O Parlamento é o Hospital da Democracia

O Parlamento é o Hospital da Democracia

23 de Março, 2020 1 Por Azores Today

Por Edgardo Costa Madeira

Um Hospital nunca fecha. O Parlamento, num regime constitucional, é a assembleia composta por membros eleitos para a representação política dos seus Cidadãos. Deverá exercer as funções legislativa, de representação da população e de fiscalização do poder executivo.
Para os dias de Hoje, a figura da floração suma no nosso sistema democrático, vulgo, da Senhora Presidência da Assembleia dos Açores, expeliu ordem de evacuação do Parlamento e de todas as suas obrações… Indefinitivamente. Mais, pois, do que se de uma escola básica ou jardim-de-infância… Maior menorização não se concebe. Infâmia, portanto.
Países com uma disseminação consumada do Vírus da natureza que presentemente nos aflige mantêm seus parlamentos abertos, se bem que estes sejam parlamentos mesmo a sério….
Ainda assim, no pueril e insipiente projecto de democracia autónoma dos Açores, o Parlamento, ininterruptamente, é aquela instituição que urge firmar, manter, cuidar de que funcione o mais plenamente possível… Ainda que solenemente conspurcado, sujeito a colegiais expedientes, sujeito a intrigas e conluios de galeria de mictórios, sujeito a pressões de claques ufanadas, tiques, atropelos e favores… Perante tal cenário de duradoira crise de transferência democrática, o Parlamento – por decreto central nascido e, no seu real poder legislativo, subalternado – não pode, jamais, encerrar… Quem assume o voto sagrado de actuação parlamentar não compactua com um qualquer suspeito toque de retirada indefinitita. A um deputado, como a qualquer outro soldado, confia- se que esteja presente, na frente da batalha…
Nem que, para tal, um hospital de campanha seja montado na própria sede da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, indefinitivamente… Nem que, para tal, se encerre a ilha que o acolhe e, lá, os deputados que a constituem, indefinitivamente … Nem que, para tal, passem a se socorrer do meio das videoconferências, indefinitivamente …
Instamos aos nossos autênticos e leais representantes que não se rendam a este desvelo abjecto que, sob a coberta do bem geral, mais não serve que a conveniências particulares. A nossa Região depende, mais do que nunca, que se ergam à altura do desafio assumido… Pelos Açores, pelos Açorianos, por Portugal, pela Humanidade.
O Parlamento não pode fechar. Vergonha.

Edgardo Costa Madeira,
Vila Franca do Campo, 14 de Março de 2020