Autarca Ricardo Rodrigues é arguido por suspeita de favorecimento de irmão

O presidente da Câmara de Vila Franca do Campo (Açores) e ex-vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, foi alvo de buscas e constituído arguido, nesta terça-feira de manhã, por suspeitas de crimes de abuso de poder e de participação económica em negócio.

A Polícia Judiciária dos Açores tem ainda em curso uma operação de buscas, relacionadas com suspeitas que envolvem a concessão de um espaço de restauração, por parte da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo do Campo, a uma associação fundada por Luís Rodrigues, irmão do agora autarca Ricardo Rodrigues, e por Orlando Guimarães, marido da vereadora socialista Nélia Guimarães.

A investigação levou a Polícia Judiciária a realizar buscas na Câmara de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel, mas também nas habitações de Ricardo Rodrigues e do irmão Luís Rodrigues. Não foi possível apurar se houve diligências semelhantes visando Orlando Guimarães.

Está em causa o modo como foi atribuída a concessão de um restaurante que está a ser construído com dinheiro público da autarquia de Ricardo Rodrigues, o antigo deputado que, em 2010, foi filmado a tirar, meter nos bolsos e desaparecer com os gravadores de dois jornalistas da revista “Sábado” que o entrevistavam.

O irmão de Ricardo Rodrigues e o marido da vereadora Nélia Guimarães fundaram a Associação dos Amigos de Vila Franca do Campo no início deste ano, a menos de dois meses da abertura do concurso público da referida concessão. O concurso seria concluído em abril, com a vitória da associação.

Entretanto, o restaurante está em construção, junto da Rotundas dos Frades, em Vila Franca do Campo, e tem um custo estimado de cerca de 90 mil euros. A Câmara de Vila Franca do Campo está altamente endividada, numa situação considerada de rutura financeira.

Para já, o inquérito do Ministério Público, que se faz coadjuvar pelo Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária de Ponta Delgada, visa eventuais ilícitos de abuso de poder e de participação económica em negócio, mas poderão surgir outros tipos de crimes.

Ricardo Rodrigues já teve outros problemas com a justiça. Em junho de 2012, o caso dos gravadores da “Sábado” levou o antigo número dois do Grupo Parlamentar do PS a ser condenado ao pagamento de uma multa de 4950 euros, por um crime de atentado à liberdade de imprensa e de informação.

A juíza do julgamento declarou-se convicta de que a atitude do deputado de subtrair os gravadores aos jornalistas foi desencadeada pelas suas perguntas sobre um processo de pedofilia nos Açores, o chamado “caso Farfalha”, com o qual Ricardo Rodrigues já declarara não ter qualquer relação, mas concluiu que isso não desculpava o ato do ex-deputado.

 

Fonte: Jornal de Notícias

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