A SEGUNDA HUMILHAÇÃO DO PSD-AÇORES

A SEGUNDA HUMILHAÇÃO DO PSD-AÇORES

15 de Maio, 2018 Não Por Azores Today

Rui Rio infligiu, no passado fim de semana, a segunda humilhação aos actuais dirigentes do PSD-Açores, sendo provável que a terceira esteja a caminho com as eleições europeias.
Ao escolher Mota Amaral para ser homenageado nas comemorações do 44º aniversário do PSD nacional, Rui Rio deu mais um sinal de força ao antigo presidente regional e rompeu, uma vez mais, com o PSD de Duarte Freitas, o mesmo que dispensou Mota Amaral de continuar a representar o partido e os Açores na Assembleia da República.
O primeiro sinal de desacordo foi no Congresso do PSD, em Fevereiro passado, quando Rui Rio “riscou” das suas listas qualquer representação do aparelho açoriano do PSD.
Duarte Freitas não deixou de apoiar Rio, mas pediu “o mesmo respeito pelo PSD-Açores”.
A nova direcção nacional do partido não ligou aos reparos e, agora, com esta homenagem, o PSD nacional distancia-se ainda mais da nomenclatura regional.
É muito provável que Rui Rio possa escolher Mota Amaral para integrar – se não mesmo liderar – a lista dos candidatos às eleições do Parlamento Europeu.
Com o gesto da homenagem, Rio não esconde que gostaria de “recuperar”, novamente, Mota Amaral para a ribalta nacional, onde deixou boa imagem, tanto mais que, nesta altura, fala-se tanto na falta de valores morais e de mais seriedade na política.
Mota Amaral seria o emblema dessa seriedade e o exemplo do político que nunca se serviu da política, ao mesmo tempo que Rui Rio resolveria o problema da representação açoriana do partido na lista dos candidatos ao Parlamento Europeu, mesmo indo contra o aparelho regional.
Aliás, a ausência a qualquer referência ao actual PSD-Açores nas referidas comemorações, concentrando todos os elogios na figura de Mota Amaral, é bem exemplificativo do rompimento da direcção nacional com a estrutura açoriana.
Do mesmo modo, percebe-se o incómodo de todo o aparelho açoriano do PSD, pois nem uma nota pública se conhece de apoio à homenagem ao seu fundador e antigo presidente.
É verdade que Duarte Freitas esteve presente, mas ao que parece entrou mudo e saiu calado.
Está visto que Rui Rio não quer ouvir falar de Duarte Freitas e Berta Cabral, jogando noutro tabuleiro para sinalizar que gostaria de ver novo rumo por parte dos sociais democratas açorianos.
Terá o PSD-Açores percebido?

UM PRESIDENTE EM DESESPERO – O discurso de Vasco Cordeiro, domingo, na ilha Terceira, é o de um político em desespero perante o seu próprio eleitorado ‘ingrato’.
Está visto que Vasco Cordeiro não gostou do cartão vermelho que os seus camaradas da Terceira mostraram à sua política, aliando-se a toda a oposição na Assembleia Municipal de Angra.
É estranho que o Presidente do Governo tenha demonstrado qual é a parte que ainda não percebeu.
O mandato deste governo está adormecido e apodrecido, sem nada que se veja de relevante, mergulhado num grande buraco financeiro, com empresas públicas a definharem-se umas atrás das outras, calotes seguidos a fornecedores, ausência de investimento público, aumento de famílias a recorrerem ao Rendimento Social de Inserção, grande desorientação em quase todos os sectores, mas principalmente na Saúde, na Agricultura, nos Transportes e nas Pescas, sendo notória a incapacidade dos seus titulares, envolvidos num filme em que são actores de segunda.
É preciso não esquecer que este governo colecciona a maior originalidade do nosso regime: teve as suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas, mas com “reservas sobre a legalidade e a correcção financeira”. Isto já diz muito.
Nos próximos meses, se o problema da SATA falhar, é todo o governo de Vasco Cordeiro que falha.
É surpreendente que ninguém esteja a ver, no governo, que muita coisa vai mal.
Veja-se isto: as Câmaras da Terceira aprovam resolução a condenar o modelo dos transportes para a Terceira, a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo emite comunicado a criticar os transportes e a exigir novas soluções, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada há muito que reclama novos modelos de transporte aéreo e marítimo, a Câmara do Comércio e Indústria da Horta reclama novas soluções para os transportes aéreos, a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores anda há anos a reclamar nova política para os transportes marítimos e aéreos, os empresários do Pico nem querem ouvir falar da SATA, o concurso para o avião de carga é uma vergonha, toda a gente já receia que a operação de Verão da SATA vai ser um descalabro.
O que faz o governo? Finge-se de morto!
As críticas dos socialistas da Terceira são apenas o eco de uma voz muito mais forte que se vai ouvindo por estas ilhas fora, perante uma enorme desilusão que tem sido esta governação.
Não compreender isto é não perceber o sentimento popular, só explicado pela incapacidade de ouvir no terreno a sociedade, porque não se sai dos gabinetes confortáveis dos palácios.
E o mais grave disto tudo é que a população olha para as alternativas e não vislumbra cenário melhor.
É por isso que Vasco Cordeiro se dá ao luxo de responder, com uma certa altivez, aos que o criticam.
Porque sabe que esta oposição é o seu seguro de vida político.

O BALÃO ESVAZIOU – Um dos exemplos mais hilariantes desta governação é o caso do Air Center, que nunca ninguém percebeu o que era, mas que os nossos governantes regionais fizeram tal profissão de fé, que agora não sabem como se explicar perante aquilo que se desconfiava.
Os terceirenses têm razão para se sentirem, mais uma vez, enganados.
Elevaram-se as expectativas tão altas, com um festim internacional nas Lajes que mais parecia uma cimeira entre várias potências mundiais, para agora se ficar a saber que o famoso Air Center não passa de uma sala com um funcionário, uma secretária e um computador… Uma “sede simbólica”, dizem eles.
O Secretário Regional da Ciência, Gui Meneses, que já tinha sido o bagageiro do Ministro da Ciência, para transportar do Brasil um supercomputador para o Minho, tentou explicar, na conferência de imprensa dos milhões para a Ciência e Tecnologia, todo este imbróglio, mas fê-lo de uma forma tão confrangedora que até mete dó como se deixa embalar pelas promessas dos seus colegas da república.
Mas isto não vai ficar por aqui.
A seguir virá o porto da Praia da Vitória, este incansável arremesso de promessas políticas que, se fossem para levar a sério, deixariam todos os portos oceânicos de Portugal e da Europa cheios de medo…
E porque já não há nada para mostrar – nem para inaugurar -, ainda há governantes que se dão ao ridículo de fazer uma festa com a inauguração de… lâmpadas LED numa reserva natural!
Ao que isto chegou.

Maio 2018
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-A, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal, Milénio Stadium Toronto)