Bispo de Angra desafia diocesanos a “rasgar o coração” na Quaresma que se traduza numa verdadeira “mudança de vida”

Bispo de Angra desafia diocesanos a “rasgar o coração” na Quaresma que se traduza numa verdadeira “mudança de vida”

Fev 26, 2020 | Manchete

D. João Lavrador presidiu à missa de imposição de cinzas na Sé, depois de ter participado na recoleção quaresmal do clero das ilhas que integram a Vigararia do Centro (Terceira, São Jorge e Graciosa)

A “verdade” da Quaresma implica uma verdadeira “mudança de vida”, mas para isso tem que haver disponibilidade para “rasgar o coração” retirando tudo o que é negativo e abrir o coração a Deus, afirmou esta tarde o bispo de Angra na missa de imposição de cinzas a que presidiu na Catedral.

“A caminhada quaresmal reveste-se de sentido quando cada baptizado aceita a interpelação à mudança de vida, à conversão e à escuta do chamamento divino em ordem à vivência da Páscoa de Jesus de Nazaré “ afirmou D. João Lavrador propondo um itinerário “exigente” de escuta da palavra de Deus “com redobrado interesse”.

“Temos necessidade de rasgar o nosso coração para fazer sair dele tudo o que é azedume, inveja, injustiça, maledicência, guerra, egoísmo, autosuficiência, numa palavra, tudo o que é mal e pecado, para deixar que Jesus Cristo o encha de amor, misericórdia, ternura, paz, caridade e compaixão. Abrir o coração a Deus e aos irmãos sobretudo aos mais pobres e aos que mais sofrem” afirmou o prelado insular ao esclarecer que um coração disponível para Deus tem que estar “sensivelmente presente na história da humanidade sofredora”.

O bispo de Angra, que hoje participou numa recolecção do clero da vigararia do Centro, que integra sacerdotes das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, orientada pelo padre José Júlio Rocha, no Seminário Episcopal de Angra, deixou ainda várias interpelações aos diocesanos sobre a necessidade de cada um fazer um exame de consciência, neste tempo favorável que é a Quaresma, e avaliar a sua condição de cristão.

“Somos interpelados por Jesus Cristo a analisarmos o modo como e com que intenção realizamos os atos da nossa vida cristã, sobretudo o jejum, a esmola e a oração. Mais ainda, somos verdadeiramente caridosos para com os nossos irmãos exercendo o amor fraterno através da partilha e do amor aos mais carenciados, num despojamento de nós a exemplo de Jesus Cristo?” questionou.

“Com a celebração da Eucaristia e a imposição das Cinzas iniciamos o tempo santo da quaresma que é definido pela Escritura como o tempo favorável e o tempo da salvação. A riqueza da Palavra de Deus que deve merecer um redobrado interesse neste tempo quaresmal, a própria celebração da entrega de Jesus Cristo na Eucaristia, o convite a edificar uma comunidade cristã de discípulos missionários que aceita a purificação e a reconciliação que estão presentes no gesto da imposição das cinzas, fazem parte da vivência da celebração de hoje com a qual damos inicio ao itinerário de conversão e de renovação que nos prepara para a celebração da Páscoa do Senhor Jesus Cristo” afirmou D. João Lavrador.

“O itinerário quaresmal deve favorecer esta edificação de uma comunidade, formada por cristãos conscientes e ativos, que escutam o chamamento de Jesus Cristo e O tornam presente ao mundo através do seu testemunho” afirmou, ainda, lembrando que a “escuta da Palavra”, “as obras de penitência e mortificação”, o “jejum mais intenso e a oração mais persistente”, a “reconciliação”, a “atenção e a partilha com o outro” são alguns dos desafios deste tempo.

A renuncia quaresmal deste ano, a nível diocesano, reverte para ajudar os nossos irmãos da paróquia do Capelo (Faial) na recuperação da sua Igreja vitima pelo sinistro incêndio, nos primeiros dias do ano. A propósito da partilha e da necessária solidariedade de todos, incluindo os poderes públicos no apoio aos mais necessitados, o bispo de Angra citou a mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma, onde o Sumo Pontifice afirma que “hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação dum mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano”.

A imposição de cinzas é a primeira grande celebração da Quaresma.

Fonte: Igreja Açores

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