O II Encontro Literário Arquipélago dos Escritores vai decorrer entre 14 e 17 de novembro, numa iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que conta com a produção da “StorySpell” e o apoio do Governo Regional e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), entre muitos outros parceiros públicos e privados. São cerca de 40 os convidados deste encontro.
Esta tarde, durante a conferência de Imprensa de apresentação do programa do Arquipélago de Escritores, realizada nos Paços do Concelho, José Manuel Bolieiro fez questão de referir que “a primeira edição da iniciativa superou todas as expetativas e contou com o envolvimento de toda a comunidade cultural e com o entusiasmo dos escritores. Foi, ainda, possível a interação, o diálogo, a reflexão”.
O Presidente da Câmara adiantou que a autarquia teve o “grato gosto de, nesta parceria de criatividade e empenho com o Dr. Nuno Costa Santos (presente na conferência), saber fazer de Ponta Delgada o berço do Arquipélago dos Escritores”.
“Potenciamos este impulso, mas sempre com a expetativa de que a parceria seria apenas para dar uma arrancada na adesão de outras instituições e parceiros públicos e privados” – acentuou.
Por seu lado, o escritor Nuno Costa Santos, Diretor do Encontro, agradeceu à Câmara de Ponta Delgada, na pessoa do seu Presidente, o facto de “ter acolhido muito bem esta ideia que propus do Arquipélago dos Escritores, que pretende estender-se pelo território açoriano todo, começando já este ano com algumas iniciativas neste sentido”.
“Os Açores vão ser novamente um ponto de encontro da literatura por um motivo que continuamos a reforçar: por serem um território de grande tradição literária” – referiu, adiantando que, depois de uma primeira edição que contou com grande adesão do público, “esperamos que se aprofunde o espírito do encontro: o de promover o livro e a leitura, o de fazer dialogar artes, o de promover o diálogo à volta de temas pertinentes”.
O homenageado desta segunda edição do Arquipélago dos Escritores será J. H. Santos Barros, grande poeta açoriano, criador de múltiplos suplementos literários e cuja obra poética foi recentemente editada pela Imprensa Nacional.

