Os cortes do Quadro Financeiro Plurianual da Política Regional

Os cortes do Quadro Financeiro Plurianual da Política Regional

30 de Maio, 2018 Não Por Azores Today

Dado absolutamente seguro, aliás ainda muito recentemente confirmado pela Comissária Europeia para a Política Regional Senhora Corina Cretu, é o corte substancial de verbas para a designada política de coesão que ocorrerá no Quadro Financeiro Plurianual (2021/2027).
Se as percentagens previstas para tal redução serão entre os 5% e os 10%, conforme seja a interpretação dos cálculos (preços correntes ou preços constantes) já é absolutamente certo que no nosso caso a perda será sempre superior uma vez que sendo no Fundo de Coesão que os cortes mais incidirão e sendo precisamente do Fundo de Coesão que mais beneficiamos não é necessário cálculos mais complicados que somar dois mais dois para termos um quadro muito claro daquilo que será a realidade no futuro próximo.
As implicações destes cortes na Região são deveras preocupantes e o coro das críticas, dos lamentos e das acusações no tocante aos cortes de verbas para os Açores é já uma realidade que desde o Governo e ao PS passando pelo PSD e indo até ao CDS nenhuma oportunidade perdem para debitar mais ou menos pomposas declarações sobre o assunto, todos, sem exceção, assumindo o papel de intransigentes defensores dos interesses da Região e portanto reivindicando para cada qual o papel de reivindicador-mor e de impolutos e quase exclusivos defensores dos interesses Regionais.
Sejamos sérios. Esta política de cortes nos Fundos que mais nos afetam, não se deve, contrariamente aquilo quê se tenta propagandear, à saída do Reino Unido da União Europeia (ao Brexit) mas sim a escolhas políticas e económicas da União Europeia. Não nos esqueçamos que ao contrário dos cortes efetuados nos Fundos necessários à coesão, os fundos para fins militares são reforçados e que enquanto são retirados apoios a investimentos essenciais ao desenvolvimento dos mais desfavorecidos e ao combate às desigualdades nas suas diferentes vertentes, às grandes multinacionais é garantido o acesso ao grosso dos fundos disponíveis.
Tais opções políticas foram e são decididas não por tecnocratas em Bruxelas mas por aqueles que foram eleitos para tal. Da Assembleia da República ao Parlamento Europeu e obviamente aos Governos.
Vermos na Região os partidos cujos seus dirigentes e deputados quer a nível da República quer a nível Europeu (individualmente ou no âmbito das suas formações políticas no PE) sempre foram e são ativos apoiantes destas políticas, “rasgar as vestes” pelos cortes anunciados e se apresentarem como os grandes opositores a tais cortes, para além da mais pura e refinada hipocrisia política toca mesmo as raias da demagogia.
Apesar de tudo, confesso que estou convicto que um grande número não só de votantes e simpatizantes desses partidos como também de eleitos e responsáveis políticos
Regionais dos mesmos estarão por certo, genuinamente preocupados com os cortes
anunciados. Pena é que não tirem daí as devidas ilações.

João Paulo Valadão Corvelo
Deputado do PCP na ALRAA