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1º CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES NO MONTE D’ÁGUA DE PAU (1918-2018)

Por Roberto Medeiros

A 5 de julho apareceu Nossa Senhora à Joana

1º CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES NO MONTE D’ÁGUA DE PAU (1918-2018)

A Ermida de Nossa Senhora do Monte, no Pico de Água de Pau, foi mandada edificar por Teófilo Tavares do Canto e sua esposa, Dona Isolina Adelaide Soares. Esta Ermida foi construída perto do local onde se deram as aparições de Nossa Senhora a Maria Joana Soares Tavares do Canto, filha deste casal. Maria Joana nasceu em Água de Pau, a 21 de Agosto de 1910. Em 1918 já andava na escola quando começou a vir para este Pico com 8 anos, umas vezes na companhia de seus avós, paterno e materno e mais tarde com meninas da sua idade. Maria Joana ia com frequência ao Pico rezar na companhia de uma amiga chamada Sofia, um pouco mais jovem, nascida na América do Norte, filha de pais irlandeses já falecidos e adoptada como filha por um casal, sem filhos, desta vila. Ás vezes iam acompanhadas de outras e começaram a ser notadas pela sua piedosa devoção. Um dia, Maria Joana disse que vira e falara com Nossa Senhora e revelou que voltaria a aparecer.

Semelhante notícia causou grande alvoroço e originou que uma imensa multidão desejasse assistir a essa aparição que veio a ocorrer numa Sexta-feira, 5 de Julho de 1918.

Pouco depois de chegar ao Monte, pelas seis horas da tarde daquele dia, ela disse que ia aparecer uma coisa no sol. De começo ninguém o podia olhar, tal a intensidade dos seus raios, mas logo esses raios enfraqueceram, permitindo fixá-lo, deixando ver então coisas semelhantes à figura de Nossa Senhora, Nosso Senhor, Anjos e até como que uma Igreja!

Mas, vamos à história de como tudo começou:

Estava-se, na altura, ainda em plena Primeira Guerra Mundial, quando duas crianças que brincavam descuidadas numa casa solarenga da zona da Ermida do Santiago, da Vila de Água de Pau, viram um clarão no fundo do quintal, isto na direção do “Pico do Concelho”, também conhecido por “Pico da Figueira”, do qual surgiu uma imagem de um homem chagado, de cuja fronte brotava sangue devido àquilo que lhe circundava a cabeça, das mãos e dos pés chagados. Deixava transparecer a imagem de Cristo crucificado, segundo depois julgamento feito.

Temerosas e apavoradas, as duas crianças correram ao encontro dos avós de uma delas, da Maria Joana Soares Tavares do Canto, neta dos donos da casa onde também moravam seus pais, Teófilo Tavares do Canto e sua esposa Isolina Adelaide Soares.

Seus avós não acreditaram naquilo que ambas contaram, tanto mais que as duas crianças ainda não haviam atingido oito anos, mas uma irmã do dono da casa, de João Carlos Tavares do Canto, senhora profundamente cristã, ouvindo aquilo que ambas as meninas diziam, quedou-se silenciosa, ficando em meditação, mas depois acreditou nas duas crianças, tornando-se, desta forma, sua confidente.

A outra menina tinha por nome Maria Sofia, também conhecida por Sofia Paulino – por apelido da mãe adotiva – nascida na América do Norte, filha de pais de origem irlandesa que lá haviam morrido, a qual havia sido adotada por um casal sem filhos que se veio fixar em Água de Pau – sem dúvida por ser dali natural – o qual residia em frente dos pais e avós da Maria Joana. Daí a sua amizade nos brinquedos e na escola.

As duas meninas continuaram a brincar, como de costume, sob a «japoneira» – roseira do Japão – que se situava ao fundo do enorme quintal onde colocavam as suas bonecas sobre uma banqueta de pedra que ao redor da árvore havia.

Mais a Maria Joana, embora também a Sofia, perdiam muito do tempo que brincavam rezando, porque jamais se lhes saía da cabeça aquele quadro sobrenatural do homem chagado que tinham visto.

Olhando furtivamente, de vez em quando, para o pico lá ao fundo, na mesma direção da primeira visão, a Joana notou que uma senhora vestida de branco envolta num clarão que seus olhos aceitaram, a chamava para o monte. Também a Sofia, por ter sido alertada, viu igualmente a misteriosa senhora.

