Obrigado Mãe

Obrigado Mãe

5 Maio, 2019 0 Por Azores Today

Com três letrinhas apenas escreve-se a palavra mãe, já dizia o humorista. E não deixa de ser verdade.
Talvez simbolizem Maternidade, Amor, Eternidade. Mesmo que assim não fosse, explicaria certamente o que é ser mãe. A Maternidade de nos trazer ao mundo, o Amor incontestável pelos e dos seus filhos, a Eternidade muito para além da vida ou da memória.
A palavra Mãe acompanha-nos diariamente, quer seja a nossa progenitora biológica, seja a da Natureza, da nossa Casa, da nossa Pátria. Aplicamos estas três letrinhas mágicas às coisas que mais amamos, que mais nos prendem, que melhor nos ligam, que nos reconfortam continuamente.
Na nossa espiritualidade, a palavra Mãe tem um sentimento poderoso, não estivéssemos nós em mês Mariano, mês de Fátima, a Mãe de Jesus, a Escolhida de Deus. Uma figura constante em toda a Fé açorena, sempre presente nas Romarias, nas Procissões, nas orações do Terço, nas Festividades do Divino Espírito Santo. Talvez a Santa mais querida de toda a Igreja, de todo um povo de grande espiritualidade, que não a receia de apelidar de “Mãe de Deus”.
Ao longo de toda uma vida a Mãe está presente e até se multiplica em diferentes rostos e etapas da vida. Começamos no ventre da nossa Mãe materna, a que nos gera, nos aconchega durante nove meses. Crescemos com ela, com o carinho dos seus dedos, até mesmo com a força do seu chinelo, aquele que sempre nos educa quando nos desviamos da estrada correta da vida. Avançamos na vida e encontramos a Mãe professora, a Mãe catequista, as Mães dos nossos amigos, que nos tratam como filhos. Tornamos-mos adultos e conhecemos a Mãe dos nossos filhos. A figura mais protectora de toda e qualquer rebeldia infantil ou juvenil. A educadora dos nossos descendentes mais queridos, mesmo nos omitindo as travessuras dos filhos.
Envelhecemos e agarramos na mão desta nossa companheira que sofre com o afastamento dos filhos já adultos, mas que se alegra todos os dias com os sorrisos dos netos desejados. Sempre presente e sempre atenta, pronta a um conselho sábio de quem já galgou as rochas da vida, as auroras e entardeceres de muitos dias.
Talvez seja tempo de pensarmos o quanto o papel de Mãe merece ser compreendido, defendido e aceite na sociedade. Não é de hoje que ela é o centro de um lar, a incontestável líder das nossas casas, da nossa organização doméstica, mesmo vinda cansada da labuta de um dia de trabalho. Será este o tempo de lhe retirar algum tempo destas horas laborais? Isto sem constrangimentos, calculismos económicos ou condicionalismos empresariais.
Penso que sim, que este é o tempo de devolvermos às nossas inúmeras Mães um tempo de qualidade que seja gratificante no seio de todas as famílias. É tempo de lhe dizer: obrigado Mãe

Ribeira Chã, 5 de Maio de 2019

José Pacheco

In Correio dos Açores