Pesadelos de Verão

Pesadelos de Verão

28 de Agosto, 2019 0 Por Azores Today

Sai-te mês de Agosto!
Nunca se viu um mês de Agosto assim, com dias seguidos de inverno, estragando as vindimas e as férias de muita gente.
Se o Governo Regional pudesse, vendia 49% do mês para resolver o problema, mas como não consegue despachar os 49% da Azores Airlines, também não resolveria nada, como é o seu padrão neste mandato.
Para cumprir a tradição, a SATA voltou a ser o maior pesadelo deste Verão.
Não tem emenda. Continua a enterrar-se em milhões.
Se não consegue tomar conta da empresa e dos passageiros, como é que iria tomar conta de um gato?
A novela do gato desaparecido no aeroporto de Lisboa deve ter inspirado o PAN, que quer criar um Serviço Nacional de Saúde para cães e gatos, outro pesadelo para os mais de 10 mil doentes (humanos) que aguardam, sentados pacientemente nos Açores, por uma cirurgia.
Vamos a cosias mais sérias.
A rentrée política vai ser marcada pela campanha eleitoral para as legislativas nacionais.
Vai ser interessante assistirmos a mais um concurso sobre quem mais promete.
Benéfico era fazermos um balanço do que foram estes últimos quatro anos e o que resultou para a nossa Região.
Para além da prometida nova cadeia, que se esfumou em bagacina, nunca mais se ouviu falar de outro projecto prometido, que era a instalação de um posto de abastecimento de gás natural, em Ponta Delgada ou na Praia da Vitória, a energia dos futuros transatlânticos.
Não conseguiram, em toda esta legislatura, mudar o modelo do subsídio de mobilidade aérea, em que estamos a financiar, sub-repticiamente, as companhias aéreas, e já prometem, para a próxima década, uma série de investimentos, num programa aprovado na Assembleia da República, que é uma tristeza franciscana no que toca aos Açores, revelador da nossa incapacidade estratégica e do ostracismo a que a República nos votou nestes últimos anos.
Trata-se do Plano de Investimentos 2021-2030, a que tivemos acesso, e que sugere a seguinte lista de investimentos que o Governo da República deve fazer nos Açores nos próximos 10 anos:
1. Substituição dos cabos submarinos que asseguram a ligação entre o Continente, os Açores e a Madeira (um projecto comum para as três regiões);
2. Ampliação da pista do Aeroporto da Horta, na Ilha do Faial;
3. Ampliação da placa de estacionamento C do Aeroporto Internacional da Lajes, na Ilha Terceira;
4. Construção do terminal de passageiros no porto de São Roque, na Ilha do Pico;
5. Construção do cais para granéis sólidos no porto de Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel.
Olhamos para a tacanhez destas propostas para a próxima década e ficamos sem dúvidas sobre a total ausência de um pensamento estratégico para o desenvolvimento de todas as ilhas.
Sobre a substituição dos cabos submarinos, tanto quanto nos é dado saber, a decisão já foi tomada e estará em vias de execução.
Ela decorre de uma imposição da natureza. É que os actuais cabos submarinos estão em final de vida, impondo-se a sua substituição.
A ampliação da pista do aeroporto faialense é, de facto, importante, mas se for para cumprir como a nova cadeia ou para concretizar a fechar a década, servirá de pouco.
Acresce que a do Pico também é essencial, pelo que não se percebe como lá meteram o terminal de S. Roque e esqueceram-se da pista.
A ampliação da placa de estacionamento C do Aeroporto Internacional das Lajes deve ser assunto importante. Para nós é novo e não percebemos ao certo o que quer dizer em termos de investimento. Ou será apenas de delimitação de espaços já existentes?
A construção do terminal de passageiros no porto de São Roque do Pico é uma iniciativa curiosa, porque alvitra a abertura de uma nova era no relacionamento entre os governos dos Açores e nacional.
É que estas infraestruturas ficaram sempre à responsabilidade do Governo Regional e, aliás, já anunciadas por mais de uma vez.
Será o dealbar dos ‘Projectos de Interesse Comum’, previstos na Lei de Finanças das Regiões Autónomas, que nunca viram a luz do dia?
Mistério para a próxima década!
Atente-se que, para a Madeira, estes assuntos foram tratados de maneira mais compreensiva (ou mais pensada).
Vejam só: é pedido o “Reforço de infraestruturas e equipamentos nos aeroportos da Região Autónoma da Madeira” e a “Renovação e reabilitação das infraestruturas portuárias”, para além da “Ampliação do Molhe da Pontinha”. Os deputados também tiveram a ousadia de sugerir “Infraestruturas e equipamentos de melhoria de acessibilidade digital entre a Região Autónoma da Madeira, a Região Autónoma dos Açores e Portugal Continental, bem como para a conectividade digital e energética entre a Madeira e o Porto Santo (cabos submarinos)”.
E para os Açores, não se devia contemplar os cabos submarinos de energia?
A construção do cais de granéis sólidos no Porto de Ponta Delgada é ainda mais intrigante.
É que os concursos para adaptação do porto já foram feitos até mais do que uma vez.
Ou estarão os deputados a defender o segundo molhe para granéis? Só pode ser porque o resto já é história.
Resumindo: tudo isto não é para levar a sério por cá!
Se é esta a recomendação que a AR tem a fazer para os Açores, então é caso para se dizer que ainda bem que este mandato chegou ao fim.
Venha outro sem mais pesadelos.

Agosto 2019
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores, Diário Insular, RTP-Multimedia, Portuguese TImes EUA, LusoPresse Montreal)