André Ventura do Chega questiona Governo por que não suspendeu ligações aéreas para os Açores

André Ventura do Chega questiona Governo por que não suspendeu ligações aéreas para os Açores

21 de Março, 2020 1 Por Azores Today

O deputado único do Chega quer saber por que razão não são suspensas as ligações aéreas para a região autónoma dos Açores, adiantando que responsabilizará o Governo pelas mortes que poderiam ser evitadas pelas “mais elementares medidas de prudência”.

Num requerimento dirigido ao primeiro-ministro, e entregue hoje na Assembleia da República, o deputado e líder do Chega quer saber se “é verdade que o Governo Regional dos Açores solicitou autorização para encerrar as linhas aéreas para a Região Autónoma dos Açores”, e por que razão o executivo “não diligenciou nesse sentido”.

Na ótica de André Ventura, esta é “uma medida comprovadamente necessária para salvaguarda daquela região autónoma” e acusa o executivo de “até agora” a resposta ter “sido nula”.

Numa carta dirigida a António Costa, o deputado reitera o apelo “ao imediato encerramento temporário do espaço aéreo português” a “todos os voos de passageiros oriundos de países onde se registe uma notória incidência do Covid-19”.​​​​​​

“É urgente o encerramento do nosso espaço aéreo a esses voos. O mais elementar bom senso a tal aconselha, e a salvaguarda de inúmeras vidas assim o exige”, defende Ventura.

“A ninguém acudirá, passada esta grave crise, responsabilizar a vossa excelência e ao Governo a que preside pelas mortes inevitáveis desta pandemia. Mas seguramente que pelas mortes que a tomada das mais elementares medidas de prudência poderia ter evitado, por essas seguramente, senhor primeiro-ministro, vossa excelência e o seu Governo inevitavelmente virão a ser chamados a responder politicamente”, antecipou Ventura.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro disse que a TAP vai continuar a assegurar as ligações aéreas no arquipélago dos Açores, em particular na Terceira, para que a ilha “não fique privada da continuidade territorial com o conjunto do país”.

A SATA parou no mesmo dia de fazer ligações inter-ilhas nos Açores e também vai deixar de fazer voos de fora da região para dentro, mas a TAP e a Ryanair continuam a operar para São Miguel e para a Terceira.

As medidas referentes à SATA foram hoje definidas pelo Governo dos Açores, que agiu enquanto acionista único da empresa, e visam combater a epidemia de Covid-19, que no arquipélago regista três casos positivos (um na Terceira, um em São Jorge e um no Faial).

No que refere à SATA Air Açores, ramo da empresa que opera dentro da região, determinou-se, até 31 de março, o encerramento da operação desde as 18:00 locais de hoje (19:00 em Lisboa), ficando excecionados voos de transporte de carga ou outros de “força maior”, devidamente autorizados pela Autoridade de Saúde Regional.

O Governo dos Açores, presidido por Vasco Cordeiro (PS), deu ainda indicações ao conselho de administração da Azores Airlines – ramo da SATA que opera de e para fora dos Açores – para “suspender todas as ligações aéreas do exterior à região”, com as mesmas exceções dos voos inter-ilhas.

Contudo, fica ainda em aberto a possibilidade de a empresa voar dos Açores para fora.

Casos diferentes sucedem com a TAP e a Ryanair, ambas a operar em São Miguel e na ilha Terceira.

A partir de segunda-feira e até 19 de abril, a empresa portuguesa vai reduzir a sua operação, mas continuará a ter rotações para os Açores.

Já a companhia aérea de baixo custo Ryanair anunciou que a partir da próxima quarta-feira (25 de março) irá suspender todas as viagens na sequência das restrições impostas pelos governos para combater a pandemia de coronavírus, deixando então de fazer as rotas que ligam Lisboa e Porto aos Açores.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 265 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 11.100 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se já por 182 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 1.020, mais 235 do que na quinta-feira. O número de mortos no país subiu para seis.

 

 

Fonte: Açoriano Oriental