Mais prudentes e para não serem desmentidas, como o haviam sido antes, as duas meninas contaram mais este acontecimento à tia-avó da Joana, já sua confidente. Esta, embora soubesse que a encosta do monte não possuía acesso e era muito íngreme e parcialmente coberta por silvado, aconselhou-as a irem ao monte rezar, ao encontro da senhora que as havia chamado. Mas não só as incentivou a cumprirem aquilo que sentiam, como também ela, muito devota senhora, dali avante procurou acompanhar as duas crianças que iam orar ao pico.

Nossa Senhora, na primeira aparição de aproximação, disse à vidente Joana, com quem falava, que esta mais a Sofia deviam ir ali, àquela inclinada encosta, rezar durante dezoito dias.

A Sofia possuía o poder da visão mas não o da comunicação com Nossa Senhora, por isso era a Joana quem transmitia à sua companheira aquilo que ouvia.

Postos os familiares a par do ocorrido, procuraram os mesmos desencorajá-las, mas as mesmas persistiam e afirmavam que era Nossa Senhora quem lhes pedia aquela obrigação. Porque já eram acompanhadas na subida e na descida por muita gente de Água de Pau, então os pais aceitaram aquela misteriosa atração.

Numa das aparições da Senhora às meninas, a Mesma, depois das orações devidas e as advertências habituais, repetiu-lhes que aquele lugar dali avante se chamaria Monte Santo, por isso o não chamassem mais pico. Prometeu-lhes também que ia dizer o dia em que ia fazer um milagre para que o povo nelas acreditasse.

Embora os familiares da Joana se não manifestassem ou se envolvessem diretamente no caso, não puderam evitar que seu nome aparecesse nos jornais. Além disso, desde há muito o milagre do Monte Santo já era sabido ao perto e ao longe, nos Açores.

Dada a sua elevada posição social, os pais da Maria Joana procuraram manter-se sempre à distância e não se envolver em qualquer veleidade. Porém, porque eram católicos responsáveis, não deixaram de consultar o seu confessor, o Padre João Moniz de Melo, então pároco da Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, o qual, também, por sua vez se manteve fora dos acontecimentos, porque, naquela altura os milagres em Fátima ainda se mantinham e se mantiveram por muito tempo periclitantes.

Quem eram os pais da Joana?

Segundo dados fornecidos pelo genealogista Dr. Hugo Moreira:

« Daniel Tavares do Canto Taveira morgado da família Tavares do Canto, do solar de Nossa Senhora do Vencimento, Capitão-Mór da Vila da Ribeira Grande, padroeiro da capela-mór da Igreja do Convento dos Franciscanos, presidente da Câmara Municipal da Vila da Ribeira Grande, etc., casou em 26 de Abril de 1834, na Ribeira Grande, com Teresa emília de Sousa Gamito. Tiveram, entre outros filhos, Fernando Enes Tavares do Canto Taveira, que casou em 9 de Maio de 1853 em Água de Pau, com Maria da Glória Teves de Vasconcelos. Casou-se segunda vez em S. Pedro de Ponta Delgada em 14 de Outubro de 1869 com Maria Isabel do Canto Medeiros e Albuquerque. Teve do 1º casamento, entre outros, João Carlos Tavares do Canto, que casou em 19 de Maio de 1880, em Água de Pau, com Estefânia Higínia de Almeida. Tiveram, entre outros, Teófilo Tavares do Canto» (estes últimos avô e pai de Maria Joana Soares Tavares do Canto).

Dado este esclarecimento genealógico, vem o mesmo mostrar que a família da Joana não podia deixar-se envolver em acontecimentos sobrenaturais postiços, tipo de religiosidade burlesca de extorsão. Estava-se, isto sim, perante mais um acontecimento de aparições sobrenaturais da Mãe de Cristo, tão idêntico como aqueles que aconteceram por todo o Mundo; como os acontecimentos ocorridos no Barral, norte de Portugal, distrito de Viana do Castelo; em Fátima e na Ilha da Madeira.

Há que notar que as aparições de Nossa Senhora sempre envolveram crianças ingénuas e sem males de pecado., aparições estas que surgiam – e surgem em períodos de guerras anárquicas e situações de desmandos sociais de nível mundial – e não por pedidos pessoais e igrejas que Nela creem, mas sim devido a algo que é confuso e não fácil de interpretação. A Igreja Católica, por justa posição, tem tido sempre lugar de primazia nestas aparições, mas não é a razão destas aparições.

