Em entrevista: Catarina Câmara, gestora do Grupo Auto Açoreana

Catarina Câmara, aos 33 anos é, em conjunto, com a Mãe, Lídia Câmara e a irmã Ana Câmara, gestora do Grupo Auto Açoreana, empresa que engloba oito das mais conceituadas marcas automóveis do mercado.

AA – Quando e com que filosofia foi fundada a Auto Açoreana?
CC – A história da Auto Açoreana, começa nos anos 80, quando o nosso pai, Rui Câmara, que infelizmente faleceu em Março de 2017, fundou a Auto Reparadora RibeiraGrandense, uma oficina Multi – Marca. Em 1993, surgiu a oportunidade de se tornar Reparador Autorizado Toyota. Foi a nossa primeira ligação a uma Marca. Em 1998, adquirimos a Concessão Toyota para as ilhas de S. Miguel e Santa Maria. A sua vontade de expandir o negócio e o sonho de representar uma marca Premium, fe-lo, em 2002, adquirir a Auto Açoreana, empresa que era concessionária BMW. Decidiu que este seria o nome que o nosso grupo de empresas deveria adoptar definitivamente.
No ano a seguir em 2003, adquiriu as Concessões FIAT, ALFA ROMEO e a já extinta LANCIA.
Os anos seguintes, seriam anos de trabalho de consolidação e crescimento para estas concessões. Foram construídas infraestruturas tais como Showrooms, oficinas e foi efectuando um grande investimento em formação de equipas.
Realizado, este trabalho, estava na altura de voltar a crescer, e em 2011, adquirimos a concessão CITROËN. Seguiram-se anos de novos investimentos em infraestruturas e formação, agora para esta marca que necessitou de um trabalho intenso de recuperação de imagem, localmente.
Em 2014, adquirimos 70% do capital da Centrumaçor SA, concessionária da Marca OPEL e abrimos a nossa Concessão da marca MINI.
No final de 2016, em conjunto com a Fábrica de Tabaco Micaelense, o nosso pai realizava um dos seus sonhos, constituindo uma equipa de Rallye, a Play/Auto Açoreana Racing.
Em 2017, e já após o seu falecimento, adquirimos os restantes 30% do capital da Centrumaçor, ficando assim detentores de 100% do capital da mesma, e fomos nomeados concessionário da marca JEEP
Portanto, a nossa história, resume-se a uma ambição e a uma visão empresarial de uma pessoa extraordinária, que foi o nosso pai, que com muito trabalho, empenho e uma paixão pelo mundo automóvel sem igual, criou de base o Grupo Auto Açoreana, que hoje é uma das maiores empresas do ramo Automóvel dos Açores e que nos transmitiu a sua paixão e os ensinamentos necessários para continuar a expandir o negócio.

AA – Que marcas representa o Grupo?
CC – Neste Momento o Grupo representa 8 Marcas, repartidas por 3 empresas. A TOYOTA, a BMW, a MINI, a Alfa Romeo, a Fiat, a JEEP, cuja Auto Açoreana Lda é a Concessionária. A OPEL, cuja a concessionária é a Centrumaçor SA e a Citroen, cuja Concessionária é a Rui Câmara S.U.

AA – Que serviços oferecem aos clientes?
CC – Neste momento, oferecemos um leque variado de opções de compras de veículos aos nossos clientes.
O Grupo Auto Açoreana representa um conjunto variado de marcas que possibilitam ao cliente um vasto leque de poder de escolha. Do segmento Premium, com a BMW e a MINI às restantes marcas que representamos, passando pelos canais Business com um vasto leque de oferta de veículos comerciais e não esquecendo o negócio de venda de usados que é muito importante para a nossa empresa.
No Após-Venda, somos reparadores autorizados de todas as marcas que representamos, o que confere, sem dúvida, um selo de garantia de qualidade de serviço aos nossos clientes, que vão da mecânica à Chapa e Pintura.
Dispomos ainda, de Estação de Serviço e Bomba de Gasolina.

