Chinelo: Instrumento Fortemente Educador Social

Chinelo: Instrumento Fortemente Educador Social

13 de Novembro, 2017 Não Por Azores Today

Por José Pacheco

Abençoadas chineladas que levei em criança, pelo menos as que me acertaram uma vez que a minha mãe sempre teve fraca pontaria.

Não é que eu seja defensor da violência e muito menos sobre crianças, mas vivemos tempos loucos em que todos os valores se inverteram. Passo a explicar.

Aqui e ali vamos lendo grandes tratados sobre psicologia infantil ou algo no género. Não sou instruído na matéria, mas pasmo-me a ler certas coisas e não é de hoje, já vamos há anos nisto.

Dizem os entendidos que os “meninos isto” e os “meninos aquilo”. Vão os pais aos psicólogos com os filhos, seguidamente os filhos levam os pais para o mesmo tratamento e acabando os psicólogos a necessitar de serem tratados. Resultado: os “meninos” perderam todo o sentido da autoridade parental, do respeito pelos mais velhos, o respeito pelos professores, etc., etc.

Eu que nunca me proibi de dar um bom “carolo” num dos meus filhos quando fazem asneira da grande, fico sujeito a descriminação social e até quem sabe de ter a policia a bater à porta. Mas afinal estamos todos a falar do quê? Vamos todos continuar a criar uma geração de autenticas bestinhas malcriadas que agridem os pais, os colegas, os professores?

Abençoada professora Madalena que, no meu tempo de escola primária, me punha na linha quando me lembrava de “mijar fora do penico”. Hoje, seria impossível esta sábia senhora exercer a sua autoridade sobre aqueles que tinha a seu cuidado, enquanto educadora.

Vivemos um tempo em que dois pais, duas mães é a maior das normalidades, num tempo em que uns certos idiotas até defendem que os animais devem se sentar a mesa connosco num restaurante, num tempo em que se rouba, se usa e abusa do poder público sem qualquer consequência. Vivemos num tempo que a culpa é sempre do “outro” seja ele quem for e em que “Deus não existe”, somos agnósticos, excetuando o dia da procissão, desde que sejamos convidados para lugar de destaque, claro está. Havemos de pagar bem cara esta inversão de valores protagonizada pelos maiores “fifis” da minha geração. E como eu os conheço bem.

Abençoado chinelo da minha mãe que passava nesta hipocrisia social que hoje vivemos.

 

José Pacheco