Por André Silveira

Confirmou-se o fim da rota entre Nova Iorque e Ponta Delgada operada pela aérea norte americana Delta. Apesar de ser uma rota que terá beneficiado em particular essencialmente São Miguel, o perder a operação de uma companhia com a importância estratégica como a da Delta, e de um mercado como o dos EUA, é muito próximo de uma catástrofe que faz recuar a nossa notoriedade e implantação vários anos. Mais do que o impacto direto da perda dos 2700 lugares semanais, perder a relação com uma das mais importantes companhias aéreas do mundo, em conjugação com perder a possibilidade de os Açores estarem acessíveis diretamente desde um dos mais importantes aeroportos do mundo, deverá preocupar imensamente o tecido empresarial da região, e certamente terá um impacto negativo na consolidação dos Açores como destino.

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Já no passado mês de Setembro soube-se que a companhia aérea americana se teria lamentado do não cumprimento de compromissos assumidos pelo Governo no que diz respeito à promoção do destino. Essa terá sido apenas uma das razões que levou a que abandonassem a operação. Para se entender tal opção basta que se faça o exercício de entender a perspetiva da Delta.

A taxa de ocupação seria no máximo mediana apesar de ter uma tendência positiva. A comprová-lo está a opção de a empresa aumentar o número de voos semanais de 2018 para 2019. No entanto, certamente que os executivos americanos, numa avaliação estritamente empresarial, tiveram de pesar o potencial da operação tendo em conta a sua atratividade considerando diversos fatores, o que levou à decisão de não continuar a alocar recursos à ligação aos Açores, sendo que os aviões e suas tripulações são atualmente os recursos mais escassos na aviação internacional. Mesmo acreditando que a linha seria uma operação rentável, tiveram de ter em conta o custo de oportunidade de não estar a apostar noutros destinos. E porque deveriam apostar nos Açores?

Os Açores são um destino que está muito longe da maturidade com níveis de serviço fracos, são um destino onde o governo tem uma visão romântica do sector, e que falha de modo quase crónico no planeamento, e ainda mais na promoção, com uma grave miopia estratégica. Basta que nos recordemos da balbúrdia que sempre foi a promoção do destino com casos como o dos táxis de Londres, ou o de um milionário portal na internet. Promoção essa que está inevitavelmente ligada à ATA nos últimos anos. Basta imaginar o que terão pensado os executivos da Delta quando os seus interlocutores da ATA foram detidos e acusados de corrupção. Imaginemos o que pensará a Delta do movimento da moda anti turismo nos Açores? Uma absurdidade autodestrutiva, liderada por aqueles que egoistamente não dependem do turismo ao contrário de todos aqueles que engrossam as listas do desemprego e/ou programas ocupacionais.

A responsabilidade deste desaire é essencialmente do governo, mas é também um pouco de todos nós. Os Açores se querem ter o turismo como um dos motores da sua economia, têm de o assumir inequivocamente. Tem o seu governo, mas tem também toda a sua sociedade.

André Silveira

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