Perfeitamente enquadrados no tempo e na sensibilidade religiosa dos açorianos, como é sabido, povo que se manteve ao longo dos séculos profundamente agarrado, ao Divino Espírito Santo, aceitar os acontecimentos foi fácil, tanto mais que se estava a atravessar um tremendo castigo, uma guerra de grande dimensão: a Primeira Grande Guerra Mundial que devastava riquezas históricas e gentes.

Todos os jornais dos Açores abordaram o tema das milagrosas aparições que ocorriam no já “Monte Santo” de Água de Pau – o jornalismo nos Açores não era então mistifório nem sensacional, era um jornalismo consensual, geralmente dirigidos pelos seus proprietários, os quais não viviam daquilo que escreviam, mas sim, embora com muita dificuldade, procuravam abordar pontos de vista de âmbito social – por isso muito daquilo que então se escreveu prevaleceu para a posteridade.

Quer o «Diário dos Açores», o Correio dos Açores, o Jornal «A Ilha», e outros que então havia, foram os mesmos pródigos no muito que escreveram sobre o então acontecimento ocorrido no já «Monte Santo».

Mas foi o «AUTONÓMICO» aquele que melhor relatou os acontecimentos, visto ter sido o seu diretor e dono quem descreveu tudo aquilo que sentiu e ouviu.

António Rodrigues Carroça, proprietário, diretor e editor do Jornal «Autonómico», jornal que ganhou no seu tempo alto conceito, tanto em Vila Franca do Campo como em toda a ilha, o mesmo viveu por dentro os acontecimentos do «Monte Santo». Embora homem envolvido no dia-a-dia das suas obrigações jornalísticas, nem por isso se limitou a inserir no seu jornal aquilo que então se dizia sobre a criança milagrosa de Água de Pau. Medindo a responsabilidade pelo prisma profissional, quis ser ele próprio a verificar in loco a possível verdade ou a possível mentira.

Assim, prometeu que, naquela ocasião, melindrosa, iria esforçar-se para satisfazer a espectativa dos que estavam à espera das suas impressões. Entrou no «pico» às 4 e 20 minutos da tarde daquela sexta-feira de 5 de julho de 1918 e o seu aspeto, parecia-lhe, soberbo e encantador. Para cima de 10 000 pessoas, com certeza, de vários pontos da ilha, povoavam a parte escalvada e se estendiam ainda pelas encostas, até quase ao arvoredo que o revestia indo até ao sopé dele. Umas estavam de pé e outras sentadas, muitas com ramos de verdura e flores, e todas no excelente panorama que gozavam aguardavam ansiosas a vinda da menina vidente, que já saíra de casa, cortejada por seus extremosos pais e muito povo.

Quatro e meia ou pouco mais chega a ditosa criança no pico. Todos colocavam seus olhares nela com admiração. Perante aquele mar de gente e sendo o atalho escabroso e escorregadio, a menina é conduzida ao colo dum homem até ao lado sul do pico onde a menina foi fazer a sua oração.

Enquanto ela se encontrava entregue às suas inocentes súplicas, Rodrigues Carroça começou a andar com grande dificuldade, de um lado para o outro, no intuito de ouvir o que diziam, o que havia já passado e corria de boca em boca.

Faltavam, porém, uns minutos para as 6 horas, e eis que ela apareceu subindo o pico e dizendo a algumas pessoas que a seguiam que ia aparecer uma coisa no sol!

Foi então que, vendo um facto extraordinário, que lhe pareceu sobrenatural, caiu em terra de joelhos ante tão grande maravilha, dos seus lábios se escapou esta frase, aprendida em criança com seus pais: – Louvado seja Deus!!

O sol havia-se despido do seu grande brilho para melhor o fitarem. Parecia um espelho deixando ver figuras que a sua vista não podia distinguir, mas que milhares de pessoas, que estavam em volta dele, diziam numa voz, com grande satisfação e assombro, serem de Nossa Senhora, de Nosso Senhor, de anjos e de uma igreja!

