O furacão Lorenzo provocou até ao momento 171 ocorrências nos Açores, três das quais graves, e ainda 53  desalojados, segundo dados da Proteção Civil açoriana. Há ainda uma centena de pessoas que foi retirada das suas casas por precaução.

Em termos de ocorrências, 171, sendo que temos 66 no Faial, 23 nas Flores, 28 no Pico, 21 em São Jorge, oito na Graciosa, 20 na Terceira, duas em São Miguel e três no Corvo”, adiantou, em declarações aos jornalistas, a secretária regional da Saúde dos Açores, que tutela a Proteção Civil, Teresa Machado Luciano.

Segundo a governante, foi necessário realojar 53 pessoas em três ilhas: “quatro em São Jorge, 42 no Faial e sete nas Flores”.

Esta manhã foi ainda equacionada a possibilidade de se retirar uma centena de pessoas nas Lajes do Pico, por precaução, mas afinal foram apenas 50.

Todas as pessoas foram realojadas em casas de familiares ou em soluções encontradas pela Direção Regional da Habitação e pela Secretaria Regional da Solidariedade Social.

Entre as ocorrências, as mais comuns foram “quedas de árvores, inundações, vias destruídas e galgamentos costeiros”, mas são os prejuízos no Porto das Lajes das Flores, o único porto comercial da ilha, que merecem maior preocupação do executivo açoriano.

A ocorrência mais grave, muito complicada, é a questão do molhe de proteção do Porto das Lajes das Flores, que ficou totalmente destruído”, frisou Teresa Machado Luciano.

A maior parte dos desalojamentos registou-se na cidade da Horta, na ilha do Faial, uma das mais fustigadas, devido a um “galgamento do mar na zona da Avenida 25 de Abril”.

O presidente da Câmara da Horta disse esta quarta-feira que foram realojadas 44 pessoas na ilha do Faial, devido à intensidade das ondas na freguesia de Angústias.

No concelho das Lajes do Pico, na ilha do Pico, foram “retirados das suas habitações 100 habitantes”, por precaução.

O número de ocorrências aumentou para 127 e poderá “aumentar ao longo da manhã”, porque o aviso meteorológico “vai-se manter vermelho mais umas horas”.

Há que frisar no meio deste número considerável de ocorrências que não se registou nenhum ferido, nenhuma vítima e isso é o que nos deixa mais descansados”, apontou o presidente da Proteção Civil.

A repórter da TVI Carolina Resende Matos está a acompanhar a situação na cidade da Horta, com imagens impressionantes do rasto de destruição deixado por esta tempestade.

As ondas já começaram a galgar muros e a PSP, em conjunto com membros do Governo Regional dos Açores, têm estado de porta em porta a tentar retirar as pessoas de casa, mas algumas recusam-se a sair.

Partes de árvores e telhados estão a ser arrastados pela força do vento. Até ao momento, só foram registados “danos materiais”, segundo o responsável da Proteção Civil.

De acordo com Carlos Neves, as ocorrências são na sua maioria “queda de árvores, obstrução de estradas, danos em moradias e queda de postes de abastecimento de eletricidade e telefónicos”.

O furacão Lorenzo provocou ainda “alguns cortes de energia na zona de Santa Cruz das Flores”, bem como problemas “nas redes de telemóvel e de comunicações”, que deverão ser corrigidas “ao longo dos dias”.

Foram encerradas 61 estradas em todas as ilhas, com exceção do Corvo e de Santa Maria.

Na ilha das Flores registaram-se “graves danos” no porto das Lajes, onde “parte do molhe foi engolido pelo mar, assim como edifício de apoio à estrutura portuária e alguns contentores”.

A rajada mais forte registada até ao momento pelo IPMA foi de 163 km/h, no Corvo.

Quanto aos voos inter-ilhas, nomeadamente para o grupo central (Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial) e ocidental (Flores e Corvo), assegurados pela SATA Air Açores, António Portugal disse que a operação aérea “só será retomada a partir das 15:00 horas locais (mais uma hora em Lisboa) quando está prevista a melhoria do tempo”.

