A desautorização autonómica duma república que já não serve a ninguém

 

Num contexto actual de pandemia, em que infelizmente vivemos, importa escalpelizar, de forma ligeira e sucinta, o que se passou no contexto regional, ou seja, nos Açores, fruto do seu natural isolamento, teve, ou melhor, teria neste, o seu melhor e mais determinante aliado para conter este verdadeiro flagelo.

Não será preciso ser letrado para se perceber que ao sermos 9 pedaços de rocha no meio de um oceano, bastaria vedar/impedir acessos do exterior o mais cedo possível para que a mesma, na medida do possível, passasse ao lado.

Esse entendimento, é consensual, foi tido pela maioria das instâncias governamentais regionais que assim procederam e que de forma totalmente inexplicável e num profundo desconhecimento da realidade regional e da vontade das gentes destas ilhas, foi ignorado/negado, direi mesmo que tratou-se duma profunda e inaceitável falta de respeito por nós açorianos.

A não acedência deste pedido, ou seja, da suspensão imediata de voos do exterior teve como inevitável consequência a importação de casos positivos de Covid 19, sendo que a esta juntou-se a reacção tardia por parte do GRA em impor quarentena obrigatória em espaço confinado e controlado pelas autoridades locais, como agora se verifica, acrescentando ainda que erradamente esta quarentena é realizada em espaços hoteleiros pagos por todos nós.

A consequência de tão irreflectido acto por parte da republica, para já não falar na saúde e eventuais perdas humanas, será, por exemplo, o mais que provável colapso da economia regional, com a inevitável obliteração de um sem numero de empresas e postos de trabalho.

Tudo isto teria sido evitado com o atempado isolamento forçado das ilhas a voos vindos do exterior da região. Não teria sido necessário encerrar a maior parte do nosso tecido empresarial como então se verifica… a economia regional continuaria a movimentar-se com o mercado local, sem a lufada de ar fresco que o turismo representa, é verdade, mas também não estagnaria, só se movimentaria mais lentamente.

Com ou sem a conivência das instancias governamentais locais, isso ainda estará por apurar, o governo da republica será sim pois responsável pela morte de inúmeras empresas açorianas, pelo engrossar do desemprego e da recessão mais que certa que se espera, isto já sem sequer querer entrar no campo do inestimável custo de vidas humanas.

De igual forma não se poderão escudar nos muitos e diversos apoios que dizem estar a ser criados para empresas e famílias, pois, e isso daria por si só para mais outro artigo como este, como é sobejamente conhecido e estudado estes estão envoltos em tamanhas teias burocráticas e mais não são que supostas e pretensas linhas de crédito que mais não farão que endividar ainda mais os seus eventuais destinatários. Ninguém dá nada a ninguém e assim é com as instituições bancárias em quem foi delegado a atribuição destas ajudas.

Vivi largos anos no continente e muito frequentemente ouvia o ditado “para lá do Marão mandam os que lá estão”, pois o governo desta republica podre, caduca e que já não serve a ninguém, representado na região por alguém que não se sabe bem o que faz ou para o que serve, não viu, ou não quis ver, não percebeu, ou não quis perceber que aqui mandamos nós… ou deveríamos mandar fazendo jus a um estatuto autonómico que se vê agora ferido de morte e profundamente desautorizado por um tolo e inconsequente argumento de “manutenção da extensão territorial”.

 

César Ferreira

 

 

Artigo de opinião de César Ferreira, Dirigente do Chega nos Açores,  no Jornal Tribuna das Ilhas, do Faial, a 9 de Abril de 2020

 

 

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Mais uma morte nos Açores por Covid-19

Fonte: RTP Açores (clique neste link para ver o video)

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