DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Olhando para as imagens ficamos um pouco confusos. Na primeira, em Rabo de Peixe, terra que sabe honrar as suas tradições de louvor ao Divino Espírito Santo, juntaram-se meia dúzia de pessoas, que suponho por breves momentos, na abertura de um Quarto do Divino Espírito Santo. Esta atitude fez correr muita tinta, muito insulto, como seria possivel estarem ali quando deveríamos estar todos em casa. É verdade, não deviam, mas eram apenas uns poucos mesmo assim. Na segunda imagem, temos o Parlamento Nacional, que no dia 25 de Abril irá juntar mais de 130 (?) pessoas para celebrar o Dia da Liberdade. O que está errado nisto tudo?

 

Os nossos governantes, eleitos por todos nós (ou quase) do alto das suas sapiências, acham condenável meia dúzia de pessoas a honrar as suas tradições, mas acham legitimo mais de uma centena de pessoas honrarem uma data, que não vinha mal ao mundo se fosse festejada em casa, como nós todos festejamos a Páscoa, os aniversários, etc.

Um dos argumentos que tenho lido é de que se podem estar no Parlamento a trabalhar, também podem festejar o 25 de Abril. Festejar e trabalhar são duas palavras bem diferentes. A primeira, grande parte deste país teve de parar, trabalhando apenas os sectores essenciais à nossa sobrevivência e a construção civil, sector que até agora ninguém conseguiu explicar, mas isto seria outra conversa mais longa e desagradável. Quanto a festejos, estão todos cancelados, se bem percebi até Setembro, e mais uma vez o bom povo aceitou, mesmo com alguma exceção, aqui ou ali, facilmente condenáveis. Esquecem-se todos que até os funerais, momento muito sensível de qualquer sociedade, foram limitados ou proibidos os ajuntamentos, isto para não falar das visitas a parentes mais idosos ou doentes que não podemos fazer nesta altura.

Todos nós estamos a recorrer aos meios tecnológicos para perpetuar algumas vivencias. Veja-se o exemplo das igrejas com as transmissões online ou pela televisão. Não compreendo, por mais que me expliquem, a razão do Parlamento não ter feito igual tendo até muitos mais meios técnicos e financeiros aos seu dispor.

O curioso de toda esta situação é que os tais políticos não abdicam de comemorar o suposto “Dia da Democracia”. Mas que linda democracia nos arranjaram que manda todos para casa, mas não consegue comemorar a liberdade sem dar nas vistas, sem o show habitual. A feira das vaidades é do mais porco que temos neste país. Isto sim é uma ditadura em que as regras são apenas para alguns, excluindo sempre os mesmos.

Este é o país que temos, governado pelos abutres que temos, pagos pelo povo brando que teima em fechar os olhos a tais coisas, sempre sob a ameaça constante de que ou é assim ou corremos o risco de se acabar a Liberdade.

Haja saúde e que venha a democracia rapidamente que já não suportamos mais esta “ditadura democrática”.

 

José Pacheco

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Fonte: RTP Açores (clique neste link para ver o video)

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