A Autonomia atirada pela janela fora

A Autonomia atirada pela janela fora

17 de Abril, 2019 0 Por Azores Today

Neste segundo mandato do governo do Dr. Vasco Cordeiro tivemos sinais perturbadores de falta de autogoverno, em benefício de um seguidismo inexplicável pelas decisões do governo central.

O caso dos professores foi o mais flagrante, corrigido já muito tarde, quando o PS começou a ver o eleitorado a fugir-lhe, com alguns laivos de críticas internas.

Mas outras vão surgindo quase no dia a dia, algumas mais evidentes do que outras.

É o caso do novo regime para a fixação dos preços dos combustíveis nos Açores, um exemplo precioso de como se governa pelo diapasão dos outros governos, no caso o central.

É equivalente a pôr a nossa autonomia de decisão pela janela fora.

Não importa o que queremos da tributação dos combustíveis, peça fundamental nas nossas vidas diárias e uma crescente fonte de alimentação do insaciável orçamento público.

Não importa o que queremos, em termos absolutos, para as famílias açorianas.

Não importa o que queremos para as nossas empresas.

Importa apenas que estejamos colados à política nacional nesta matéria – que é uma política de ataque cerrado aos bolsos dos consumidores de combustíveis sob o pretexto de, imagine-se, proteger o ambiente.

Já parecia assim no passado, embora com fugas clamorosas do princípio de que nos Açores os combustíveis deviam ser 10 ou 20% mais baratos nos Açores (se a memória não nos falha, porque chegaram a ser mais caros).

A partir de agora a coisa fica mais simples: todos os meses vamos ver como está o ISP a nível nacional e vamos acertar o nosso com a cartilha aprovada lá fora e que fixa o ISP nos Açores 10% a 30% abaixo do nacional, conforme o produto: gasolina, gasóleo rodoviário, gasóleo colorido ou gás.

Agora, mais do que nunca, conforme for o Governo da República, assim também vamos nós.

Bela Autonomia esta!

Já não bastava a preocupação de nos irem ao bolso com uma insistência só justificada pela necessidade absoluta do Governo Regional precisar de dinheiro nos esmifrados cofres públicos.

A prova está nos gráficos que aqui apresentamos.

Analisando a variação dos preços mensais do gasóleo e gasolina, constatamos que ela acompanhou a evolução dos preços internacionais do petróleo até meados de 2014.

A partir de meados de 2014, perante a queda dos preços do petróleo, manteve-se o preço do gasóleo e gasolina, com o governo a encaixar o diferencial em impostos.
Os consumidores e as actividades económicas ficaram à margem dos benefícios da queda do petróleo, com o Governo Regional a apoderar-se de montantes muitíssimo expressivos na forma de receitas adicionais, à margem do incremento da actividade económica.
O governo encaixou duplamente: por um lado com impostos agravados e, por outro, com o crescimento económico.
Era possível transferir os benefícios da quebra do preço internacional para o consumidor, mas não foi isto que o governo açoriano fez.
No caso do gás, a inflação foi muito mais marcante do que no caso dos outros combustíveis.
Desde 2012 e até 2018 o preço do petróleo caiu para cerca de metade, enquanto a gasolina e gasóleo se manteve próximo dos valores de referência daquele ano. O gás subiu 13%.
Governar assim não custa. Extorquir o máximo que se pode em impostos indirectos, para depois anunciar que se repõem salários e complementos salariais, é deixar tudo na mesma e manter uma economia anémica e sem grandes resultados.
É o que temos presentemente nas nossas ilhas.
Com a agravante de que Autonomia rima cada vez mais com Anemia.

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A BOLSA DAS FESTAROLAS – Que autoridade moral e política tem um líder da oposição para exigir do governo a reposição do salário mínimo para o Estagiar U, quando paga a um jovem cantor brasileiro 123 mil euros para animar a malta?
Integrado numa “estratégia de promoção internacional” durante a Bolsa de Turismo de Lisboa?!
Já aqui tínhamos alertado para o disparate anual que é governantes e autarcas rumarem em rebanho para Lisboa, como se a Bolsa de Turismo fosse a salvação de cada concelho ou da região.
É por lá que se cometem imensos exageros, com eventos que ultrapassam o bom senso, numa atitude de novos ricos… com o dinheiro dos outros!
Por exemplo, o PSD foi o primeiro a crucificar o Governo Regional por, há uns tempos atrás, ter gasto umas boas dezenas de milhares de euros numa festa de comes e bebes, “com bar aberto”, na mesma Bolsa de Turismo de Lisboa, invocando a mesma estratégia, e agora o seu líder faz igual?
É com atitudes destas que o eleitorado foge cada vez mais, a sete pés, da política e dos políticos.

Abril 2019
Osvaldo Cabral