Buracos do cozido das Furnas “completamente lotados” no ‘pico’ do verão

Os buracos com recurso a fluxos geotérmicos existentes na lagoa das Furnas para realizar os tradicionais cozidos dos Açores estiveram, por diversas vezes, “completamente lotados” este verão, de forma particular em agosto.

O responsável pela gestão da lagoa das Furnas, Milton Tavares, declarou à agência Lusa que “houve dias, principalmente no mês de agosto, que se tornaram complicados” para satisfazer a afluência de pessoas que pretendiam ter os cozidos.

Na altura inúmeras pessoas acederam logo pela manhã à lagoa das Furnas (concelho da Povoação, na ilha de São Miguel) e os buracos existentes estavam “completamente lotados”, pelo que os apreciadores do prato tiveram de transitar para outros horários durante o dia para depositarem os cozidos, por “manifesta falta de capacidade”.

Na sequência de uma deliberação da Câmara Municipal da Povoação, de fevereiro de 2015, os residentes nos Açores foram confrontados com um pacote de taxas que incluía o pagamento de entrada na zona das caldeiras da Lagoa das Furnas, da utilização das denominadas covas para fazer cozidos e do estacionamento, apesar dos protestos de um movimento cívico que se formou na altura.

A introdução de taxas levou a que os locais deixassem de frequentar tanto a lagoa das Furnas para lazer e realização dos tradicionais cozidos.

A freguesia das Furnas, considerada pelos populares como a “sala de visitas” da ilha de São Miguel, concentra inúmeros agregados familiares que, aproveitando a presença de elementos da família emigrados nos Estados Unidos e no Canadá durante o verão, promovem convívios na lagoa a pretexto da realização do tradicional cozido.

Em abril de 2018, a Câmara Municipal da Povoação reviu a sua posição, tendo feito aprovar em assembleia municipal a isenção de taxas para residentes, o que, de acordo com Milton Tavares, promoveu o regresso dos locais em massa.

“Principalmente nas duas primeiras semanas do mês de agosto foi complicado”, reforçou o responsável pela gestão da lagoa das Furnas, que adiantou que foi preciso recorrer à colocação de várias panelas com os cozidos no mesmo buraco quando, num cenário normal, este suporta apenas uma.

A afluência ao local também tem crescido devido à visita dos turistas, a par do aumento das solicitações dos restaurantes locais, que possuem os seus próprios buracos no local.

Existem 56 buracos em atividade, cerca de 20 dos quais estão reservados para a restauração.

De acordo com uma nota de abril da Câmara Municipal da Povoação, a receita das taxas, a par de “algum do orçamento” do município, seria aplicada “em novos investimentos naquela zona”, para a qual se está a projetar, “caso seja possível, duas vias de entrada para melhor fluir o trânsito, especialmente nas horas de ponta”.

Segundo a autarquia, “muito em breve será colocado mais equipamento de mobiliário urbano, nomeadamente bancos de jardim e, num futuro próximo, serão renovadas as casas de banho da área”, algo que não é visível hoje no local.

 

Fonte: Noticias ao Minuto/ Lusa

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