D.Carlos Azevedo denuncia “exclusão monstruosa” que está a “ser promovida por alguns políticos europeus”

D.Carlos Azevedo denuncia “exclusão monstruosa” que está a “ser promovida por alguns políticos europeus”

14 Julho, 2019 0 Por Azores Today

D.Carlos Azevedo denuncia “exclusão monstruosa” que está a “ser promovida por alguns políticos europeus”

Jul 14, 2019 | Manchete

Antigo bispo auxiliar de Lisboa presidiu à Missa da Coroação das Grandes Festas do Divino Espirito Santo de Ponta Delgada, que terminam hoje na cidade açoriana

A proximidade criada pelas festas do Espírito Santo é o sinal mais claro de que Deus ama a humanidade e só com políticos verdadeiramente próximos se pode acabar com a “exclusão monstruosa que está a ser promovida por alguns políticos europeus”, afirmou esta manhã em Ponta Delgada o antigo bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo.

O prelado que presidiu à Missa da Coroação da XVI edição das Grandes Festas do Divino Espirito Santo de Ponta Delgada disse que “é o Espirito Santo que nos tira da concha da indiferença e nos conduz à comunhão com o próximo” e deixou um alerta aos vários poderes públicos: “todas as pessoas empenhadas na política, nas questões sociais devem estar munidas de uma grande capacidade de discernimento dos sinais dos tempos, intuição das grandes utopias que irrompem no hoje”.

“Tomar cuidado do mal do mundo até ao fim da história é tarefa cristã” frisou lembrando que “nada vale a retórica, nada vale o populismo demagógico; valem intervenções que o Espirito Santo inspira, capazes de articular economias, culturas, ciência e políticas sociais para inventarem a proximidade”.

Referindo-se, ainda, ao modelo de desenvolvimento que domina o mundo “complexo e global”, lembrou que isso obriga os políticos a “definir estratégias de intervenção eficaz, criadoras de proximidade. A exclusão é monstruosa e ela está a ser promovida por alguns políticos europeus”.

“Ter misericórdia numa Europa em crise profunda é compreender a amplitude dos problemas, com as suas consequências económicas, sindicais, empresariais e associativas. É mover energia com um novo modelo de desenvolvimento que permita ao ser humano ser amado”, disse ainda numa homilia muito centrada na parábola do Bom Samaritano.

O bispo português, que serve no Conselho Pontificio para a Cultura, na cidade do Vaticano, afirmou que “a verdadeira misericórdia não é um sentimento mas uma ação completa que leva ao cuidado do outro mesmo que culturalmente longínquo”.

“A compaixão visceral, profunda, leva a tomar um cuidado integral completo a quem tem necessidade. Não se trata de uma boa ação isolada mas de uma atitude social e política permanente”, esclareceu.

“O bom samaritano joga o papel essencial de quem se empenha política e socialmente” acrescentou ainda sublinhando que um cidadão que “desdenhe” da proximidade “ não é digno deste nome”.

“A compaixão do coração, do verdadeiro cidadão deve também tornar-se compaixão: é necessário que ame prevendo as necessidades do futuro, antevendo as urgências de amanhã, encontrando um sistema para prevenir os danos”, afirmou lembrando aos políticos presentes, promotores da festa, que a responsabilidade do cuidado do outro “é permanente” e não circunstancial.

“Há a tentação de esquecermos esta relação e de nos contentarmos com manifestações exteriores de piedade”, mas o “Espirito Santo move-nos e inclina-nos para cuidar com ternura dos males da nossa sociedade. O Espírito Santo aproxima-nos sem medo da pobreza, sem medo do sofrimento. Esse é o único modo para dizer hoje que Deus ama a humanidade”.

“Isto acontece hoje, entre vós, nestas festas, esta proximidade”, concluiu depois de lembrar que o sentido da nossa vida está num agir que nos aproxima de Deus.

O prelado português deixou ainda uma interpelação a todos os cristãos: “que a palavra passe da letra da vida para as coisas concertas. Isso é obra do Espírito Santo” que exige dos cristãos uma atitude que vá além de “meros consumidores da religião” mas que sejam “capazes da ousadia missionária”.

“Perante o sofrimento de tanta gente não podemos permanecer espectadores e ignorar o sofrimento do ser humano. Isso é ignorar Deus”, concluiu.

Esta missa da XVI edição das Grandes Festas do Divinio Espírito Santo de Ponta Delgada, concelebrada pelo pároco da Matriz, Pe. Nemésio Medeiros, e pelos padres António Rego e Weber Machado, foi animada pelo Coro da Matriz de São Sebastião acompanhado pela organista titular desta igreja, Ana Paula Andrade.

As Grandes Festas do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada terminam esta noite com arraial, depois da Grande Coroação que percorrerá as principais ruas do centro histórico, incorporando os vários impérios das freguesias do concelho.

Fonte: Igreja Açores