudar a salvar a saúde e o bem-estar da população, bem como da nossa economia.

 

Aqui se transcreve na integra o conteúdo da Carta enviada ao Presidente do Governo Regional dos Açores:

 

 

 

Exmo. Sr.

Presidente do Governo Regional dos Açores

Dr. Vasco Cordeiro

 

Exmo. Sr.

A Comissão Instaladora dos Açores do Partido CHEGA vem por este meio manifestar a V. Exa. a sua preocupação quanto aos acontecimentos atuais e futuros, relativamente à pandemia Covid-19 e os efeitos que a mesma trará à saúde dos cidadãos e economia regional.

Com efeito, o país em geral, e a região em particular, têm tido um desempenho apreciável, quando comparados com os nossos parceiros comunitários, principalmente os países do sul.

Todavia, devemos ter consciência que o mundo nem sempre tem sabido lidar com esta pandemia e de uma forma ou de outra, todos temos cometido erros, em alguns países de forma mais notória, do que em outros.

No nosso país, e atendendo à realidade da capacidade dos nossos serviços de saúde, optou-se por “contornar” o vírus, tentando circunscreve-lo evitando assim um contágio mais generalizado da população, opção esta acertada, atendendo à nossa disponibilidade de profissionais de saúde e de todos os outros recursos, incluindo os financeiros e que devido a esta linha de ação existem como casos confirmados um em cada dois mil açorianos, o que é um número muito positivo em termos de combate á pandemia.

Estando hoje os Açores com a situação relativamente controlada, a nível de contágio comunitário, começa-se a pensar em restabelecer, dentro do possível, a normalidade.

É precisamente também o restabelecimento desta normalidade, que tem vindo a preocupar a comissão instaladora do CHEGA, porque temos a consciência que a nossa população está sedenta de voltar às suas rotinas e ofícios, no entanto, temos de compreender que este restabelecimento não poderá de forma alguma, materializar-se nas mesmas condições que existiam antes da pandemia.

Assim, e no nosso entender, o grande desafio doravante não será apenas o pós-covid, porque este poderá ser um cenário de médio prazo, mas sim a coexistência deste problema na nossa sociedade, onde o nível de imunidade é extremamente baixo, por força do dito sucesso da circunscrição do vírus, posto isso é da maior sensatez vivermos na plena consciência que ele estará entre nós durante muito tempo, constituindo um perigo eminente na nossa população.

Nesta perspectiva, entendemos que é da maior importância criar imediatamente equipas técnicas integrando profissionais de saúde pública, profissionais das mais variadas atividades económicas, profissionais das áreas de higiene e segurança no trabalho e formadores, no sentido de proporcionar formação adequada a todos os agentes económicos, nas áreas industrial, comercial, agroalimentar, entre outras, estudando sector a sector, quais as melhores práticas laborais no sentido de proteger estes agentes sociais e toda a população.

Este trabalho formativo será um importante instrumento no objetivo de uniformizar procedimentos, processos de trabalho e práticas de prestação de serviços, entre áreas de atividade similares, proporcionando a tal formação adequada, a consciencialização social e a responsabilização dos agentes intervenientes, evitando-se assim, erros involuntários que possam ser praticados por agentes económicos e seus funcionários, por falta de formação adequada, além disso, deve o Estado nas áreas de delegações de saúde, fiscalizações municipais e fiscalização de condições laborais, desenvolver mais ações de fiscalização, aconselhamento e verificação de cumprimento de regras.

Mais entendemos que, a reabertura de algumas atividades económicas deverá, neste período, ser acompanhada de eventuais vistorias e emissão de licenças de utilização especiais e temporárias, que comprovem a compatibilização da atividade com a necessidade de cumprimento de regras de saúde pública inegociáveis, sempre no objetivo de minimizar os riscos de uma possível nova vaga de contágio, que a acontecer terá efeitos devastadores a todos os níveis.

Somos do entender que a não implementação destas práticas formativas, a não uniformização de métodos e práticas laborais e o não acompanhamento técnico e fiscalizador, por parte do Estado na reativação da nossa atividade económica, podem trazer consequências gravíssimas aos açorianos e à nossa economia.

A Comissão Instaladora dos Açores do Partido CHEGA, manifesta a sua disponibilidade para contribuir para um cauteloso e eficaz restabelecimento da normalidade na nossa região, deixando aqui expressa a sua preocupação pela resolução dos problemas atuais dos Açores, compreendendo que a todos cabe a missão de ajudar a salvar a saúde e o bem-estar da população, bem como da nossa economia, de onde não podemos excluir nenhuma atividade económica, incluindo o regresso da atividade turística, logo que possível, como elemento potenciador de criação de receitas, porque precisaremos de todos para erguer estas ilhas.

Para terminar, salientamos o facto da nossa região, quer pela sua dispersão geográfica, quer pela moderada concentração populacional, ser um lugar de excelência para por em prática, de forma concertada, hábitos e procedimentos capazes de controlar a permanência deste grave problema de saúde pública.

Os nossos cordiais e democráticos cumprimentos,

 

Açores, 21 de Abril de 2020.

 

 

O Presidente da Comissão Instaladora do Chega Açores

Carlos Augusto Furtado

 

 

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