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Bispo de Angra desafia cristãos a combater “os sinais de morte” que dominam o mundo

Bispo de Angra desafia cristãos a combater “os sinais de morte” que dominam o mundo

Abr 1, 2018 | Manchete

D. João Lavrador presidiu à Vigília Pascal na Sé de Angra

O bispo de Angra, na sua homilia, apelou esta noite aos cristãos açorianos para serem candeias do anúncio da boa nova da salvação e não deixarem que o mundo de hoje se deixe dominar por “sinais de morte”.

“É urgente proclamar a todos os batizados que não devemos resignar-nos a manter o sepulcro fechado, como é imprescindível alertar o mundo de hoje para não se deixar dominar pelos sinais de morte sem levantar a cabeça e escutar o grande anuncio da ressurreição” disse D. João Lavrador na Vigília Pascal a que presidiu na Catedral de Angra do Heroísmo e na qual participaram centenas de fieis.

“Pela ressurreição, Jesus Cristo abre o tumulo, o Seu e o das nossas vidas, para nos fazer saltar das barreiras dos nossos pessimismos estéreis, pela proclamação de que Ele não está ali, ressuscitou”, esclareceu o prelado que centrou a homilia desta celebração, a mais importante da igreja, na vida nova que nasce com a ressurreição de Jesus.

“Na verdade esta noite convida-nos, a partir da contemplação do Mistério da Ressurreição de Jesus Cristo, a renovarmos em nós o batismo que recebemos, a saborear a abrangência deste dom e o compromisso que exige de nós de realizarmos a mesma proclamação e testemunho que brotou da experiência daquelas mulheres e dos discípulos que sentiram a alegria e a esperança da Ressurreição do Senhor” afirmou o prelado.

Referindo-se às quatro liturgias que compõem esta celebração – a da Luz, em sinal de alegria, com a bênção do lume novo e o Círio; a da Palavra, que compreende nove leituras, sete do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento, com o canto do Glória e do Aleluia; a Batismal e a Eucarística- o bispo de Angra desafiou os cristãos a serem testemunhas desta vida nova.

“Renovamos o nosso baptismo contemplando a água que nos regenerou, na qual ficou morto o nosso pecado e dela ressurgimos como pessoas novas. Igualmente admiramos a luz de Cristo que do Cirio Pascal nos foi entregue a cada um para nos confrontarmos com esta luz e reconhecermos que também somos luz do mundo, reflexo da luz de Cristo” afirmou.

O prelado aludiu, ainda, ao “Novo Povo de Deus, que nascido da Páscoa de Jesus Cristo é um Povo sacerdotal, profético e real, capacitado para anunciar e testemunhar ao mundo as maravilhas de Deus realizadas em Seu Filho Jesus Cristo”.

  1. João Lavrador destacou, por outro lado, que tal como as mulheres depois do espanto não tiveram medo de anunciar a boa nova, também os cristãos o devem fazer. Sobretudo junto dos que mais precisam, isto é, dos que “ sentem a tribulação da miséria, a exploração e o tráfico humano, o desprezo, porque são imigrantes, órfãos de pátria, de casa, de família; a solidão e abandono, porque têm mãos com demasiadas rugas, as mães que choram ao ver que a vida dos seus filhos fica sepultada sob o peso da corrupção que subtrai direitos e quebra tantas aspirações, sob o egoísmo diário que crucifica e sepulta a esperança de muitos, sob a burocracia paralisadora e estéril que não permite que as coisas mudem”.

“Deixemos ressoar em nós esta voz a dizer-nos que não devemos ter medo da Ressurreição de Jesus Cristo e do compromisso de O tornar presente onde se desenrola o sofrimento humano oferendo a Palavra e os gestos de esperança que brotam da Vida partilhada fruto da Ressurreição do Senhor” exortou D. João Lavrador, sublinhando a necessidade de todos os cristãos terem consciência da missão e da partilha.

“Vamos anunciar, partilhar, revelar que é verdade: o Senhor está Vivo. Sim, está vivo e quer ressurgir em tantos rostos que sepultaram a esperança, sepultaram os sonhos, sepultaram a dignidade”, disse o prelado citando o Papa Francisco na noite de Páscoa no ano passado.

A Vigília Pascal é celebrada nas últimas horas deste Sábado Santo e nas primeiras de Domingo de Páscoa e o principal e mais antigo momento do ano litúrgico, assinalando a ressurreição de Jesus.

Esta é uma celebração mais longa do que habitual, em que são proclamadas mais passagens da Bíblia do que as três habitualmente lidas aos domingos, continuando com uma celebração batismal e a comunhão.

Fonte: Igreja Açores