Lançando, depois, a vista pelo pico, viu quase todos sem chapéu, de joelhos como ele, com as mãos postas, irrompendo em exclamações de espanto dirigindo fervorosas suplicas à Virgem Santíssima. Um quadro verdadeiramente assombroso e que o comoveu até às lágrimas! E enquanto isso se passava, a feliz vidente parecia desmaiada ao colo do homem, mesmo ao seu lado.

Também nesta Vila de Água de Pau numerosas pessoas sérias e dignas de todo o crédito viram do mesmo modo, afirmando quase todas que distinguiram perfeitamente no centro daquele astro Nossa Senhora, anjos e uma igreja. Aguardou-se, em todo o caso, que as autoridades competentes se pronunciassem sobre os factos.

Leopoldo Brée d’Almeida Tavares de Medeiros, Regedor da Vila e farmacêutico de profissão, foi um daqueles que o responsável diretor do «Autonómico» procurou entre as cerca de 12 000 crentes que se estendiam pelo milagroso monte.

Esta extraordinária visão comoveu todos e alguns até às lágrimas. Simultaneamente levantou-se uma onda de incrédulos, entre os quais alguns sacerdotes. O caso foi discutido na imprensa, segundo a opinião de cada um.

Este tipo de factos estranhos ainda hoje é incompreensível, mormente por parte daqueles que se desviam de Deus. Foram muitos os outros acontecimentos que se desenrolaram no percurso entre a visão, o milagre do sol e o das imagens.

A ciência vezes sem conta tenta ultrapassar fenómenos religiosos que não quer aceitar por ser ciência, mas o sobrenatural porque é superior ao natural onde a ciência encontra o seu campo de ação, nunca permitiu nem permite que o mistério seja desvendado, precisamente por ser incompreensível.

No segredo do seu sentimento, os pais da Joana ocultavam uma tremenda preocupação que lhes ia minando as forças e a alma. No começo das aparições de Nossa Senhora à sua pequenina filha, a criança deslumbrada por aquilo que sentia e via, pediu ingenuamente que a Virgem Santíssima a levasse em sua companhia. A resposta da imagem foi afirmativa: que, sim, a levaria quando ela tivesse dezoito anos!…

Os pais da vidente notaram na filha um visível desinteresse por tudo aquilo que se desenrolava á sua volta, o que não era normal numa criança, deixando de brincar e passando a maior parte do tempo a rezar num ato de verdadeiro sentimento religioso.

Entretanto, os pais de Joana foram procurados pelas autoridades policiais de Ponta Delgada que vieram averiguar aquilo que havia acontecido. Verificando que não se tratava de qualquer burla espiritual de extorsão mental, porque era bastante evidente o grau de riqueza material e social dos pais da criança, a mesma não demorou a sua estadia na Vila de Água de Pau, ficando por isso, encerrado este caso de investigação civil, porque na outra ninguém tocava.

Prudentes, os pais de Maria Joana Tavares do Canto contribuíram para que as repercussões dos milagres ficassem circunscritos temporariamente ao seu meio próprio, mas também o Padre João Moniz Melo, então pároco de Água de Pau, por lógica, nunca as abordou. Além disso a ditadura de Sidónio Pais não só aterrorizava a Igreja Portuguesa, como aqueles que a serviam, desviando-os da sua missão sacerdotal para cargos da função pública. Por esse motivo é que o Padre João Moniz Melo também era, ao tempo, administrador do Concelho da Lagoa, possivelmente por imposição política.

Decorreram os anos velozmente para os pais e familiares de Joana, porque através dela eles sabiam que esta tinha um tempo de vida material determinado. Dia a dia a Maria joana S. Tavares do Canto, a vidente, ia-se apagando fisicamente. A vidente adoeceu em 18 de Setembro e previu a data da sua morte que ocorreu a 6 de Outubro desse ano. Morreu quando completou os dezoito – dez anos depois do grande milagre – porque foi assim que Nossa Senhora lhe havia prometido, e a Joana o afirmava com toda a convicção.

Seus pais fizeram voto, depois da sua morte, de mandarem edificar uma Ermida no local das aparições para lembrar este acontecimento, mas o lugar era muito estreito, pelo que foi edificada um pouco afastada.

O projecto do edifício foi da autoria de Floriano Victor Borges, Agente Técnico de Engenharia, natural desta Vila de Água de Pau e vivia em frente à casa da Joana, onde hoje é a Junta de Freguesia e a obra de pedreiro esteve a cargo dos mestres José Luís Germano e Elias da Conceição Rocha.

