Diocese de Angra celebra primeiro domingo sem missas comunitárias Mar 22, 2020 | Manchete Bispo e sacerdotes celebram a eucaristia sem assembleia através das redes ..

Diocese de Angra celebra primeiro domingo sem missas comunitárias

Diocese de Angra celebra primeiro domingo sem missas comunitárias

Mar 22, 2020 | Manchete

Bispo e sacerdotes celebram a eucaristia sem assembleia através das redes sociais

O quarto domingo da Quaresma na diocese de Angra, tal como em todas as igrejas portuguesas, foi o mais diferente de todos os domingos: pela primeira vez na história recente do arquipélago a Eucaristia dominical é celebrada em todas as paróquias sem assembleia forçando inúmeros sacerdotes a utilizar as redes sociais para se fazerem próximos das suas comunidades. E o coranavírus, responsável pela Pandemia do COVID-19, foi a referência comum a todos. Numa brevíssima ronda por alguns dos facebook dos sacerdotes que se têm revelado mais ativos na partilha de reflexões, o Igreja Açores traz aqui algumas das partilhas.

Esta manhã o bispo D. João Lavrador presidiu à Eucaristia na Sé de Angra, difundida pela VITEC Azores, um canal de televisão por cabo, e desafiou os diocesanos a aproveitarem este tempo da Quaresma, vivido “de forma tão anómala e com tantas privações, até da Eucaristia” para se renovarem.

“É o tempo da família, da interioridade em que nos devemos pensar a nós e ao mundo; é o tempo de renovarmos as relações entre nós, para que quando nos for devolvida a possibilidade da convivência humana, sensível e social, já estejamos renovados por uma experiência interior nova. Por isso, acho que algo de novo e de útil poderemos tirar desta experiência dramática” disse o prelado na homilia da missa concelebrada pelos sacerdotes da Catedral insular.

A partir do Evangelho, que relata o encontro de Jesus com um cego de nascença, o prelado diocesano desafiou os cristãos a pedirem o “dom da fé” para que em todo os momentos sejam capazes de discernir e dar a Deus o verdadeiro lugar de Luz do mundo.

“A palavra convoca-nos a optar pela luz e não pelas trevas. Mas também nos convoca à capacidade de discernirmos, para nos colocarmos perante a sociedade e o mundo e sermos capazes de ler os sinais dos tempos” disse D. João Lavrador.

“Vivemos uma pandemia, algo de maléfico, muitas pessoas infectadas, muita perplexidade mas para um cristão devem ser momentos em que nos apresentemos como a luz de Deus no mundo, isto é, sabermos o que somos como pessoas, como somos uns para os outros e como somos como comunidades”.

“Temos de enfrentar este momento dramático com muita esperança, aquela que nos é dada pelo Deus amor que é a luz do mundo” por oposição às trevas com que nos confrontamos.

“Há para aí tanta proposta de novidade que não é mais do que ir ao passado, buscar coisas das trevas, e que não são mais do que realidades que escravizam o ser humano” afirmou D. João Lavrador salientando a necessidade de “estarmos alerta”.

“Não demos espaço a fariseus e a zelosos da lei, que se fecham nos seus preconceitos e não se abrem nem abrirão à esperança e, por isso, nunca irão permitir que Jesus entre nas suas vidas; que a verdade, a justiça e a luz entrem nas suas vidas”.

Além da Sé inúmeras outras paróquias, um pouco por todas as ilhas, apresentaram hoje a palavra de Deus através da internet seja transmitindo pelo facebook as Eucaristias, que os seus párocos celebraram de forma privada, seja através da partilha de meditações ou reflexões sobre o Evangelho deste domingo.

Os sacerdotes da ilha das Flores disponibilizaram a palavra de domingo nas redes sociais. Já na Horta, o ouvidor e pároco da Matriz e dos Flamengos, celebrou uma Eucaristia em privado e transmitiu-a através do facebook.

Referindo-se ao Evangelho, o padre Marco Luciano Carvalho afirmou que Jesus “realiza neste cego uma caricia de liberdade”.

“Ao curar este cego das suas trevas interiores, Jesus está a fazer com que ele volte a ver coisas importantes na sua vida” afirmou o sacerdote faialense.

“Ao dar esta caricia, dá-lhe também uma caricia de alegria pois só aquele que aceita a luz e vive nela pode ver coisas novas, diferentes e bonitas” afirmou ao sublinhar que “no meio da escuridão pouco vemos”.

“Somos chamados a acolher Jesus como a Luz que ilumina a nossa vida e os passos da nossa caminhada; através do gesto da cura da cegueira Jesus ensina-nos, por outro lado, como devemos ser com os outros e olharmos para eles com compaixão”.

No Pico, o ouvidor e pároco da Madalena, padre Marco Martinho, celebrou a missa dominical no horário normal tendo a mesma sido transmitida pela Rádio Pico. Na homilia, o sacerdote lembrou o momento difícil que a nossa sociedade enfrenta e sublinhou que a atitude dos cristãos, perante estas dificuldades, deve ser uma renovada profissão de fé no amor de Deus, como fez o cego do evangelho.

“A profissão de fé deste homem nesta catequese sobre a luz do mundo, que é Cristo, reveste-se de inteira atualidade e esperança” disse ao sublinhar que “neste momento tão perturbado na história da humanidade esta é a nossa profissão de fé: eu creio Senhor que és o nosso salvador e não vais abandonar-nos. Esta é a prece de toda a humanidade, e para nós que somos homens e mulheres de fé, o Senhor nunca nos faltará”.

A partir de uma das capelas do Seminário o padre José Júlio Rocha também celebrou para as suas comunidades, de Fonte Bastardo e Porto Martins, seguindo o horário dominical habitual. Através do facebook abraçou com o “coração e o espírito” todos os paroquianos e fez uma analogia entre o cego e o homem de hoje que vive em “estranhas e dramáticas circunstâncias”.

“Esta aparente ausência de Deus que sentimos hoje não significa que Deus nos tenha abandonado; ele não nos abandonou, ele sofre connosco e nós somos as mãos e os seus pés”.

A homilia que refletiu, de forma resumida, o texto hoje publicado no Igreja Açores, rejeitou algumas das teses que circulam nas redes sociais de que esta pandemia é um castigo de Deus.

“Deus não nos castigou nem nos avisa com estes problemas; Deus sofre connosco. Nunca Deus esteve tão ao nosso lado como agora” disse pedindo a todos os paroquianos para, neste momento, serem capazes de reconhecer e “honrar as pessoas que se estão a sacrificar para que nós possamos continuar a viver”.

“Esta é uma guerra estranha contra um inimigo que ninguém conhece e ninguém vê mas estamos todos do mesmo lado”, concluiu.

Este domingo o Papa desafiou os cristãos para fazerem uma rede mundial de oração, na próxima quarta feira, solenidade da Anunciação do Senhor, e ao meio dia rezarem em conjunto.

Para acompanhar o que se passa nas várias paróquias açorianas fica o link: Igreja nos Açores ON LINE

Fonte: Igreja Açores

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