Há 452 anos, o alvará do Cartel-Rei D. Henrique mandou edificar a Sé Catedral de Angra.

Sendo a cidade de Angra, na ilha Terceira, de Jesus, a sede do governo eclesiástico dos Açores, necessário se tornava que a sua Sé correspondesse à representação oferecida. E assim se tornou o primeiro templo açoriano. D. Maria I, a pedido do bispo D. Frei João Marcelino, ofereceu o grande órgão que estava no coreto do lado da epístola. Em frente a este havia outro órgão construído pelo padre Serrão, compositor de música sacra que viveu muitos anos na ilha de São Miguel, onde faleceu a 20 de fevereiro de 1877.

Nesta igreja, notável pela sua arquitetura e pelo seu património artístico e religioso, foi batizado o mártir João Batista Machado, em 1582; nela pregou o padre António Vieira, na sua viagem de regresso do Maranhão; foi primeiro vigário da primitiva igreja de São Salvador, edificada em 1474 no lugar desta Sé o padre Luís Anes, capelão da Infanta D. Beatriz.

Em 18 de novembro de 1570 se lançou a primeira pedra para a reedificação; em 16 de outubro de 1808 o bispo D. José Pegado a sagrou. O Padre António Cordeiro lhe chama «real Sé de Angra». Nela estão sepultados alguns dos seus bispos e muitos dos fidalgos e cavaleiros da antiguidade.
Entre os muitos e ricos paramentos que são propriedade deste templo, há dois pontificais ricos, antiquíssimos, bordados e relevo em ouro e matiz.

É o maior templo dos Açores em cujos púlpitos se tem feito ouvir a palavra dos maiores oradores sagrados de Portugal.

In Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 34, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935.

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