A BAGACINA MAIS CARA DA EUROPA!

A BAGACINA MAIS CARA DA EUROPA!

13 de Novembro, 2018 0 Por Azores Today

O processo de construção de uma nova cadeia na ilha de S. Miguel é mais velho que a Salve Rainha.
Faz agora exactamente 11 anos que foi anunciado por Carlos César a construção do novo estabelecimento prisional, assim como o compromisso de instalar nos Açores um Centro Educativo para Jovens, depois de um encontro com o então Ministro da Justiça, de visita a Ponta Delgada.
“Tomámos a decisão de proceder à alienação do estabelecimento prisional da Boa Nova, visto que a sua localização e as suas condições impõem a sua substituição por um estabelecimento com mais capacidade e com melhor localização. Vamos agora, através de um trabalho conjunto com o Governo dos Açores, encontrar as melhores alternativas para viabilizar a nossa decisão”, anunciou então, numa conferência de imprensa, o ministro Alberto Costa.
E prometeu mais: “Vamos criar um Centro Educativo para Jovens nos Açores, de modo a evitar que os jovens insulares, responsáveis por práticas que corresponderiam a crimes se fossem imputáveis, tenham de viver no continente para cumprir as medidas aplicadas”.
11 anos depois, nem uma coisa, nem outra! E ontem ficamos a saber que não haverá Centro Educativo nenhum.
No ano seguinte, 2008, Carlos César foi a Lisboa por causa deste assunto e no final declarou: “Eu tenho expectativas muito positivas em relação ao plano de investimentos na área do Ministério da Justiça, particularmente neste último período”. Reconhecendo embora um historial de incumprimento, por
parte de serviços do Estado, em investimentos na Região, sublinhou que há um esforço muito interessante do Ministério da Justiça que revela um novo ritmo e uma nova vontade em recuperar o tempo perdido”.
Foi mesmo tempo perdido… até hoje.
Na continuação da saga, em 2009, é anunciado novamente por Carlos César que a Direcção Geral dos Serviço Prisionais “vai proceder aos estudos necessários à implantação de um novo estabelecimento prisional na ilha de S. Miguel, em terrenos que o Governo dos Açores se propõe ceder para esse efeito”.
Os terrenos foram localizados e situavam-se nas Murtas, no caminho velho que liga ao Pico da Pedra.
“A sua cedência terá carácter gratuito, no quadro da “necessária cooperação com outros órgãos de poder, tendo em vista a resolução de questões que afectam directamente a vida dos cidadãos dos Açores”, garantia o Governo Regional.
Passaram-se os anos e em 2012, um Secretário de Estado vem a Ponta Delgada e, depois de reunir com o Presidente do Governo, volta a anunciar a necessidade de construir uma nova cadeia, considerando a situação actual “preocupante”, mas frisou a necessidade de reanalisar a situação devido às
dificuldades financeiras.
A coisa arrastou-se e a actual cadeia foi-se degradando, ao ponto de ser considerada um atentado aos direitos humanos, servindo mesmo de bandeira à Ordem de Advogados, que prometeu queixa internacional mas de que nunca
mais se ouviu falar.
Agora parece que “é mesmo”, apesar de todas as desconfianças, porque voltou a ser promessa eleitoral nas eleições nacionais, mas já se percebeu que nunca será nesta legislatura.
Pior: desistiram da localização inicial e optaram agora por uns terrenos, onde é preciso remover bagacina durante dois anos, com um custo de 3 milhões de euros, como ontem confessou mais uma Secretária de Estado em romaria a esta ilha.
Ou seja, num processo urgente como este, escolhem a opção mais demorada e, ainda por cima, mais cara.
Rica bagacina!
Serve para tudo, até como pretexto para empurrar, mais uma vez, o problema para as calendas gregas…

Osvaldo Cabral

(Diário dos Açores de 13/11/2918)