Açores estão disponíveis para acolher “sítio piloto” do Deep Ocean Observing System, afirma Gui Menezes

Açores estão disponíveis para acolher “sítio piloto” do Deep Ocean Observing System, afirma Gui Menezes

21 de Novembro, 2017 0 Por Azores Today

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia manifestou, em Florianópolis, no Brasil, a “disponibilidade e o interesse” dos Açores em acolher um “sítio piloto” do Deep Ocean Observing System, um projeto baseado em Washington, nos EUA, e liderado por Patrick Heimbach, um dos investigadores que participou na elaboração do ‘White Paper’, documento que serviu de base para a conceção do Centro Internacional de Investigação do Atlântico (AIR Center).

“Um dos desafios que a Declaração de Florianópolis coloca é a possibilidade de serem criados projetos piloto que comecem a dar corpo ao AIR Center”, afirmou Gui Menezes, referindo que ao Deep Ocean Observing System “poderão juntar-se outros projetos e infraestruturas que serão lançados nos próximos anos”, nomeadamente o European Multidisciplinary Seafloor and Water Column Observatory (EMSO), que integra o Roteiro de Infraestruturas de Investigação europeias.

O Secretário Regional falava na 2.ª Reunião Ministerial e Diálogo de Alto Nível Indústria-Ciência-Governo sobre Interações Atlânticas, onde foi formalizada a criação do AIR Center, através da Declaração de Florianópolis, assinada por oito países e pelo Governo Regional dos Açores.

Gui Menezes frisou que, “desde o início, o Governo dos Açores esteve empenhado, com o Governo da República, nesta iniciativa em prol de um projeto de investigação cientifica, envolvendo inúmeros países em redor do Atlântico”.

“Para os Açores é uma honra e uma responsabilidade acolher a sede do AIR Center e sermos, em simultâneo, um dos nós das estruturas que estarão associadas a este centro”, disse, assegurando que a Região “está empenhada em proporcionar todas as condições” para a sua concretização.

O titular da pasta da Ciência lembrou que, para além das várias infraestruturas científicas existentes no arquipélago, “os Açores têm-se destacado pelo conhecimento e investigação do mar profundo e do mar aberto”.

Durante a sua intervenção, salientou “a necessidade de explorar os recursos do Atlântico de forma sustentável e de prever os impactos das alterações climáticas” nestes recursos.

Gui Menezes defendeu que “os Açores e as ilhas atlânticas são locais privilegiados para testar as tecnologias de aquacultura offshore”, acrescentando que a Região já começa a dar os primeiros passos nesse sentido, através de iniciativas privadas.

Para além do oceano, o Secretário Regional salientou que os Açores “têm sido alvo de interesse na área espacial”, afirmando que o Executivo açoriano tem vindo “a apostar neste setor nas últimas décadas”.

Nesse sentido, indicou, a título de exemplo, a Estação Geodésica de Santa Maria, da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE), um projeto criado entre o Governo dos Açores e o Governo de Espanha, através do Instituto Geográfico Espanhol.

“Temos estruturas da Estação Espacial Europeia, que são operadas pela empresa Edisoft, e participamos ativamente na rede NEREUS – Network of European Regions Using Space Technologies e no Copernicus Relays”, afirmou.

Gui Menezes referiu ainda que várias empresas ligadas ao setor aeroespacial “têm demonstrado interesse nos Açores” que, devido à sua localização geográfica, “têm um forte potencial para albergar uma plataforma de acesso ao Espaço”, colocando o arquipélago “no centro da era do Novo Espaço”.

Nesta intervenção, salientou ainda que o Governo dos Açores pretende que o AIR Center “possa constituir-se como um interessante motor para o desenvolvimento da ciência, da inovação e dos serviços potenciados por tecnologias espaciais e oceânicas para monitorização da atmosfera, do oceano e do processo climatológico”.

“Necessitamos de uma grande cooperação para enfrentar os desafios que temos pela frente”, frisou.

Na 2.ª Reunião Ministerial e Diálogo de Alto Nível Indústria-Ciência-Governo sobre Interações Atlânticas, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, foi assinada a Declaração de Florianópolis que determina a criação do AIR Center.

Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Cabo Verde, Nigéria, Uruguai, São Tomé e Príncipe são os países fundadores deste projeto, que conta ainda com a participação do Reino Unido e da África do Sul como países observadores.

No âmbito deste encontro será também criada uma comissão instaladora com o objetivo de definir um plano financeiro e de implementação desta plataforma internacional e intergovernamental.

A 1.ª Reunião Ministerial e Diálogo de Alto Nível Indústria-Ciência-Governo sobre Interações Atlânticas decorreu em abril na ilha Terceira e contou com a participação de cerca de três dezenas de países.

Fonte: GaCS/GM