Papa diz que católicos devem ir ao encontro de todos, sem «excluir» ou julgar

Papa diz que católicos devem ir ao encontro de todos, sem «excluir» ou julgar

20 de Outubro, 2019 0 Por Azores Today

Papa diz que católicos devem ir ao encontro de todos, sem «excluir» ou julgar

Out 20, 2019 | noticias do vaticano

No Dia Mundial das Missões, Francisco questiona« velhos conflitos de poder, que alimentam guerras e destroem o planeta

O Papa presidiu hoje no Vaticano à Missa pelo Dia Mundial das Missões, desafiando os católicos a ir ao encontro de todos, sem excluir ou julgar.

“Vai com amor ao encontro de todos, porque a tua vida é uma missão preciosa: não é um peso a suportar, mas um dom a oferecer. Coragem! Sem medo, vamos ao encontro de todos”, declarou, na homilia da celebração que decorreu na Basílica de São Pedro.

A intervenção partiu do simbolismo que o “monte” tem na Bíblia, considerado como o “lugar onde Deus gosta de marcar encontro com toda a humanidade”.

“O monte lembra-nos que os irmãos e as irmãs não devem ser selecionados, mas abraçados com o olhar e sobretudo com a vida. O monte liga Deus e os irmãos num único abraço, o da oração. O monte leva-nos para o alto, longe de tantas coisas materiais que passam; convida-nos a redescobrir o essencial, o que permanece: Deus e os irmãos”.

No dia que a Igreja Católica dedica, anualmente, à dimensão missionária das suas comunidades, Francisco sublinhou o valor da oração e lamentou as “maledicências e boatos que poluem”.

A celebração contou com a presença de vários participantes no Sínodo especial para a Amazónia, que decorre no Vaticano até 27 de outubro.

“Deus chama todos os povos: vistos de cima, os outros aparecem-nos no seu todo e descobre-se que a harmonia da beleza só é dada pelo conjunto”, apontou o pontífice.

A homilia apresentou a Missão como uma “vida de serviço”, com tempo para Deus e para os outros.

“Todos, porque ninguém está excluído do seu coração, da sua salvação; todos, para que o nosso coração ultrapasse as alfândegas humanas, os particularismos baseados nos egoísmos que não agradam a Deus. Todos, porque cada qual é um tesouro precioso e o sentido da vida é dar aos outros este tesouro”, precisou Francisco.

O Papa alertou ainda para o perigo de uma “vida horizontal”, marcada pela “força de gravidade do egoísmo”.

“Todos esperam algo dos outros, o cristão vai ter com os outros”, ao encontro de “todos, e não apenas dos seus, do seu grupinho”, observou.

A homilia encerrou-se com uma frase que Francisco tem repetido no seu pontificado: cada católico “é uma missão”, vivendo para “testemunhar, abençoar, consolar, erguer, transmitir a beleza de Jesus”.

A oração universal teve intenções apresentadas em cinco línguas: hindi, espanhol, iorubá, português e chinês.

Mais tarde, na recitação do ângelus, o Papa deixou votos de que o Dia Mundial das Missões ajude todos os batizados a “tomar maior consciência da necessidade de cooperar no anúncio do Reino de Deus”.

A Igreja Católica vive em outubro de 2019 um Mês Missionário Extraordinário, convocado por Francisco no centenário da carta apostólica ‘Maximum illud’, de Bento XV, o qual pediu que a missão fosse “purificada de qualquer incrustação colonialista” e das “políticas expansionistas das nações europeias”.

“Neste nosso tempo, marcado por uma globalização que deveria ser solidária e respeitadora pelas particularidades dos povos – mas que, pelo contrário, sofre ainda com a homologação e os velhos conflitos de poder, que alimentam guerras e destroem o planeta -, os crentes são chamados a levar a todos os lugares a boa nova de que, em Jesus, a misericórdia vence o pecado, a esperança vence o medo, a fraternidade vence a hostilidade”.

Como fez na Missa desta manhã, o Papa destacou a importância da oração, do missionário e pelos missionários, para “anunciar e oferecer a luz e a graça do Evangelho aos que ainda não o receberam”.

Após a oração, desde a janela do apartamento pontifício, Francisco recordou o novo beato da Igreja Católica, Alfredo Cremonesi, sacerdote missionário da Itália, que foi morto na Birmânia, em 1953.

“Que o seu exemplo nos leve a ser trabalhadores de fraternidade e missionários corajosos em todos os ambientes”, pediu o Papa, numa intervenção sublinhada pela multidão com uma salva de palmas.

(Com Ecclesia)

Fonte: Igreja Açores