É assim que se faz!

É assim que se faz!

5 de Agosto, 2018 Não Por Azores Today

Por José Pacheco

A PDL White Ocean ou Festa Branca de Ponta Delgada revelou-se um estrondoso sucesso, novamente este ano.

Foram milhares e milhares de pessoas que encheram a baixa de Ponta Delgada, trajados de branco, num ambiente festivo, comparável apenas às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Por toda a cidade era possivel ver artistas de rua e músicos locais, nos diversos palcos espalhados pela baixa da cidade. Segundo a organização, foram 22 palcos que envolveram 150 artistas, na sua maioria açorianos. Era possivel ver mesas e mesas cheias de açorianos e turistas de varias proveniências, que, segundo se sabe, já se tinham esgotado há semanas.

Eu vivo e trabalho na Lagoa e sou insuspeito se elogio Ponta Delgada, mas vou comparando os vários eventos que assisto e o seu respetivo retorno e tenho a certeza que este é um bom investimento com um retorno evidente não só para Ponta Delgada, mas para todos nós que aqui vivemos nesta ilha.

Já tinha ficado agradado com a Feira Quinhentista da Ribeira Grande pela organização e participação popular. Achei também, naquela altura, que andamos com falta de festas deste género, ou seja, festas de rua que possam também ter uma componente de atrair o turismo e ao mesmo tempo estimular o comércio local.

Da minha parte, podem acabar imediatamente com os vários festivais que por aí andam que apenas são cópias dos já existentes a nível nacional, salvaguardando a Maré de Agosto que sempre soube ser um festival de musica diferente dos demais. Todos estes agregados de pessoas, em recintos de segurança duvidosa, servem para encher os bolsos de alguns com artistas de fora que levam os avultados cachés para outras terras que não a nossa, e de igual modo, antros de consumo excessivo de álcool e por parte de uma camada da população demasiado jovem, isto para não falarmos de outras drogas.

Parem com esta moda burguesa de novos ricos de trazerem continuamente artistas nacionais e até internacionais apenas para alimentar os egos pessoais subsidiados com o nosso dinheiro.

Está mais que evidente que as pessoas querem festas de rua, sem bilheteiras, feitas com arte e graça, que privilegiam os que cá vivem, trabalham e exercem a sua arte. Parem de atirar os nossos impostos ao lixo porque a nossa terra tem outras necessidades mais urgentes onde gastar o dinheiro de nós todos.

Não atirem subsídios às artes, mas sim deem trabalho aos vários artistas que eles próprios depois tratam do resto. Acabem com esta afronta de quererem “comprar” a cultura condicionando a arte e os seus principais protagonistas.

A Câmara Municipal de Ponta Delgada está de parabéns, assim como todos os intervenientes, de forma direta ou indireta, contribuíram para o sucesso deste enorme evento, especialmente os responsáveis pela Cultura do município. As felicitações a todos os nossos artistas locais, que mais uma vez vão tendo espaço digno para provarem que há muito talento aqui pelos nossos lados, mas que apenas precisam de estímulos e incentivos.

José Pacheco