A construção estava projetada para começar algum tempo mais tarde, mas foi antecipada para Janeiro de 1929 porque quiseram seguir o ditado popular que diz: “Em Janeiro mete obreiros” e continuou até darem por pronta em Setembro de 1931, como está insculpido numa lápide na parte posterior do edifício.

O corpo desta Ermida é de planta hexagonal. Só tem um altar, onde está a imagem de Nossa Senhora do Monte, que foi mandada fazer em Lisboa, tendo custado três mil escudos. É ornada com algumas jóias que pertenceram à vidente. Maria Joana, tais como três colares.

A coroa e os ramos de flores foram adquiridos para esse fim. A cada lado desta imagem estão dois nichos com suas peanhas, estando à direita São Joaquim, com duas rolas (que foi oferta de D. Julieta Amaral Costa em 1942) e à esquerda, Santa Ana, ensinando a ler à Virgem Maria. Esta foi oferecida por D. Ana Madalena Tavares do Canto, por volta de 1940.

Ladeando exteriormente estes nichos estão duas peanhas, ficando Santa Filomena á direita e Santa Terezinha à esquerda. Os paramentos foram sendo adquiridos consoante as necessidades.

Assim, a bonita custódia de prata, com o Santo Lenho tem a sua história: – Em 1867, veio de Portugal uma Missão constituída pelos missionários, Padres Carlos João Rademaker, João Rebelo Cardoso de Meneses, Luís Prosperi e Frei José do Bom Sucesso Guerreiro. Estes foram recebidos, quando estiveram em Água de Pau, em casa das senhoras Costa Roia que moravam na grande e bonita casa que a sua família tinha adquirido aos herdeiros da Capitão-mór, João Policarpo Botelho de Arruda [Casa do Povo]. Em reconhecimento da hospedagem ofereceram aquelas senhoras esta relíquia, que muitos anos volvidos, levaram de oferta aos instituidores desta Ermida.

A custódia foi adquirida aos herdeiros do Prior da Matriz de Ponta Delgada, Padre José Pereira Dâmaso, por 600.000 reis. Fora mandada vir de Lisboa, mas não chegara a ser usada e os herdeiros puseram-na à venda.

O crucifixo foi trazido de Lisboa pelo senhor António Tavares de Moura, aquando foi tratar-se, com êxito, de uma paralisia numa vista.

No corpo da ermida, do lado sul, está numa peanha, a imagem do Senhor dos passos oferecida pelo Vigário de Água de Pau, Padre João Moniz de Melo e na face norte, está o Sagrado Coração de Jesus, tendo na sua frente uma coroa de prata oferecida em 1935, pela esposa do Sr Francisco Maria, dos Biscoitos, da ilha Terceira, onde tinha uma Ermida.

No fecho do arco está um quadro com a Sagrada Família.

A Senhora D. Isabel Adelaide Tavares do canto ofereceu a imagem de S. José, uma pequena mesa e seis cadeiras que estão junto do altar.

O Padre José Luís Borges ofereceu três estampas de que se fizeram as sacras; o Padre Manuel de Medeiros Ferreira ofereceu a pedra ara, o cálix e o missal, que lhe serviam para dizer missa campal no Brasil, onde estivera anos, antes de vir ser Cura em Água de Pau e o Senhor Artur Barbosa e esposa ofereceram a bandeja que serve à comunhão.

A primeira festa realizou-se no dia 16 de Julho de 1931 e daí por diante, quando o dia 16 de Julho cai num dia de semana, a festa é transferida para o primeiro Domingo seguinte. No entanto, houve anos em que foi realizada noutras datas até que deixou mesmo de se realizar, passando a haver apenas romarias por devotos. Também passou o Monte e a Ermida a ser muito visitados, diariamente, por turistas por causa das lindas panorâmicas que se desfruta dali.

[Fontes: Gil Moniz Jerónimo, Jornais: Diário dos Açores, Correio dos Açores, A Ilha, o Autonómico; Manuel Egídio de Medeiros, Antone Amaral (USA) que regressou em 1992 a Água de Pau com 93 anos e subiu ao Pico, onde me contou o que vira e ouviu, Amélia Nabinha c/105 anos, ainda viva em New Bedford, nos USA].

Por: RoberTo MedeirOs