Avião privado com passageiros chineses aterra nos Açores após ser rejeitado por vários países

Avião privado com passageiros chineses aterra nos Açores após ser rejeitado por vários países

2 de Fevereiro, 2020 0 Por Azores Today

Voo seguia para as Bahamas, mas foi impedido de aterrar e só reabasteceu na República Dominicana. Após paragem no Haiti, onde não puderam sair do aparelho, 11 passageiros e três tripulantes seguiram para Ponta Delgada. Grupo tinha deixado Hong Kong há 15 dias e passou pelo Japão, Islândia e França.

Um avião privado com 11 passageiros e três tripulantes a bordo, alguns de nacionalidade chinesa (embora nenhum de Wuhan), aterrou este sábado em Ponta Delgada, nos Açores, depois de ter visto recusada a aterragem nas Bahamas, o seu destino original, e só ter sido autorizado a reabastecer na República Dominicana, devido às medidas restritivas impostas por vários países na sequência do atual surto de coronavírus que teve origem em Wuhan, na China. As autoridades regionais dos Açores, no entanto, descartaram qualquer risco para a saúde pública.

Os passageiros, que pretendiam assistir à aurora boreal na Islândia, integrados num pacote turístico, já teriam sido impedidos de desembarcar na Islândia, para onde teriam partido num voo desde o Dubai. Apontando como novo destino as Bahamas, o avião viu a autorização de aterragem negada pelas autoridades locais, que fecharam as fronteiras a passageiros que tenham estado na China nos últimos 20 dias.

Das Bahamas, a aeronave seguiu para o Haiti, onde aterrou na capital, Port-au-Prince, mas nenhuma das pessoas a bordo foi autorizada a sair. “Eles não podem desembarcar por todas as razões que sabem, a possibilidade de transmissão do coronavírus”, segundo disse ao jornal The Miami Herald o diretor de operações no aeroporto de Toussaint Louverture, Ernst Renaud.

egundo um porta-voz do governo haitiano, França e Portugal aceitaram receber o aparelho e os passageiros. A escolha dos pilotos recaiu sobre Ponta Delgada, nos Açores, onde o avião aterrou este sábado.

De acordo com a coordenadora regional, Ana Rita Eusébio, e o delegado de Saúde Pública de Ponta Delgada, Eduardo Cunha Vaz, não existe qualquer risco específico para a saúde pública relacionado com este voo. Nenhuma das pessoas a bordo é proveniente de Wuhan, nem teve qualquer contacto com pessoas suspeitas de infeção e nenhum apresenta qualquer sinal ou sintoma da doença.

Ainda assim, segundo uma nota da entidade regional de saúde à comunicação social, citada pelo jornal açoriano, a situação foi avaliada pela autoridade de saúde concelhia e regional e todos os passageiros foram observados de forma preventiva. Sendo o período de quarentena recomendado de 14 dias, não houve contudo necessidade de qualquer precaução especial.

O grupo, segundo a nota enviada à comunicação social pelas autoridades de saúde dos Açores e citada pelo Açoriano Oriental , tinha saído de Hong Kong há mais de 15 dias, tendo passado também pelo Japão, Islândia, França e Haiti.

Os passageiros ficaram em Ponta Delgada, alojados num hotel local, com o plano de voo do avião a prever partida para França na segunda-feira.

Confrontada, esta noite, com esta informação, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, confirmou a chegada desse voo e garantiu que foi feito o rastreamento dos cidadãos chineses, que não apresentaram sintomas. Além disso, “não vêm da zona que é epicentro da doença“, pelo que, defendeu, não se justificava qualquer medida de restrição de entrada dos passageiros em causa.

Relembre-se que a Organização Mundial de Saúde, que já declarou emergência de saúde pública global por causa do surto coronavírus, opõe-se a “todas as restrições de viagens”. Segundo o diretor-geral da organização, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, as restrições à circulação de pessoas e bens durante uma emergência de saúde pública internacional podem ser ineficazes, perturbar a distribuição de ajuda e ter “efeitos negativos” na economia dos países atingidos.

A China elevou este domingo para 304 mortos e mais de 14 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei.

Os EUA restringiram a entrada no seu território de estrangeiros que tenham visitado a China, abrindo excessões a familiares diretos de cidadãos norte-americanos ou residentes permanentes. Também a Austrália nega a entrada a estrangeiros que tenham vindo da China. As Bahamas também proibiram qualquer pessoa que não viva na ilha, independentemente da nacionalidade, que tenha visitado a China nos últimos 20 dias de entrar. Os residentes são sujeitos a quarentena.

 

Fonte: Jornal de Notícias