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Novenas preparatórias do Natal arrancam hoje em toda a diocese

Novenas preparatórias do Natal arrancam hoje em toda a diocese

Dez 15, 2017 | Manchete

Novenas preparatórias do Natal arrancam hoje em toda a diocese

Nos Açores há pelo menos duas missas originais: a do Galito, na ilha Terceira e a da Aurora, no Faial

As comunidades católicas dos Açores começam a partir de hoje a celebrar as tradicionais novenas preparatórias do Natal, perpetuando vivências espirituais e sociais, partilhadas pelas famílias.

Na mais pequena ouvidoria da diocese de Angra- o Corvo- o Natal começa a ser preparado esta sexta feira com o inicio da novena, mas o primeiro grande momento é, sem dúvida, a Missa do Galo com a realização de um presépio vivo envolvendo adolescentes, jovens e crianças, na noite do dia 24 de dezembro.

“Será um momento alto da vivência cristã na ilha” sublinha o ouvidor eclesiástico, o Pe. Artur Cunha.

“É uma novidade este ano que se prolonga com outra que tem a ver com a interpretação de perguntas e respostas feitas por crianças do mundo ao Papa Francisco”, acrescenta o sacerdote.

A partir do livro “Querido Papa Francisco”, que reúne 30 cartas trocadas entre crianças de todo o mundo e o Papa no qual as crianças perguntam e Francisco responde, as crianças corvinas “vão interpretar algumas dessas questões”. A primeira das cartas que figuram no livro é a de João, um rapaz português de 10 anos.

“Será muito interessante ver como as pessoas reagem” refere o sacerdote.

Antes desta iniciativa já a recém criada ouvidoria de Angra terá celebrado a “Missa do Galito”. Trata-se de uma celebração original levada a cabo já há quatro anos, pelo Curato de São Carlos, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, pelas 18h00, do dia 24 de dezembro.

A vigília, que segue a liturgia da primeira missa de Natal, que tradicionalmente se realiza à meia noite, envolve crianças da catequese que habitualmente não vão à Missa do Galo devido ao horário tardio.

Durante esta vigília será realizado um presépio vivo, envolvendo os alunos da catequese.

Na “missa”, as crianças representam cenicamente os vários quadros do nascimento de Jesus, tal qual são relatados no Evangelho, desde a entrada de Maria ainda grávida até ao nascimento de Jesus.

Na diocese de Angra é o único lugar onde a Vigília de Natal tem este nome.

Também na ouvidoria do Faial há outra originalidade: a Missa da Aurora, uma das quatro celebrações previstas na Solenidade de Natal.

A Paróquia de Santa Bárbara, nos Cedros, é o único lugar nos Açores onde se celebra a “Missa da Aurora”, uma das quatro celebrações previstas na solenidade de Natal. Há seis anos que o fazem no dia de Natal antes do sol nascer, recordando uma tradição do arquipélago vizinho- a Madeira- onde hoje começam as novenas de Nossa Senhora do Parto.

A “Missa da Aurora” tem o seu guião próprio e é animada pelo Grupo Coral da paróquia, terminando com o beijo “simbólico” ao Menino Jesus e, no final são distribuídas guloseimas, sobretudo aos mais pequenos.

Na maior ouvidoria da diocese- Ponta Delgada- as iniciativas de cariz sócio-caritativo são as que ditam o ritmo dos dias até ao Natal, acompanhadas de iniciativas culturais e religiosas, como as novenas e a celebração do sacramento da Reconciliação, de uma forma mais intensa, como expressou ao Igreja Açores o ouvidor de Ponta Delgada.

“Serão dias de muita alegria e de muita festa” refere o Cónego José Medeiros Constância lembrando que nos “Nove dias que precedem o Natal há sempre uma grande animação nas 18 comunidades que compõem a ouvidoria”, com ações de solidariedade, partilha, celebrações e eventos culturais, dos quais destaca entre outros o concerto dos Arautos do Evangelho no dia 29 de dezembro, na igreja paroquial de São José, em Ponta Delgada.

Em Angra, na Sé as celebrações serão presididas pelo bispo de Angra, D. João lavrador, e terão transmissão em direto pela RTP Açores e RTP Internacional. A Missa do Galo é celebrada às 24h00 do dia 24 e a de Natal do Senhor, às 11h00, do dia 25.

A celebração do Natal, que no Cristianismo assinala o nascimento de Jesus, inicia-se um pouco por todo o mundo na noite anterior ao dia 25, seguindo uma tradição que remonta aos primórdios da Igreja de Roma.

Esta não é a primeira festa cristã, dado que as primeiras comunidades celebravam a fé na ressurreição, em volta da Páscoa, mas já no século III Hipólito de Roma, no seu comentário ao livro do profeta Daniel, afirmava que Jesus nasceu a 25 de dezembro, dia em que se celebrava a dedicação do Templo de Jerusalém.

A festa do Natal assumiu uma forma definida no séc. IV, quando tomou o lugar da festa romana do ‘Sol invencível’, no mesmo dia 25 (VIII Kalendas Januarias: no oitavo dia antes do dia 1 de janeiro), uma data com um simbolismo próprio.

Ainda hoje, na liturgia católica, se recita a chamada “calenda”, como anúncio do nascimento de Jesus, que a oração coloca na época da 194ª Olimpíada e no ano 752 da fundação de Roma, entre outras referências históricas.

Para afastar os fiéis da prática das festas pagãs, a Igreja quis ressaltar que a verdadeira luz que ilumina todo homem é Cristo e a celebração de seu nascimento é a solenidade própria para afirmar a fé no mistério da Encarnação, contra as grandes heresias cristológicas dos séculos IV e V, solenemente afirmada nos quatro concílios ecuménicos de Niceia, Éfeso, Calcedónia e Constantinopla.

A Missa do Galo, celebrada à meia-noite, assinala a hora em que, segundo a tradição, teria nascido Jesus.

Liturgicamente, a solenidade é caracterizada por três missas: a da Meia-Noite (‘in galli cantu’), que remontará ao Papa Sisto III, por ocasião da reconstrução da basílica liberiana no Esquilino (Santa Maria Maior), depois do concílio de Éfeso, em 431; a da Aurora (‘in aurora’), originariamente em honra de Santa Anastácia, que tinha um culto celebrado com solenidade em Roma no século VI e, na liturgia atual, conserva ainda uma oração de comemoração; a do dia (‘in die’), a que primeiro foi instituída, no séc. IV.

Para lá desta ligação histórica original a Roma, o Natal é uma festa culturalmente muito marcada pela tradição medieval do presépio e do Menino Jesus.

No ano de 1223, São Francisco de Assis decidiu celebrar a Missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente: assim, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Grécio, perto da cidade. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. José.

(Com Ecclesia)

Fonte: Igreja Açores

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