Sedutora senhora que me sinto teu amante

A respeito do Dia Mundial do Músico e de Santa Cecília que se comemora, hoje, 22 de Novembro, lembrei-me disto.

Por José Pacheco

Para já, nem sei se sou musico quando olho para grandes talentos que me rodeiam constantemente. Gosto de pensar que sou um apaixonado pela musica desde que nasci e assim serei até morrer, até porque não estou nisto a prazo, como alguns noutras ocupações. Alguns dizem que o sou, outros nem por isso, mas o mais importante é sentir que todos os dias tenho de teimar para ser melhor e, talvez um dia, sinta que cheguei ao primeiro patamar de me sentir um musico.

 

Ainda foi ontem que tive o privilégio de estar entre muitos daqueles que amam a musica, como eu a amo. Aqueles que sentem de manhã à noite esta energia que, quando estamos em palco, despejamos para a plateia, provocando os mais diversos sentimentos, mas jamais a indiferença. É sempre bom perceber que somos muitos e cada vez mais neste elo musical que sabe ser generoso e sadio.

 

A musica normalmente junta-se à poesia, mas também à dança, à dramatização quer teatral, quer cinematográfica. A musica não é ciumenta e até em atrevo dizer ser vadia. A musica não escolhe língua, cor, credo, geografia, filiação politica, a musica é do mais universal que podemos ter como seres humanos, mas também a encontramos na natureza sem a nossa intervenção. Também é certo que a musica pode ser um instrumento politico, no sentido da intervenção social positiva, mas jamais manipulada ou instrumentalizada com propósitos políticos, como muitas vezes vemos, com alguma mágoa. Um musico não é refém de modas, agendas, vontades ou vaidades, um músico é fiel ao seu sentir, à sua sensibilidade humana e musical.

 

Mas cada musico leva aos ombros o grande peso da responsabilidade social, do saber partilhar, do saber que esta nobre arte é também uma alavanca ou até uma barreira, se necessário for, no contributo que podemos dar a cada sociedade. É da responsabilidade do artista partilhar a sabedoria, mas também exigir o compromisso e a disciplina que cada nota nos obriga na sua execução. A música não pode ser um mero passatempo sem apego ou dedicação. Quem quer ser o tal musico não basta dizer que gosta, tem de o demonstrar através do árduo esforço. Quem não compreende isto anda a fazer tudo menos musica.

 

Mas a musica, ou a sua ausência é também o retrato de uma sociedade, de uma comunidade. Quando a honramos celebramos a nossa humanidade, quando não o fazemos, somos seres egoístas e sem qualquer norte neste espaço temporal que nos foi reservado.

 

Enfim, falar de musica ou de músicos é falar da condição humana, é como ter um olho, uma perna, é algo comum a quase todos os seres humanos. Quando nos barram o direito ao exercício da nossa arte, cortam um bocado de nós, um pedaço que faltará a nós todos, mais cedo ou mais tarde.

 

E voltando a citar, como o sempre faço, nenhuma guerra começou pela musica, mas muitas podem acabar através dela.

 

Parabéns a todos nós que celebramos a música todos os dias.

 

Ribeira Chã, 22 de Novembro de 2018

 

José Pacheco

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