Solidariedade, da teoria à prática

Por Carlos Augusto Furtado

O momento que vivemos é único na nossa história recente. Nunca nos sentimos tão fragilizados e tão impotentes, para lidar com uma situação tão gravosa. Hoje ninguém tem certezas de absolutamente nada, a não ser da plena constatação da falta de lideranças acérrimas pelo dever de proteção daqueles que são liderados.

Até à presente data, não se tornou pública qualquer iniciativa de efeito imediato, por parte do Governo dos Açores, no sentido de minimizar os constrangimentos económicos, já  nos próximos dias, que a pandemia Covid 19 está a causar. Não existe também notícia de qualquer iniciativa por parte da Associação de Municípios dos Açores, no sentido de em forma coordenada e consertada, serem levadas a efeito quaisquer medidas, também de apoio à população.

Estamos assim perante poderes, que no desempenho das suas funções, não estão a cumprir as obrigações que “afirmaram solenemente pela sua honra” que iriam cumprir.

Nestes tempos ficamos a conhecer que a maioria dos eleitos pelo povo, estão lá apenas na defesa dos seus programas eleitorais, na defesa das suas clientelas e na defesa de todo um jogo de interesses que podem vir a defender as suas reeleições, esquecendo-se das mais basilares obrigações a que um eleito fica obrigado como dever de consciência.

Medidas como a suspensão do pagamento da fatura da energia elétrica ou a fatura conjunta de agua, saneamento e resíduos, deveriam ser o contributo imediato quer do Governo Regional, por intermédio da EDA, empresa que é maioritariamente detida pela Região Autónoma dos Açores, quer pelos municípios na parte que lhes compete, aliviando assim no imediato estes importantes custos para as famílias e para as empresas, que vêm reduzida ou anulada a sua atividade económica, por via do estado de emergência, recentemente declarado.

Ficaremos a aguardar pacientemente que estas entidades acordem para a realidade atual, uma vez que as mesmas parecem não ter a noção do que representa a falta de tesouraria de grande parte das empresas locais, que irá condicionar o pagamento de salários já no início do próximo mês.

Estarão os senhores detentores de cargos públicos conscientes do que pode e vai representar esta “hibernação” da economia, nas famílias que não trabalham para o estado, já nas próximas semanas? Infelizmente julgo que não, mas os dias passam e as situações vão-se agravando, a maioria das nossas famílias, mesmo que quisesse, jamais poderá novamente recorrer ao açambarcamento registado recentemente, temos todos que ter presente o flagelo social que poderá começar dentro de pouco tempo.

Há medidas que nem precisam de ser inventadas, mas apenas copiadas, como as que aqui referi e que já muita gente vem defendendo, desde que no Arquipélago da Madeira foram anunciadas, no entanto a maioria dos nossos atuais governantes copiam apenas os atos e iniciativas de “charme” que promovem as ditas figuras, fiquemos todos atentos aos políticos que temos, uma vez que é nestes tempos que realmente se conhecem as pessoas.

 

Carlos Augusto Furtado

Dirigente do Chega Açores

Artigo de opinião publicado no Jornal Tribuna das Ilhas, do Faial, a 27 de Março de 2020

 

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