Ricardo Serrão Santos e Sofia Ribeiro estão a terminar os seus mandatos no Parlamento Europeu e já sabem que vão ser substituídos.
Foram dois dos melhores deputados europeus que os Açores tiveram, sobretudo porque partiram de uma base pouco expectável, devido às suas actividades de fraca militância política, mas de relevância profissional na sociedade civil.
E aqui é que está o problema na atitude do PS e do PSD, ao candidatar, desta vez, militantes do partido e políticos de carreira, em detrimento de gente da sociedade civil.
É um péssimo sinal que transmitem aos cidadãos, fartos de gente do aparelho e das oligarquias partidárias, que tudo absorvem em nome de um controlo absoluto, sem deixar fôlego à restante sociedade.
Quando se debate a abertura da política à sociedade civil, a criação de mecanismos que permitem uma abertura de portas a cidadãos independentes ou que pensem pela sua própria cabeça, sem obedecer às nomenclaturas dirigentes, os dois maiores partidos dos Açores dão um sinal contrário, invertendo um debate que se julgava conscientemente assumido.
Não estão em causa os nomes dos candidatos propostos (que até podem merecer muitos reparos entre os eleitores). O que se estranha é a atitude dos partidos, ao procederem a uma escolha sem nenhum debate interno, nem tão pouco externo, depois de defenderem uma reforma eleitoral em que propõem eleições uninominais e a escolha directa dos eleitos.
Tudo isto não contribui para a clareza do sistema e só agrava a perspectiva de que o desinteresse por estas eleições, que já era de 80% no eleitorado açoriano, certamente contribuirá, ainda mais, para a fuga às urnas no dia 26 de Maio (não venham depois com a desculpa de que é por causa da coincidência com o domingo do Senhor Santo Cristo).
Se houvesse milagre, era os partidos abdicarem do fundamentalismo partidário e prosseguirem com o exemplo de Ricardo Santos e Sofia Ribeiro, que deixaram as suas profissões e desempenharam com elevado brio o papel para o qual os elegemos, provando que há gente na sociedade civil capaz de defender com competência os Açores e as nossas gentes.
Certamente, muito melhor do que muitos políticos ‘profissionais’.
Obrigado Ricardo e Sofia!

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A COR DO DINHEIRO – Quanto se fala em dinheiro para investir nos Açores, o governo de António Costa arrepia-se e manda-nos para as calendas gregas, inventando problemas de bagacina ou Air Centers para estrangeiros verem.
Estamos há vários anos à espera de um avião cargueiro, prometido por imensos concursos públicos cheios de trapalhadas, mas o dinheiro que nos falta corre dos cofres do Terreiro do Paço, sem pudor descentralizador, para baixar as tarifas dos transportes públicos de Lisboa e Porto.
São 104 milhões de euros (metade do passivo da SATA) que o Estado vai dar aos municípios para os seus cidadãos pagarem menos nos transportes citadinos altamente deficitários.
Não há fome que dê em fartura, sabendo-se que são os dois municípios com maior peso eleitoral deste país.
Noutra vertente do capital e da capital mor, vamos dar, também, mais 1.100 milhões de euros para ajudar ao Novo Banco, na senda do esvaziamento dos nossos bolsos para pagar os devaneios dos banqueiros e gestores de meia tigela deste país, apoiados pelas cúpulas dos partidos políticos.
António Costa já deu, de mão beijada, 9 mil milhões para este buraco da amizade do ‘centrão’, mais 800 milhões do que Passos Coelho. Quem diria!
Quando chegam ao poleiro, estão todos bem uns para os outros.
Entretanto, os Açores, essa minudência autónoma, que espere…

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PARLAMENTOS DIFERENTES – O Governador do Banco de Portugal está cercado, por estes dias, pelo escrutínio dos partidos, face à sua actuação aquando administrador da Caixa Geral de Depósitos.
Para além de Carlos Costa, outros nomes da grada plêiade política nacional, como Vítor Constâncio e quejandos, poderão ser acusados de serem coniventes nos créditos ruinosos concedidos pelos talentosos administradores da Caixa.
É mais um exemplo do escrutínio que a Assembleia da República efectua às falcatruas dos gestores públicos, cumprindo o seu papel em defesa da coisa pública e dos eleitores.
Nos Açores, temos tudo ao contrário.
Os administradores das empresas públicas regionais que enterraram milhões em gestões ruinosas andam por aí, com novos empregos garantidos, alguns até com trampolim nacional.
Com um parlamento como o nosso, onde não se passa nada, vivemos no paraíso da ruína empresarial pública.
Mesmo com comissões de inquérito, cujos relatórios não passam de papel para encher o vasto saco do lixo parlamentar que abunda para os lados da Horta.

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MAIS UM SUPERCOMPUTADOR – Ainda não estávamos refeitos daquela finta que o Ministro da Ciência, Manuel Heitor, pregou ao nosso Secretário Regional dos Satélites, fazendo-o de bagageiro para trazer do Brasil um supercomputador para a Universidade do Minho, à custa do Air Center açoriano, eis que esta semana o mesmo ministro reincide e anuncia que vem aí mais um supercomputador, desta vez combinado entre Portugal e Espanha.
O consórcio para esta computação avançada vai apresentar uma candidatura a fundos europeus para a instalação de duas máquinas em ambos os países, novamente à custa do Air Center… e mais uma vez para a Universidade do Minho!
Tal como já aqui escrevi, a Fundação para a Ciência e Tecnologia está a usar os Açores como belo campo de experimentação para angariar internacionalmente equipamentos e conhecimento destinados às universidades e laboratórios do Continente.
Segue-se o campo experimental de Santa Maria, para as experiências espaciais.
As cobaias açorianas ficam a ver os foguetões a voar sobre as suas cabeças.

Fevereiro 2019
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-A, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal, Milénio Stadium Toronto)

 

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