O programa do II Arquipélago dos Escritores

Quanto ao programa propriamente dito, começa no dia 14, às 17h00, terá lugar a sessão de abertura no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ponta Delgada com a presença do Senhor Presidente da Câmara, de Nuno Costa Santos e de Vamberto Freitas, personalidade cuja vida e obra serão celebradas no encontro. Às 18h30, terá lugar, no Instituto Cultural de Ponta Delgada, a Conversa A poesia serve para quê?, com Daniel Gonçalves, Carlos Bessa e Leonardo Sousa, e o lançamento do livro Fui ao Mar Buscar Laranjas – Poesia Reunida, de Pedro da Silveira, com Nuno Costa Santos e Carlos Bessa. Às 21h30, Teresa Canto Noronha conversa com a escritora Dulce Maria Cardoso, autora de Retorno, sobre a sua carreira e o seu mais recente livro Eliete, o que acontecerá no Teatro Micaelense.
Já a 15 de novembro, às 12h00, no Auditório Escola Domingos Rebelo, realiza-se a Conversa O Humor é uma coisa séria com Luís Filipe Borges, Filipe Homem Fonseca, Balada Brassado (Francisco Câmara Bradford). Às 14h30, na Escola Secundária Antero de Quental, a Conversa A Literatura é uma ilha será com Madalena San-Bento, Eduino de Jesus, Ângela Almeida, Noberto Ávila e, às 17h00, terá lugar o lançamento do livro Raul Brandão e os Açores de Vasco Rosa, editora Companhia das Ilhas, apresentado por Urbano Bettencourt e Pedro Pascoal de Melo, na Livraria Solmar. Pelas 19h00, no Teatro Micaelense, Isabel Lucas, jornalista, autora de O Sonho Americano, entrevista Teju Cole, escritor americano, filho de pais nigerianos, autor de livros como Cidade Aberta e Todos os Dias São Bons para Roubar. Às 21h30, também no Teatro Micaelense, realiza-se o concerto A VOICE FOR FREEDOM, em que Sara Miguel canta Nina Simone.
Passando ao programa de 16 de novembro, às 11h00, no Solmar, haverá um encontro com os autores Isabel Lucas, Filipe Homem Fonseca, Luís Filipe Borges e Hugo Gonçalves; às 12h00, no Teatro Micaelense, a discussão centrar-se-á no tema Tempo da literatura versus tempo redes sociais João de Melo, João Pedro Porto, Joel Neto e Leonor Sampaio da Silva. Ete tema tem a ver com “a velocidade voraz da informação, do like e da story”, que “não está em sintonia com o tempo – mais lento e longo – que faz falta para escrever, editar e publicar. De que forma a brevidade e rapidez do conteúdo online afeta e influencia os autores contemporâneos? Pode um autor existir hoje sem ter presença regular nas redes?”
No Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas (Ribeira Grande), às 15h30, terá lugar a exibição de um documentário sobre J.H. Santos Barros, Fazer Versos Dói, seguida de mesa de conversa sobre o autor e a sua importância, numa altura em que é editada pela Imprensa Nacional toda a sua obra poética. Com Urbano Bettencourt e convidados.
Já às 17h30, ainda no Arquipélago, os participantes vão debater O grande século XX, com Alexandre Quintanilha, Ana Cristina Silva, Domingos Amaral e Pedro Vieira. Este é o século das múltiplas escolas literárias e da variedade infinita dos géneros – de Beckett a Vargas Llosa, de Pessoa a Herberto Helder. Mas é também o século das grande guerras, invenções e emancipações. Já nos habituamos a dizer o “século passado”, embora ainda o sintamos tão próximo. É o século XX a fonte inesgotável e encantatória do escritor do século XXI?.
Já às 19h30, mas no Teatro Micaelense, Rui Goulart entrevista Richard Zimler, o escritor americano radicado em Portugal, autor de O último cabalista de Lisboa e de Os Anagramas de Varsóvia, enquanto às 21h30, no Instituto Cultural de Ponta Delgada, Hugo Gonçalves entrevista Isabel Lucas sobre o Viagem ao Sonho Americano e o seu percurso como jornalista e autora.
Para o último dia do Arquipélago dos Escritores, 17 de novembro, às 11h00, está programada a atividade infantil O Ciclo do Leite com as autoras Maria Magalhães e Cristina Quental, na Praça Central do Solmar. Às 12h00, no Solmar, o tem em debate é A importância dos clássicos na voragem da novidade editorial, com Luís Bastos, Maria Helena Frias, Rita Fazenda e Vasco Rosa. Com mais de doze mil títulos publicados por ano, em Portugal, os livros passam pelas estantes das livrarias como se por um motel de beira de estrada: breve e rapidamente. Têm os livreiros e os leitores fôlego e resiliência para enfrentar Moby Dick ou Os Maias? Estarão os clássicos a perder para as novidades editoriais das modas quase sempre passageiras?
Às 14h30, na Biblioteca Pública Ponta Delgada, terá lugar a apresentação dos livros: Pedra de Toque, de Lélia Nunes e Tirem-me deste livro, de Diogo Ourique. Pelas 16h30, também Biblioteca Pública de Ponta Delgada, estará em debate o tema Europa: as muitas vidas do velho continente, com Carlos Bessa, Maria Conceição Caleiro, Rui Tavares e Victor-Hugo Forjaz. De Flaubert a Saramago, de Cervantes a Martin Amis, a Europa pensa-se e escreve-se com um pé no passado e outro no futuro. Mas, 80 anos após a o começo da II Guerra Mundial, que vida se segue para o Velho Continente do Projeto Europeu na era do populismo?
Às 18h30, ainda na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, será o encerramento do Encontro, com Nuno Costa Santos a entrevistar Vamberto Freitas, um grande crítico literário português e um dos que mais atenção tem dado nas últimas décadas aos escritores açorianos e à literatura do “imaginário” açoriano, para usar uma palavra de um dos seus livros mais conhecidos. Numa altura em que o professor universitário e dinamizador de diversos suplementos literários encerra a série de livros “BorderCrossings”, conversamos com ele sobre a sua vida e obra.
Durante todo o evento estará aberta ao público a exposição, no Teatro Micaelense, E AINDA POR CIMA ESTÁ FRIO – FOTOGRAFIAS DE BERNARDO SASSETTI. Esta exposição de fotografias de Bernardo Sassetti integra um conjunto de iniciativas organizadas pela Casa Bernardo Sassetti e pelo São Luiz Teatro Municipal. A escolha das fotos foi feita por Daniel Blaufuks, ao som dos álbuns “Indigo” e “Nocturno”, e revela o modo obsessivo e apaixonado como na arte de Bernardo Sassetti a música, o cinema e a fotografia se entrelaçam e se confundem, misturando-se e contaminando-se.

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