AA – A aposta em dois grandes espaços comerciais de usados tem tido os resultados previstos?
CC – Sim, correspondem na integra aos resultados previstos. Estando perto dos centros urbanos, os nossos espaços oferecem diversidade de escolha a quem não pretende comprar uma viatura nova. Temos ainda, integrada na área de usados programas de marca, como o BMW Premium Selection, que oferecem a possibilidade de adquirir um BMW, com poucos Kms e com 2 anos de garantia, a preços muito competitivos.
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AA – Como se sente uma senhora num mundo profissional que era tradicionalmente dominado pelo sexo masculino?
CC – No Grupo Auto Açoreana, somos 3 senhoras, na liderança. Pessoalmente, muito bem. Cresci, neste mundo dos automóveis, é uma grande paixão e tive a sorte de ter um grande mentor e um óptimo professor, o meu pai. Tenho consciência que ainda não é muito comum, mesmo nos grandes grupos automóveis nacionais, mas também me foi ensinado, que não é o género que define se somos ou não capazes, mas o nosso trabalho diário e os resultados falam por si.

AA – Que expectativas têm na nova vaga de veículos elétricos que comercializam?
CC – O futuro do mundo automóvel passará, sem dúvida, pela eletrificação. Há um conjunto de desafios que ainda se colocam, nesta área, para os construtores, nomeadamente, no posicionamento em termos de preços deste tipo de tecnologia, em alguns segmentos, mas as nossas expetativas são francamente otimistas e a aceitação que os nossos produtos, quer os elétricos quer nos híbridos Toyota ajudam-nos a ter confiança no futuro.

AA – Como tem sido a vossa aposta no mundo da competição automóvel com a Play/AutoAçoreana Racing?
CC – Como referi anteriormente, a Play/AutoAçoreana Racing é a realização de um sonho do nosso pai, que era um eterno apaixonado pela velocidade e pelos Rallys, em particular. Lógicamente, existem interesses comerciais, muito grandes, que passam pela divulgação do nome do Grupo e principalmente da marca CITROEN, que é a marca da viatura utilizada, em competição.
Em termos desportivos, após o primeiro ano de aprendizagem, para todos nós, este é o ano em que pretendemos consolidar resultados, lutando pelo Campeonato Regional. Até ao momento, o campeonato está ao rubro, e a Play/AutoAçoreana é líder, cumprindo assim os nossos objectivos. Tem sido sendo dúvida uma aposta de sucesso para nós e para os nossos parceiros.

AA – Que visão tem quanto ao futuro do mercado automóvel?
CC – Vão acontecer várias coisas. Vão haver um conjunto de mudanças, a que quer as marcas, quer os concessionários vão ter de adaptar-se e saber reinventar-se e acompanhar as tendências.
Há uma tendência natural para o abandono do diesel – quer seja porque as marcas querem marcar uma posição e ter menos diesel, quer seja porque os países estão a penalizar os carros a diesel nas cidades; há uma ‘onda’ verde, que é positiva; há algumas marcas a apostar nos híbridos. E há outra coisa que vai acontecer mais tarde ou mais cedo: Agora que começa a haver carros elétricos as infraestruturas precisam de ser revistas. Precisam de ser criadas infraestruturas para que a utilização deste tipo de veículos se torne, prática e eficiente. Acredito, igualmente, que o carro de alguma maneira vai ser autonomizado.
O cenário da mobilidade, bem como a utilização que é feita dos automóveis, está a mudar rapidamente, à medida que estes vão acompanhando o ritmo dos novos desenvolvimentos tecnológicos e inovações. Neste contexto, entre os principais desafios destacam-se: a ascensão da economia de partilha (‘car sharing’ ); serviços de mobilidade digital; carros sem condutor e transição para veículos com baixas emissões. Ainda assim, no centro destas mudanças, há uma constante: as pessoas adoram e vão continuar a adorar carros. Por isso, acredito que nos próximos anos, o futuro passará por oferecer o que de mais recente há em mobilidade, de forma económica, sustentável e sem complicações. Acredito que “any car, any time, anywhere”, será efetivamente uma realidade.

AA – Que novos desafios a Auto Açoreana se propõe de futuro?
CC – Os nossos principais desafios passam por acompanhar toda esta evolução do mercado automóvel e no meio de tantas mudanças continuar a crescer. Estão previstos alguns investimentos de modernização dos nossos Showrooms, nomeadamente o da FIAT, MINI e CITROËN e o nosso principal desafio continuará a ser prestar um serviço de excelência aos nossos clientes, de todas as nossas marcas, quer nas Vendas, quer no Após Venda, para que sejamos merecedores da confiança dos mesmos quer quando ponderam comprar, quer quando necessitam de recorrer aos serviços Após-Venda.

 

Fonte: Auto Açores Magazine

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