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Alimente-se o monstro… enquanto não toca a finados

Estamos todos distraídos com o caos financeiro na SATA e nem damos conta de que temos uma outra empresa pública regional que está três vezes pior do que a transportadora regional.
Esta entidade assolapada chama-se Saudaçor.
Ninguém sabe para que serve, nem o que faz, mas, disfarçadamente, vai comendo a maior fatia do orçamento público, que é como quem diz, metendo a mão nos nossos bolsos sorrateiramente.
E não o faz por pouco.
As contas de 2018 são um autêntico suspiro de finado.
A “receita” de 165 milhões de euros foi composta por 131 milhões em dívida e 34 milhões em subsídios de contratos programa.
A despesa montou a 107 milhões, sendo que 18 milhões foram juros e outros 7 milhões foram outros encargos financeiros.
Os fundos próprios foram aumentados em 59 milhões de euros, vindos, sobretudo, de empréstimos (+16 milhões) e títulos (+48 milhões).
De 2017 para 2018, a empresa ganhou 80 milhões de outras contas a receber (nota 9) e um passivo total que aumenta em igual valor (nota 12).
Em resumo, o passivo no final do ano equivalia a 726 milhões, o que compara com os 645 milhões de 2017 (+80 milhões).
Em ano pré-encerramento desta empresa ainda houve uma despesa de cerca de 427 mil euros para as novas instalações (vai-se lá saber para quê, numa empresa em fim de vida).
No final do primeiro semestre deste ano, já ia nos 750 milhões de passivo.
Um tal aviar, com total cobertura do nosso governo, que nestas coisas de empresas públicas é um mãos largas, enquanto que os edifícios escolares dos nossos filhos, como é o caso da Escola Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada, vão caindo de podre devido às térmitas.
Os prejuízos desta empresa davam para reconstruir 7 portos nas Lajes das Flores.
Poderiam construir, imagine-se, 70 Casas da Autonomia, como a tal que nunca mais acaba.
Ou, se preferirem, dava para pagar o buraco da SATA a multiplicar por três vezes.
É só para imaginarem a dimensão do descalabro em que este governo nos enterrou no sector da saúde, sem que se veja qualquer melhoria ou recuperação nas 13 mil cirurgias em lista de espera ou do acesso das ilhas pequenas a especialistas.
Não há Conselho do Governo em que não seja aprovado um aval para ir alimentando o monstro.
Há poucos dias a Saudaçor anunciou a emissão de um empréstimo obrigacionista de 120 milhões de euros, a oito anos, para refinanciar a dívida monstruosa existente e alargar maturidades.
É o que se chama uma máquina de ir ao nosso bolso quase todos os meses, cavando 18 milhões anuais… só em juros!
No final do ano passado esta coisa estranha tinha nos seus quadros 19 colaboradores permanentes e 7 colaboradores em comissão de serviço externo, mais 16 colaboradores com contrato a termo, 2 colaboradores pertencentes ao quadro de ilha em exercício de comissão e ainda mais 1 colaborador nomeado para o Conselho de Administração.
Uma fartura.
Como se não bastasse, entraram, ainda no ano passado, mais 3 colaboradores para o quadro… numa empresa que vai ser extinta!
Tudo isto custa-nos, por ano, mais de 1,5 milhões de euros (gastos com pessoal).
Ou seja, o custo de um radar meteorológico de última geração, daqueles prometidos por António Costa e cuja instalação demora tanto como sermos atendidos para uma cirurgia…
No meio desta ruinosa trapalhada, há ainda vários contenciosos jurídicos, um dos quais referente à impugnação judicial no Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada, desde 2011, resultante de actos de liquidação de IVA, dos anos de 2007 a 2010 , em mais de 5 milhões de euros.
Tal e qual como na Sinaga: uma escola de calotes.
É este o legado que fica para o governo integrar no orçamento da Região Autónoma dos Açores.
Trocado por miúdos, é esta a herança que o governo deixa para as próximas gerações: pagar o calote, sem se saber como tudo isto aconteceu.
Se juntarmos a isto a SATA, a Sinaga, a Fábrica de Santa Catarina e por aí fora, já vamos em mais de mil milhões de passivo para o Zé pagar sem bufar.
Em 2018 foi anunciado que a Saudaçor morreria, por encerramento, sem história de vida digna de ser contada.
Até ao suspiro de finados, que ninguém vislumbra, o monstro ainda respira e não se admirem que venham aí mais avales em próximos conselhos governamentais.
Há que dar soro ao tumor!

Outubro 2019
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores; Diário Insular; Multimédia RTP-A; Portuguese Times; LusoPresse Montreal)

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