“A minha vocação nasceu mais no mar do que em terra” – Irmã Amélia Costa

“A minha vocação nasceu mais no mar do que em terra” – Irmã Amélia Costa

1 de Fevereiro, 2020 0 Por Azores Today

“A minha vocação nasceu mais no mar do que em terra” – Irmã Amélia Costa

Fev 1, 2020 | Manchete

Faz mergulho, tinha 12 anos quando “fugiu” dos vulcão dos Capelinhos, queria viver numa roulotte, começou a acompanhar jovens com o padre Max, em Vila Real, toca, canta e assina uma das músicas mais populares entre os jovens

A irmã Maria Amélia Costa é natural dos Açores, gosta de mergulhar, deixou a “rebeldia” há 50 anos quando experimentou o “contágio” de uma comunidade franciscana e aposta na música para acompanhar grupos de jovens.

“Jesus chamou-me mais junto à praia do que junto ao templo”, afirma a religiosa da Congregação das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC) que este ano assinalou as bodas de ouro de Vida Religiosa.

Por ocasião do Dia do Consagrado, que se assinala no dia 2 de fevereiro, a irmã Amélia Costa falou sobre o seu percurso de vida à Agência ECCLESIA, disse que a sua vocação “tem muito de mar”, recordou a praia e os pescadores da ilha onde morava, o Faial, e a inspiração que encontrava “nas rochas, nas fajãs, junto ao mar”.

“Sempre que é possível, retiro-me oito a 10 dias para um local que tenha mar – porque se não tiver mar, nenhum local serve para repousar e regenerar – e aproveito a manhã, a tarde e o fim de tarde para desfrutar o máximo que é possível do mar”, afirmou.

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Com três irmãos, Amélia Costa era a “mais rebelde” e o pai quis que estudasse num colégio, onde o testemunho de cinco religiosas professoras “começou a alterar completamente” o seu interior, que “estava muito confuso, muito fechado”.

Prestes a abandonar a prática cristã, participou num retiro durante três dias e recorda que foi na madrugada de domingo que a sua vida mudou após ter falado com um sacerdote que estava a confessar as colegas da turma.

“Pelas duas e meia da manhã eu vou igreja a cima, fui ter com o sacerdote e pedi-lhe para me dizer o que tinha dito a elas, porque vi que vinham com rostos diferentes, vinham bem, ficavam bem”, recorda.

“A partir daí a minha vida mudou, até em casa”, afirmou.

O contacto com a CONFHIC e a leitura de biografia de Francisco de Assis fez com que optasse pela Vida Consagrada, há 53 anos. A congregação é a única que tem província nos Açores e por isso é também a congregação que mais tem chamado jovens à vida consagrada a par das Servas de Nossa Senhora de Fátima que sairam da diocese em 2014.

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Aos 21 anos, após ingressar na congregação fundada em Lisboa pela beata Maria Clara do Menino Jesus e pelo padre Raimundo dos Anjos Beirão, começou a trabalhar com grupos de jovens na Diocese de Vila Real e conheceu o padre Max, assassinado quando tinha 33 anos.

“O padre Max ensinou-me a alegria de viver, de caminhar com jovens, de ajudar a construir uma Igreja mais jovem, mais próxima dos jovens”, afirmou.

A irmã Amélia Costa recordou os seis anos em que reunia semanalmente com o grupo de jovens com quem o padre Max trabalhava, afirmando que “aprendeu muito”, sobretudo com a “visão muito aberta” de um sacerdote que “lia muito” e prendia com “o seu saber, com a sua experiência e com a sua visão”.

Para a religiosa, esta experiência em Vila Real foi determinante para o curso que frequentou na Universidade do Porto, a meados da década de 70 do século XX, onde conviveu com colegas que pertenciam a diferentes partidos.

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A irmã Amélia Costa considera que é necessário “saber lidar” com quem pertence a “outros movimentos e a outros coloridos”, acrescentando que soube apreciar “o bem que eles faziam, o bom que eram, os valores familiares que tinham”.

Nas memórias do seu percurso de vida, a religiosa franciscana recorda a experiência do vulcão dos Capelinhos, quando tinha 12 anos, o medo que provocou e a esperança que gerou; evoca a comunidade franciscana hospitaleira que a fez mudar de vida e querer morar numa roulotte; e diz que foi a congregação religiosa a que pertence que fez dela a “mulher que é”.

A trabalhar numa comunidade situada na Diocese do Porto, a religiosa não deixa a música e colabora na formação de 12 irmãs, provenientes de vários países do mundo e que se preparam para a opção pela Vida Consagrada na CONFHIC.

A irmã Amélia Costa já editou 14 álbuns, com 70% da sua música têm por inspiração o mar, a criação, os “sinais dos tempos” e a “vivência espiritual”.

Há 15 anos nasceu o grupo de evangelização musical ‘Mendigo de Deus’ que, com a irmã Amélia Costa, realiza os ‘Concertos Orantes’ onde as pessoas “rezam cantando”.

Entre os temas escritos e compostos pela irmã Maria Amélia Costa conta-se uma música entoada em diferentes contextos por muitos jovens, que a religiosa sugere a cada passo que se cante, mas “prestando atenção ao que estão a cantar”: ‘Voa a grande altitude’.

A entrevista à Irmã Amélia Costa, por ocasião dos 50 anos de Vida Religiosa, vai ser emitida este domingo, na Antena 1, às 06h00, e fica disponível depois em www.ecclesia.pt/radio.

(Com Ecclesia)

Fonte: Igreja Açores