O enxovalho do PSD-Açores?

Se as notícias que correm forem verdadeiras e se o PSD-Açores acreditava em milagres na política, aí está a resposta de Rui Rio: a vingança serve-se fria!
Como se costuma dizer, na política não há almoços grátis, e Rui Rio não se esqueceu que os anteriores responsáveis do PSD-Açores, que são praticamente os mesmos que integram os órgãos dirigentes na presidência de Alexandre Gaudêncio, estiveram ao lado de Santana Lopes, que venceu nos Açores as eleições internas contra Rui Rio.
A jogada de fazer avançar Mota Amaral era boa, porque deixava Rui Rio em maus lençóis face a um seu incondicional apoiante, mas as pressões das distritais e o passado histórico recente do PSD açoriano falaram mais forte na decisão do líder nacional.
Pela primeira vez na história o PSD-Açores não terá um representante no Parlamento Europeu, ao contrário da Madeira, o que não deixa de ser um enxovalho político, com o PS sentado de bancada a rir-se destas guerras internas, podendo mesmo constituir o prenúncio de mais derrotas eleitorais do PSD nos Açores, nas legislativas daqui a poucos meses e nas regionais do próximo ano.
E aqui é que reside o ponto.
Como é que o PSD-Açores vai reagir a esta afronta dos dirigentes nacionais?
Se os sociais-democratas açorianos estão dispostos a fazer de conta que nada aconteceu, entrando mesmo na campanha eleitoral para as europeias – para ajudar a eleger candidatos… do continente! -, então vai fazer aquilo que Marques Mendes disse do PSD na votação da moção de censura: papel de idiota.
Mas se o os actuais dirigentes do PSD dos Açores tiverem coragem e não quiserem perder a dignidade, tendo em vista salvar o que é possível salvar para as eleições legislativas e regionais, então o melhor que fazem é mesmo confrontar a direcção nacional e assumir que, por discordância de estratégias e face ao que Rui Rio acaba de decidir, o PSD açoriano toma um rumo próprio, não participa na campanha eleitoral para as europeias e dá liberdade de voto aos seus militantes.
É que o cúmulo do ridículo seria agora o PSD apelar aos açorianos para votarem na lista nacional… sem nenhum açoriano elegível.
Aquela seria a posição mais corajosa e forte de Alexandre Gaudêncio, para provar que não depende nem precisa da actual direcção nacional.
Este cenário coloca outra questão pertinente para todos os eleitores açorianos: é que agora só resta um candidato açoriano em posição elegível para estar em Bruxelas, o candidato do PS, André Bradford.
Quer isto dizer que o PS tem aqui uma excelente oportunidade para fazer de André Bradford um candidato acima do partido, colocando o seu candidato como o único agregador de apoios e consensos na região para nos representar no Parlamento Europeu.
Ou seja, há que convencer os eleitores açorianos que, face a este novo cenário, é preciso mesmo votar maciçamente em André Bradford, para que chegue a Bruxelas com um voto forte e consciente dos açorianos, como único representante das nossas ilhas.
O PSD terá que engolir o sapo.
E agir um pouco como aconteceu, historicamente, nas eleições presidenciais de 1986, em que na segunda volta, num célebre dia 16 de Fevereiro, na disputa entre Mário Soares e Freitas do Amaral, o líder comunista, Álvaro Cunhal, disse aos comunistas, pensando no mal menor:
“Se for preciso tapem a cara (de Soares no boletim de voto) com uma mão e votem com a outra”!
Pelo contrário, como afirma Rui Rio, se a lista ainda não está fechada e todo este cenário desastroso para o PSD-Açores ainda for reversível e sensibilizar para um recuo da direcção nacional dos sociais-democratas, então tanto melhor, porque os Açores terão novamente dois deputados na Europa.
Cá estaremos para ver.
Fevereiro 2019

Osvaldo Cabral

(Diário dos Açores de 27/02/2019)

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Sinais de agressão – VÍDEO

Fonte: RTP Açores (clique neste link para ver o video)

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