Período crítico ainda não terminou, aviso vermelho mantém-se

O período crítico do furacão Lorenzo ainda não terminou, devido à agitação marítima e ao vento forte que ainda se registam, disse à Lusa o delegado do IMPA nos Açores.

Ainda não podemos dar como terminado o período crítico porque as ilhas ainda estão sob efeito de forte agitação marítima com ondas que podem atingir os 20 metros e vento forte”, adiantou Carlos Ramalho, às 10:15 locais (11:15 em Lisboa).

De acordo com Carlos Ramalho, o aviso vermelho para o vento está em vigor até às 12:00 locais e para a agitação marítima até às 15:00.

O aviso vermelho está em vigor para os grupos Central e Ocidental”, disse.

Várias freguesias de cinco ilhas sem energia elétrica

A passagem do furacão Lorenzo nos Açores deixou esta quarta-feira algumas freguesias de cinco ilhas sem eletricidade, sendo que parte da vila das Lajes, nas Flores, está sem energia, segundo a elétrica regional.

No grupo Central, na ilha de São Jorge, a freguesia do Topo “ainda não tem energia” e na ilha do Pico a zona mais afetada é o concelho da Madalena, de acordo com a mesma fonte.

Já na ilha do Faial, na freguesia da Feteira e em parte das freguesias de Castelo Branco e Cedros ainda não foi reposta a energia.

Segundo a mesma fonte, nas ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira e Corvo a energia elétrica “está em funcionamento normal”.

A empresa avança estar a desenvolver “todos os esforços para a rápida reposição do fornecimento de energia elétrica às populações”, adiantando que a operação “apenas está a ser dificultada pelas condições atmosféricas que ainda se fazem sentir nas várias ilhas”.

Cerca de 1.000 operacionais de prevenção

Perto de 1.000 operacionais, entre bombeiros, funcionários públicos, profissionais de saúde e forças de segurança, estão de prevenção nos Açores para dar resposta à passagem do furacão Lorenzo pelo arquipélago.

Temos 350 bombeiros prontos para atuar em todo o arquipélago. Se contarmos com todos os operacionais que estão de alerta e em prevenção, todas as áreas das diferentes direções regionais, como as Obras Públicas, os Serviços Florestais, o Ambiente, as Forças Armadas, a PSP e a GNR, podemos dizer que chegamos muito perto dos 1.000 operacionais prontos ou de prevenção para atuarem”, adiantou o presidente da Proteção Civil dos Açores, Carlos Neves.

Para as ilhas das Flores e do Corvo (grupo Ocidental), previa-se vento sueste rodando para noroeste com rajadas na ordem dos 190 km/hora (com uma probabilidade de 40% de a rajada máxima ser superior a 200 km/h), chuva por vezes forte e ondas de sul passando a sudoeste, com altura significativa entre 10 e 15 metros. A altura máxima de onda pode atingir os 25 metros.

A rajada mais forte registada até ao momento pelo IPMA foi de 163 km/h, no Corvo.

Já para o grupo Central (Pico, São Jorge, Faial, Graciosa e Terceira) eram esperados vento sudoeste com rajadas até 160 km/h, períodos de chuva e ondas de sudoeste passando a oeste com altura significativa entre nove e 12 metros, podendo a altura máxima de onda atingir os 22 metros.

Nas ilhas do grupo Oriental – São Miguel e Santa Maria – deve haver vento sul rodando para oeste com rajadas até 100 km/h, períodos de chuva e ondas de sudoeste com altura significativa entre sete e nove metros.

Altice afirma que a maioria dos maiores constrangimentos nas comunicações está resolvida

A Altice Portugal disse esta quarta-feira que os maiores constrangimentos provocados pelo furacão “Lorenzo”, ao nível das comunicações, foram registados nas Flores, Corvo, Graciosa, Pico, São Jorge e Faial, nos Açores, sendo que “a sua maioria já está solucionada”.

