A SATA DE VASCO CORDEIRO

A SATA DE VASCO CORDEIRO

1 de Maio, 2019 0 Por Azores Today

A SATA de Vasco Cordeiro é a SATA que começou a tutelar politicamente há onze anos. Vasco Cordeiro tomou posse como Secretário Regional da Economia em 2008 e o foi até ser Presidente do Governo Regional dos Açores em 2013. No total são onze anos de responsabilidade política. Não há nenhum outro político cujo nome esteja tão ligado à companhia aérea regional.

Durante esses onze anos Vasco Cordeiro subscreveu a nomeação ou nomeou três diferentes CEO’s e mais algumas administrações entre saídas e entradas. Lidou com quatro CEO’s diferentes.
Durante esses onze anos a conjuntura, o tal argumento que serve para justificar tudo, foi muito variada. Passou-se uma crise, preço de combustíveis alto e baixo, entre outros condicionamentos.

Vasco Cordeiro e o governo do Partido Socialista dos Açores levou até ao limite o proteccionismo da SATA. Todos nos recordamos dos sucessivos atrasos na liberalização do espaço aéreo, e o consequente dano que isto provocou no desenvolvimento do turismo dos Açores. Isso numa altura em que se percebia já que a economia do leite iria ter de ultrapassar desafios enormes, e que o turismo teria de ser uma alternativa para a Região.
Numa total falta de visão, tentaram proteger a SATA até não ser mais aceitável pela opinião pública. Sempre com o apoio eleitoral dos Açorianos, recorde-se. Protegeram-na na certeza de que a companhia não estava preparada para actuar no mercado livre. Para o poder ser, teria de ser reestruturada, um tabu para o PS dos Açores. Reestruturar implica reduzir postos de trabalho e medidas impopulares mas necessárias. Mais do que isso, implica coragem política para se fazer o certo, dado que em economia tudo o que é artificial acaba por ser prejudicial no médio longo prazo. Este é um caso evidente disso. Não houve coragem política e a opção foi ir financiando os prejuízos da companhia, mantendo mais ou menos tudo na mesma, ou pior com muita experimentação amadora. Consequência disso, os capitais próprios esfumaram-se, e há anos que as dificuldades de tesouraria fazem-se sentir nos prazos de pagamento a fornecedores. Muitos destes empresas dos Açores das quais dependem milhares de postos de trabalho. A situação tornou-se de tal forma grave que o GRA viu-se obrigado a avalizar diversas operações SOS junto da banca para suprir obrigações básicas de tesouraria como pagar fornecedores e salários, muitas vezes in extremis.

No entanto, foi o governo de coligação social democrata e centrista de Passos Coelho a liberalizar o espaço aéreo dos Açores. Tal como se esperava, a SATA não estava minimamente preparada e isso refletiu-se de imediato nos seus resultados daí em diante de modo ainda mais impactante. Recorde-se que a liberalização foi em 2015 e o ano da tomada de posse de Vasco Codeiro como Presidente do GRA foi em 2013. Quer isso dizer, que como Presidente passaram dois anos, e antes disso já tinham passado cinco anos com a tutela da SATA. Cinco anos em que, em vez de reestruturar a empresa, esteve muito mais empenhado em defender o status quo e os interesses muito nebulosos que giram à volta da aérea regional. Seguiram-se dois anos com plenos poderes para preparar a companhia para o grande desafio da livre concorrência. Falhou redondamente. Não conseguiu equilibrar a empresa. Perdeu o único CEO especialista no sector que aparentemente é competente para integrar diversas administrações de companhias aéreas, mas não serviu para a SATA. Vasco Cordeiro disse sucessivamente “agora é que é”, mas as únicas alterações significativas foram as diversas administrações sempre compostas por elementos de confiança do PS dos Açores ou, até importados do PS nacional, e o injectar de dinheiro público, por vezes via a “promoção” da ATA, e outras vezes através de empréstimos, avais e aumentos de capital. Um autêntico sorvedouro de dinheiro dos contribuintes.

O argumento ideológico do PS dos Açores e de Vasco Codeiro no que diz respeito à SATA, mas também em relação às empresas públicas em geral, é que existem para prestarem serviço público e não para perseguirem o lucro. Novamente este caso demonstra como esse dogma é um tremendo embuste. Aliás, há um exemplo dentro das empresas públicas regionais que o comprova: A EDA. A EDA tem um accionista privado que tudo faz para receber os seus dividendos. Nada mais natural um investidor procurar a rentabilização do seu investimento. Resultado disso, a EDA, apesar de ter um passivo considerável, é uma empresa sólida, estável e lucrativa. São mercados completamente diferentes é certo e quase incomparáveis. No entanto, não seria essa exactamente a razão para a elétrica regional não apresentar lucros e prestar apenas serviço público? Que serviço público presta uma empresa no estado em que está a SATA?

A SATA será reestruturada. É inevitável, já o era em 2015. Devido à inércia de Vasco Cordeiro a empresa acumulou quase 200 milhões de euros de prejuízos. Prejuízos esses que terão de ser assumidos pelo erário público, sendo que, muito provavelmente, o valor necessário para uma verdadeira reestruturação será ainda superior. Se se tivesse reestruturado antes de 2015 a companhia teria valor e poderia ter sido parcialmente privatizada como este governo fingiu que tentou fazer, e agora, parece-me, quer fingir de novo. A entrada de um parceiro privado especialista no sector é crucial. Até neste caso Vasco Codeiro falhou e não conseguiu fechar acordo com a interessada Iceland Air.

Esta SATA é a SATA de Vasco Cordeiro, mas é também a SATA dos Açorianos que repetidamente têm vindo a dar ao PS dos Açores maiorias absolutas. Resta saber até quando, ou, quando é que os Açorianos vão acordar.

André Silveira