Por André Silveira

Estão reunidas as condições para José Manuel Bolieiro assumir a liderança do PSD Açores e consequentemente ser candidato a presidente dos Açorianos nas Regionais 2020. O partido pediu união, e do clamor emergiu um dos eternos “D. Sebastiões” como o mais capaz de dirigir o partido num sentido coerente e com o apoio de (mais ou menos) toda a gente. Se será uma boa ou má opção, o futuro dirá, mas realisticamente é alguém com capital e percurso político para ter uma hipótese de vencer o enorme aparelho socialista, que apesar de ter enormes recursos decorrentes de estar no poder há quase um quarto de século, mostra sinais claros de decadência e desgaste.
Os Açorianos querem mudança. O longo percurso de governação socialista, apesar de ter trazido estabilidade e um breve período de progresso, muito alimentado por um manancial de fundos europeus, mostra-se cansado e ferido de morte com os casos de corrupção e clientelismo, que finalmente são conhecidos e investigados. Vasco Cordeiro tem o enorme desafio de em 2020 convencer-nos de que daqui em diante tudo será diferente e que tem soluções para os enormes desafios que se apresentam à Região no curto e médio prazo.
O PSD Açores tem a obrigação de se apresentar como uma alternativa credível com um projeto claro e assumido, que mostre o que quer para os Açores no pós 2020. Sem tabus e sem rodeios, com ideias claras e fundamentadas, e sem medo de correr o risco de dizer a verdade e apontar o que acredita. Sem receios ideológicos, porque esses não dizem nada ao povo. Os Açorianos querem soluções e quem as implemente, e o “quê” é tão importante como o “quem”. Não bastará um líder forte e popular, a sua equipa será tão ou mais importante, e as suas ideias absolutamente fundamentais para a criação de esperança nas almas Açorianas cansadas de mediocridade e estagnação.
Os desafios são grandes. Se por um lado tem um adversário cheio de recursos (sem ideias, porém), por outro vê o seu espaço político cada vez mais ocupado pelos novos projetos políticos como o Chega ou a Iniciativa Liberal. Vê o CDS-PP, em situação muito debilitada também nos Açores fruto de uma liderança autodestrutiva, e o exemplo claro de como a política agarrada aos interesses próprios destrói qualquer projeto político. Sabendo que uma possibilidade em 2020 será a retirada da maioria absoluta ao PS, o PSD Açores terá de ter pontes criadas com potenciais aliados se quiser ser poder nesse cenário.
Chegou a hora de privilegiar a discussão das ideias em detrimento das pessoas. O próximo congresso regional deverá ser, não a consagração de mais um líder e sua corte, mas sim o local de discussão do que quer o partido para os Açores. Deverá ser o local de negociação, não de lugares nos órgãos, mas sim de quais ideias, assuntos e problemas quer o partido na agenda política regional daqui em diante. Deverá ser também momento de renovação, colocando primeiro os capazes e em segundo os carreiristas. E mais importante de tudo, deverá ser momento de esperança, não de se ter um lugar na lista, mas sim de dar aos Açorianos uma vida melhor.

André Silveira

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