“Até ao momento, os maiores constrangimentos fizeram-se notar na ilha das Flores, Corvo, Graciosa, Pico, São Jorge e Faial, sendo que a sua maioria já foi solucionada”, indicou, em comunicado, a empresa.

De acordo com o último ponto de situação, a dona da Meo regista, essencialmente, “afetação na rede fixa e móvel nas ilhas das Flores e Pico, resultado do impacto em apenas 8% dos ‘sites’ móveis que tem no Arquipélago dos Açores”.

Assim, do total dos 159 ‘sites’, 13 estavam afetados.

Nos locais onde a intervenção do grupo de telecomunicações foi permitida, já foi recuperada a rede fixa e móvel em Santa Cruz das Flores, os sites TDT “cuja afetação se deveu a falhas na energia”, bem como a reposição dos serviços do cabo submarino entre o Pico e Santa Maria.

 

Destruição no Porto das Lages põe em causa abastecimento às Flores

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, afirmou esta quarta-feira que a destruição que se verificou no Porto das Lajes, nas Flores, com a passagem do furacão “Lorenzo”, “põe em causa aspetos fundamentais como o abastecimento à ilha”.

Numa nota divulgada pelo Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro destaca ainda o facto de a passagem do furacão “Lorenzo” pelo arquipélago, na madrugada e manhã de hoje, não ter provocado vítimas.

A segurança das pessoas foi o principal. O facto de, até este momento em que estou a falar, não haver vítimas a registar, deve-se, em primeiro lugar, à responsabilidade com que cada um dos açorianos encarou este momento de provação”, afirmou Vasco Cordeiro, citado no comunicado.

O presidente do executivo regional, que acompanhou a passagem do furacão na ilha das Flores, ressalvou, contudo, que “há muito trabalho” e que “há danos que se afiguram elevadíssimos”, além de situações de desalojados, nomeadamente nas Flores e no Faial.

No Faial, há situações com desalojados, que nos merecem preocupação. Assim que for possível, em termos de condições de segurança, avançaremos de imediato para a avaliação das condições destas habitações”, referiu, acrescentando que, no Pico, também foi necessário proceder a evacuações por precaução.

Quando o tempo melhorar, acrescentou Vasco Cordeiro, um conjunto de áreas será avaliado com “maior exatidão para apurar a extensão dos danos”.

Vamos começar já a trabalhar para repor a normalidade das pessoas que viram as suas habitações afetadas por este mau tempo, assim como nas infraestruturas”, salientou.

Vasco Cordeiro enalteceu também o profissionalismo e a dedicação de todos que estiveram envolvidos na operação montada devido à passagem do furacão “Lorenzo”: bombeiros voluntários, profissionais da proteção civil, funcionários da administração regional, das Forças Armadas e de segurança, dos rádio amadores, dos profissionais da comunicação social, entre outros.

A todos eles se deve, em grande medida, o facto de não haver vítimas a registar”, disse, adiantando que, agora, os açorianos farão o que fazem há cerca de 600 anos no arquipélago, “reconstruir e andar para a frente

 

Energia elétrica já foi reposta na ilha Graciosa

A energia elétrica já foi reposta na ilha Graciosa, nos Açores, indicou a empresa de Eletricidade dos Açores (EDA), que espera resolver ainda hoje os danos causados pelo furacão “Lorenzo” em outras ilhas, que continuam sem eletricidade.

Num ponto de situação feito às 12:30 aos danos causados pela passagem do furacão “Lorenzo”, a elétrica regional disse que, “nas ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira, Corvo e Graciosa, o fornecimento de energia elétrica já está normalizado”.

Dessas cinco ilhas, a Graciosa era a única que estava de manhã com falta de energia em algumas zonas.

Àquela hora continuavam por resolver danos causados pelo furacão nas ilhas das Flores, São Jorge, Pico e Faial.

