Azores Rallye poderá sair do ERC

Azores Rallye poderá sair do ERC

26 Março, 2019 0 Por Azores Today

A realização do Azores Rallye só foi possível devido a um conjunto de vontades, começando pelos próprios responsáveis pelo Eurosport, entidade que organiza o ERC, que têm sido grandes defensores da nossa prova, mais particularmente o seu Director Geral, Jean Marie Lay, que aqui entrevistamos há cerca de dois meses, que entretanto estabeleceu uma boa relação de amizade com Francisco Coelho, Presidente da Comissão Organizadora do Azores Rallye, e Presidente do Comercial. Só que a situação não será a mesma para o futuro, pois o Europsort foi adquirido pelos americanos da Discovery, e a função financeira para os americanos é que conta. Senão vejamos:

1 -O rali perdeu o apoio da Azores Airlines, que ao que se fala, representava um investimento de 200.000 euros, e o Governo dos Açores diminuiu o apoio em 150.000 euros, atribuindo 750.000 euros.

2 – A prova teve assim menos 350.000 euros de apoios, e as despesas foram quase as mesmas, mas há aqui um dado relevante que deve ser referido: A actual administração da Azores Airlines não pagou o apoio referente a 2018, e pelo que sabemos não quer pagar, invocando que o contrato não tinha sido assinado pela anterior Administração. Mas, entretanto, a empresa disponibilizou em 2018 várias dezenas de passagens. Sabemos entretanto que a Direcção do Comercial vai intentar uma acção judicial contra a Azores Airlines, e vai apresentar como testemunhas os anteriores administradores, numa situação surreal, onde os antigos administradores vão testemunhar em tribunal contra a actual administração.

3 – Compreendemos que a situação financeira do Grupo SATA não é compatível com a manutenção do apoio ao rali, e a sua saída de “Main Sponsor” é perfeitamente justificada, mas os compromissos anteriores devem ser assumidos, e aqui espera-se uma reacção rápida da tutela da empresa, nomeadamente da Secretária Regional dos Transportes, Ana Cunha, para que a Azores Airlines assuma os compromissos referentes a 2018, independentemente de internamente, o contrato ter sido assinado ou não.

4 – Assistimos a um total alheamento do sector privado no apoio ao evento. Não há um hotel, um restaurante, uma empresa ligada ao sector industrial, por exemplo dos queijos, um banco regional, que se tenha associado à realização da prova, empresas privadas que são as que mais beneficiam com a realização da prova.

5 – Em 2018, o retorno dado à economia dos Açores ultrapassou os 16 milhões de euros.

A Direcção do Comercial tem agora a difícil missão de decidir se a prova tem ou não condições financeiras para se manter no ERC. Não precisa dos conselhos de ninguém, mas deve inventariar já os custos associados ao próximo contrato de três anos. Se não tiver o orçamento garantido deve deixar cair a prova, pois existem pessoas que só dão valor às coisas depois de as perderem, e se a prova açoriana sair do Europeu nunca mais entra. Temos conhecimento que, sabendo das dificuldades que o Comercial está a atravessar, os responsáveis pelo Rally da Madeira, fizeram lóbi junto da FPAK e da FIA, para deixar cair o Azores Rallye. E percebe-se porquê. Em 2013, com a difícil situação financeira da Madeira, o Sports Madeira não teve 300.000 euros para pagar ao Europsort, e saiu do então IRC. Passados estes anos, aparentemente já tem o dinheiro para voltar a entrar, mas o Eurospot não quer, devido à quebra contratual de então.

Este ano valeu o interesse desportivo do Azores Rallye e o prestígio da prova, mas a sua frágil situação financeira, se não for acautelada, levara à saída do Europeu. Ninguém gosta mais de ralis do que nós, mas continuar a endividar o Desportivo Comercial para servir as aparências, não deve ser o caminho a seguir.

Uma última palavra para Francisco Coelho. O Presidente do Comercial está a passar por uma fase difícil da sua vida em termos pessoais, onde agora todas as portas se fecharam e os telemóveis deixaram de atender. O rali foi para a estrada “In – Extremis”, e só foi porque o Presidente do Comercial goza de enorme prestígio junto do Eurosport e da FIA. Não podemos confirmar, mas sabemos que Francisco Coelho terá recebido um convite formal para integrar a estrutura executiva do Eurosport, mas razões de natureza familiar e todo o empenho que está a colocar no caso da sua defesa no processo da ATA, poderão levar a declinar tão importante e prestigiante oportunidade.

Pela sua envolvência financeira, pelas suas repercussões estruturantes na economia dos Açores, na importância da sua promoção – as imagens deste ano das Sete Cidades divulgadas pelo Eurosport são de uma beleza inigualável – o Azores Rallye não pode ser encarado como um projecto pessoal. Francisco Coelho desafiou tudo e todos, conseguiu concretizar os seus objectivos, mas certamente que não voltará a fazê-lo nas mesmas condições, ate porque não se vão repetir.

O Azores Rallye estará no patamar que o Governo dos Açores e os empresários da Região quiserem que ele esteja.

LGP

 

Fonte: Correio dos Açores