Por César Ferreira

A insustentável leveza da insensibilidade bancária

Por César Ferreira

Vivemos momentos singulares, momentos impensáveis ao comum dos mortais face aos avanços no mundo da medicina.
O Covid 19 veio alterar de forma profunda as nossas vidas, vidas essas que não voltarão a ser as mesmas.
Para momentos excepcionais pedem-se, exigem-se medidas excepcionais e essas foram já anunciadas por meio mundo. Em Portugal não foi diferente, embora diferente tenha sido o impacto (efeito) que essas parecem em ter na opinião publica.
Fruto deste período de permanência caseira que tenho estado sujeito, é inevitável devorar notícias, nem que seja na ânsia de me manter actualizado face aos números quer de âmbito nacional, quer sejam de âmbito regional.
Neste contexto, para além de acompanhar a RTP Açores, acompanho principalmente a SIC Noticias, canal de sobeja idoneidade e onde me irei basear para aquilo que “crónicamente” passo a escrever.
Fruto da crise da qual começávamos lentamente a sair, foi-nos passada, leia-se incutida, a ideia de que para a economia nacional sobreviver, crescer, desenvolver-se, seria urgente, indispensável mesmo, o povo suportar uma urgente e indispensável recapitalização de instituições bancárias.
Sem que fossemos chamados a nos pronunciar, facto transversal a muitas outras matérias importantes a nível nacional, foram injectados nos bancos verdadeiras fortunas. Fortunas essas que irão sair dos bolsos de cada um de nós. Tinha que ser assim… tem que ser assim dizem eles e o eles é propositadamente escrito com “e” minúsculo.
O povo lá aceitou/acatou, outro remédio não teria, o que lhes era incutido/imposto, até que entramos em 2020 e do outro lado do planeta, propositadamente ou não, não interessa escalpelizar nestas linhas, a natureza… o destino divino… decide que as nossas vidas não são mais nossas… o que demos e damos por garantido deixa de fazer qualquer sentido.
O Covid 19 veio assim mostrar a todos nós que nada é garantido, ou quase nada… e aqui não me refiro ao indubitável facto de que um dia deixaremos de cá estar, mas sim, também, ao facto de que o sistema bancário não existe para ajudar seja quem for, para além dele mesmo.
É transversal a toda a região, a todo o país, a todo o planeta que vivem-se momentos extremamente complicados a nível económico e empresarial. O Covid 19 foi uma verdadeira bomba de neutrões no tecido das empresas. Umas fecharam sem perspectivas de quando iriam voltar a abrir, outras fecharam com a certeza que depois de tudo isto não iriam conseguir reabrir.
Surge um governo, literalmente com uma mão cheia de nada, uma verdadeira nuvem de ilusões, anunciar terem preparado um enorme pacote de ajuda às empresas. Até aqui tudo bem não fora a quem iriam entregar/delegar essa mesma ajuda… pois claro, ao sistema bancário.
Importa aqui ressalvar, nada que não seja já sobejamente conhecido que há empresas, a maioria, vive com base do que facturam no dia-a-dia e que precisam desesperadamente para ontem de dinheiro para poder pagar salários por exemplo.
Pacote de medidas é então anunciado com pompa e circunstância… linhas de crédito de milhares de milhões para isto ou para aquilo.
De que forma?
Através do sistema bancário que recorrerá a estes fundos a juros negativos de -0.75%, ou seja, pelo simples facto de recorrerem a estes fundos já estarão a ganhar.
Ora, essas mesmas instituições, que nem salvadores do país, decidem que irão fazer o favor de emprestar esses fundos com base nos seguintes pressupostos, entre outros:
– As empresas que a eles recorrerem serão “brindadas” com a obrigatoriedade de pagar 2 ou 2.5 e porque não mesmo 3% de juros, ou seja, as “benfeitoras” instituições preparam-se ainda para desta assentada ganhar em duas frentes;
– Terão ainda de ter capitais próprios, ou liquidez ou como lhe quiserem chamar, ou seja, dinheiro… de pequenas e médias empresas conhecem muitas que o terão?
– Terão ainda as empresas que ter as contas de 2019 fechadas…;
– Empresários em nome individual, segundo consta, não terão direito ao acesso a estas linhas de crédito;
– Ter a sua situação devidamente regularizada junto da Segurança Social e/ou Autoridade Tributária;
Tudo o que aqui explano tem por base explicações dadas na SIC Noticias por José Gomes Ferreira.
Termino deixando a questão para que nela reflictam atentamente… será que os bancos se esqueceram de quem os ajudou quando precisaram? Sim, exactamente… o povo, ou seja, aquele povo a quem agora se recusam a dar a mão de forma generosa, justa, urgente e necessária.
Estas ajudas não poderiam nunca ser deixadas ao critério do sistema bancário… teriam forçosamente que ser criadas instituições próprias que o fizesse sem se regularem pelas obscuras regras deste sector.
Perante tudo isto, perante tudo o que estamos a viver, perante tudo aquilo que julgamos nunca um dia vir a presenciar, só poderei concluir que triste é termos de estar dependentes desta insustentável leveza da insensibilidade bancária!
É caso para dizer…. #Chega!

César Ferreira

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