Na ilha das Flores, a linha de Média Tensão que abastece a Fajã Grande está a ser reparada. Contamos ter a situação normalizada até ao final da tarde de hoje”, indicou a EDA num comunicado.

A Ilha do Pico tem “dois postos de média tensão danificados” na linha São Roque – Madalena, que já “estão a ser reparados”, enquanto na ilha de São Jorge “a linha de média tensão que abastece o Topo” já está reparada e estão a tratar de algumas avarias “de baixa tensão” por causa da queda de árvores.

Na ilha do Faial só existem “algumas avarias na baixa tensão” que estão a ser resolvidas.

Agricultores esparavam pior e setor das pescas teve o maior prejuízo nas Lajes na ilha das Flores

O presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, considerou que a passagem do furacão “Lorenzo” não foi “tão devastadora como era expectável”, reconhecendo, no entanto, prejuízos em algumas ilhas.

A expectativa era que fosse muito mais negativa a passagem deste furacão. Obviamente há ilhas que tiveram graves prejuízos: as Flores, o Pico, o Faial e o Corvo tiveram mais prejuízos e de forma mais acentuada”, reconheceu Jorge Rita, em declarações à agência Lusa.

Jorge Rita lembrou que noutros setores de atividade, nomeadamente a nível portuário e habitacional, com casas mais próximas do mar e da costa, houve “prejuízos mais avultados”.

Ainda é cedo para nós aqui na região fazermos uma análise mais aprofundada. Há muita gente em campo a monitorizar o que se está a passar no sentido de averiguar os reais prejuízos que o furacão deixou”, avançou.

 

Os prejuízos são abaixo da expectativa atendendo à capacidade avassaladora que este furacão podia ter”, acrescentou.

Já o presidente da Federação de Pescas dos Açores, Gualberto Rita, afirmou que as Lajes, na ilha das flores, foi onde se registaram mais prejuízos para o setor, ainda não estão quantificados, devido à passagem do furacão “Lorenzo”.

Em termos de prejuízos, neste momento [15:30 em Lisboa], no que diz respeito ao setor das pescas, o que há a registar é mais precisamente nas Lajes na ilha das Flores, mas como disse, ainda não conseguimos ter o valor destes prejuízos no setor”, disse à Lusa Gualberto Rita.

Segundo o responsável, a ondulação na ilha de São Miguel ainda está bastante alta e é esperado que acalme apenas a partir das 18:00 locais (19:00 em Lisboa).

Estamos aqui com ondulação bastante alta na ilha de São Miguel. Em Ponta Delgada, a maré está um bocado alta, aqui, no Porto da Ribeira Quente, também. Tivemos que reforçar ainda mais as embarcações (…) em termos de amarrações e de segurança, porque a agitação marítima é bastante grande aqui”, disse.

De acordo com Gualberto Rita, as previsões apontam para que a situação melhore, a partir das 18:00.

Isto porque o problema maior está com a preia-mar, a preia-mar é as 14:50, horas dos Açores, que é quando se regista aqui. Como disse, as marés são muito altas e, com a ondulação, está aqui a perturbar bastante toda a atividade dentro dos portos e estes portos mais virados a sul têm que ter aqui uma segurança redobrada para salvaguardar estas embarcações”, sublinhou.

 

SATA começa a repor ligações com ilhas do grupo central

A SATA Air Açores realiza esta quart-feira à tarde três voos que permitem retomar as ligações aéreas com o grupo Central, afetadas devido à passagem do furacão “Lorenzo”, disse fonte da companhia aérea açoriana.

O porta-voz da SATA, António Portugal, adiantou à agência Lusa que “nestes três voos serão reencaminhados 250 passageiros” para o grupo Central (Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial).

Porém, “os passageiros afetados por todos os voos cancelados hoje, devido à passagem do furacão, só ficam protegidos na sua totalidade na quinta e na sexta-feira“, acrescentou.