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Segunda-feira , 21 Maio 2018

SR. PRESIDENTE, ISTO ESTÁ A DESCARRILAR…

Este governo vai com 400 dias – nem chegou ainda a metade da legislatura – e começa a dar sinais de enorme desorientação.
Ainda ninguém percebeu quais são as prioridades e as grandes causas deste mandato: um dia é a agricultura, com promessas de ajuda eterna no festival das Holstein Frisia, noutro é o turismo, com uma cartilha de “motor e principal impulsionador” do desenvolvimento dos Açores.
Mas também temos a versão do Mar, esta imensidão que serve para tudo, até para estar engavetada no Terreiro do Paço, com muitos projectos, muitas ideias, mas que até agora só se ficou pelo célebre camarão das piscinas de Nordeste.
A Saúde também é uma paixão, mas não é repentina. É um estado de alma dos sucessivos governos, que vão engrossando as listas de espera, a ruptura de medicamentos, a falta de médicos de família e a cedência a grupos de interesses e caciques de ilha.
Da Educação nem se fala. É a prioridade absoluta em todos os mandatos, mas sempre com os piores resultados do país.
O combate à pobreza parece paixão recente, mas não é. De dez em dez anos, de conveniência próximo do Natal, surge mais um plano de combate como prenda. Mas a lista de gente no RSI engrossa até alcançar a estrela de Belém.
Por falar em amor celestial, há ainda o célebre Air Center, outro desiderato fundamental para o futuro de nós todos, mas que até agora fez do Secretário Regional do Mar um simples bagageiro do Ministro da Ciência, para trazer do Brasil um supercomputador para o Minho.
Aliás, Gui Meneses é o espelho da desorientação de quase todos os colegas: nunca sabe de nada e quando sabe, a culpa não é dele.
Dos novos governantes que integram este elenco, todos parecem isso mesmo, novatos na actividade. E, no entanto, já se passou mais de um ano, sem que nenhum deles tenha alguma coisa para nos apresentar, a não ser planos atrás de planos.
É uma espécie de “amanhar com aquilo que há”.
Até agora, 400 dias depois, este governo está transformado no executivo dos “avales” e das “cartas de conforto”.
Depois do diagnóstico traçado, a semana passada, pelo Tribunal de Contas, os cidadãos terão ficado mais esclarecidos para onde estamos a caminhar.
O desastre é de tal ordem que este governo já perdeu toda a credibilidade junto dos credores.
A banca é que agora determina as condições para emprestar dinheiro às empresas públicas, com o cúmulo da Caixa Geral de Depósitos a exigir do governo a promessa de que a SATA não mudará de accionista, para lhe conceder um empréstimo. E o governo acedeu!
Os muitos milhões já avalizados são sintomáticos de uma situação de desequilíbrio financeiro e até de credibilidade das empresas em causa.
A exigência de aval é em si um sinal de fragilidade e de desconfiança por parte dos credores, o que até é um pouco estranho já que as empresas são do governo.
Poderá concluir-se que nem os bancos acreditam que o governo se manterá firme por detrás das suas empresas. Se houvesse esta convicção o risco das empresas seria o risco do dono.
Mas, se não bastasse o aval, é curioso analisar os ‘spreads’ elevados que são exigidos, configurando, mais uma vez, uma percepção de risco elevado para estas empresas, um monstro regional que nos come todos os impostos, mas que assegura a base eleitoral da governação.
Na semana passada lá se foram mais uns avales com o argumento de “reestruturação de financiamento”, mas quando olhamos para os ‘spreads’ praticados – pasme-se! – ultrapassam tudo o que é admissível.
Há empresas privadas nesta região que se financiam com ‘spreads’ muito mais baixos e nem precisam de cartas de conforto.
É a falta de credibilidade nas contas deste governo que faz com que a banca imponha as condições que entende, e o governo aceita porque não tem onde mais se financiar.
A própria passagem da Sinaga, das Ilhas de Valor para a tutela directa do governo, não é mais do que uma tentativa de limpar o balanço da Ilhas de Valor, que ninguém sabe para que serve, a não ser para o Vice Presidente brincar com os empréstimos e engrossar quadros das empresas que ela gere.
A casa, de facto, está muito suja e a necessitar de grande limpeza.
Até para aumentar o capital da Sinaga – este grande exemplo de negócio à Nicolas Maduro -, o governo encontrou agora uma solução inédita, que é entregar-lhe um imóvel no valor de quase 2.900 milhões de euros.
É mais uma injecção encapotada.
Que imóvel é este? Pode-se vender rápido para cobrir compromissos e mais déficites?
Ou também não podemos saber?
É que na tal indemnização do funcionário da SATA, os cidadãos contribuintes não podem saber de nada. Esconde-se tudo, porque a nossa função, como contribuintes, é pagar e calar.
Grande escola vai neste mandato.
Ainda bem que o PPM e o CDS não largam estes desmandos, com o PSD a ir a reboque.
É papel da Oposição obrigar o governo a ser mais transparente, quando tenta esconder tantas operações e gestões desastrosas.
Não sei como é que este governo, com apenas pouco mais de um ano, engoliu o parecer do Tribunal de Contas, mas uma coisa é certa: Sr. Presidente, ou põe mão nisto ou isto vai descarrilar ainda mais.

Dezembro 2017
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-A, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)

Um Comentário

  1. Antonio Medeiros

    Este tambem anda com a cabeca muito pezada.

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