Abandonados!

Há toda uma população em pânico no concelho do Nordeste. Há toda uma população que se sente abandonada e clama por esclarecimentos sérios.
Os números dos infectados com covid 19 no Nordeste são assustadores e a população não sabe como agir e sente que está a ser escondida a verdade dos números.
Os telefonemas que recebi hoje do Nordeste dão conta da maior aflição. Os pedidos de informação que me pedem são seguidos. Há presidentes de Junta que, quase à beira das lágrimas, contam- me episódios dos mais tristes que podem acontecer em tempo de crise. Há exemplos vários: desde o pedido de informação da cor partidária quando procuram ajudar quem foi apanhado a ganhar uns trocos a “isso não é connosco”; há privilegiados que se estão a deslocar do Nordeste à Ribeira Grande para fazerem compras; há pessoas que põem em risco a sua saúde para ajudarem outros.
Acima de tudo há presidentes de junta, e aqui não só no Nordeste (também em PDL e por toda a ilha), que lamentam ser esquecidos no que toca à obtenção de informação sobre como actuar para fazer face a várias situações relacionadas com a epidemia. Depois de uma reunião generalizada com a Proteção Civil dos Açores, no início da crise, nunca mais tiveram qualquer informação. Como se não fossem, e estivessem, eles próprios, na linha da frente.
A várias corporações de bombeiros tem chegado a ajuda de alguns autarcas, com entrega de álcool, máscaras e refeições.
Há presidentes de junta que ligam para a Linha Saúde e o primeiro dado que lhes pedem é o número do contribuinte; há presidentes de junta em Ponta Delgada que não foram tidos nem achados, nem informados tão pouco, dos casos de risco que existem nas ruas das suas freguesias e que só souberam pelas redes sociais das equipas de desinfecção, quando foi identificado com covid um sem abrigo. E depois tiveram que acalmar idosos à beira de um ataque de nervos.
Há presidentes de Junta que na procura de respostas, só as conseguem obter junto da Polícia.
Há presidentes de junta no terreno a criticarem os governantes que se mantêm fechados nos seus gabinetes, sem procurarem saber “in loco” o que se passa e o que se está a passar, por exemplo, no Nordeste onde a população sente-se abandonada e entregue à sua sorte.
E por isso, há autarcas, no Nordeste e não só, que pedem aos jornalistas para não os abandonarem.
Porque, dizem repetidamente, “só servimos e só se lembram de nós em campanha eleitoral”.

 

Carmen Ventura

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