A RESPEITO DE DISCURSOS, DESPEDIMENTOS,  ORDENADOS NA LAGOA E OUTROS TAIS DISPARATES

A RESPEITO DE DISCURSOS, DESPEDIMENTOS, ORDENADOS NA LAGOA E OUTROS TAIS DISPARATES

4 de Setembro, 2017 0 Por Azores Today

Nos últimos dias tenho lido e ouvido os maiores disparates possíveis a respeito de dois pontos do discurso do Carlos Augusto Furtado na Apresentação de Candidatos do PSD na Lagoa. Tudo isto sinal que algumas pessoas ainda não aprenderam a viver em democracia e dão ao luxo de instigar outros a provocar o conflito e ataques pessoais, numa atitude cobarde e de baixo nível democrático.

Infelizmente, as pessoas ainda encaram a política como “clubismo”. Pouco interessa o que se diz, interessa sim atacar porque não é do nosso “clube”. Tudo isto é errado e fere de morte a nossa democracia e a capacidade de pensar livremente e, na maior parte das vezes, entramos na ofensa pessoal que tende a ser inultrapassável.

Comecemos por um dos pontos da suposta discórdia. Carlos Augusto Furtado afirmou que dispensava motorista privado e até o carro de luxo da Câmara. Ele disse que dispensava, não obrigou ninguém a abdicar disto. E muito menos disse que dispensaria o senhor Jorge, pessoa que tenho grande estima e amizade. O que ninguém diz é que o atual motorista tem uma vida tão sacrificada como o próprio Presidente de Câmara, quanto a horários e poder estar com a família, como o comum dos mortais. Fiquem sossegados os inquietos que este exemplar funcionário jamais será despedido e por outro lado acabará por ter mais tempo para si e sua família. Da próxima vez peçam a opinião do próprio em vez de falarem por ele e sobre algo que não dominam.

Segundo ponto prende-se com o facto do candidato do PSD dizer que se for eleito abdicará de metade do vencimento de Presidente de Câmara em prol das instituições do concelho numa atitude de devolver à sociedade parte daquilo que lhe pertence, porque ele entende que consegue viver com apenas a metade restante. Eu estava lá e ouvi claramente isto, não ouvi os disparates que alguns teimam em dizer numa atitude clara de “cegueira clubística” com a única intenção inflamar opiniões.

Quanto a este ultimo ponto, sempre tive uma opinião formada sobre os ordenados dos presidentes de junta e câmaras municipais. Conhecendo como conheço muitas pessoas sérias que exercem estas funções sei muito bem que nalguns casos, para não dizer a maioria, são pessoas muito mal pagas por tudo que lhes é exigido. Quando se trabalha a sério numa freguesia ou câmara municipal existem pequenos prazeres que desaparecem tais como poder organizar um bom passeio de família ou um churrasco no dia que bem nos apetecer. Pequenas coisas que nem damos por elas, mas que muitas destas pessoas deixam de poder controlar uma vez que terão de ter sempre em conta as agendas publicas. Nem vamos aqui esquecer a grande responsabilidade que cada um assume com o cargo.

Financeiramente, por exemplo na minha freguesia, a Ribeira Chã, um presidente de Junta ganha menos de trezentos euros mensais. Para quem nada faz é muito dinheiro, para quem trabalhar todos os dias pela sua terra, chamo o “subsídio de combustível”, sendo que os pneus, óleo, seguros, etc, serão pagos do meu bolso, isto para não falar do tempo que retiramos das nossas vidas profissionais, familiares e das atividades que já tínhamos. Claro que no meio disto tudo há quem ache que é bastante dinheiro, mas quando lhes pedimos para assumirem responsabilidades públicas dizem sempre “não terem tempo”. Pois claro, trabalhar com a boca cansa muito menos do que com a cabeça ou os braços.

Se quisermos falar de outras funções, como por exemplo a de deputado, aí podemos todos concordar que a grande maioria ganha muito acima do trabalho desenvolvido. Continuo sem perceber porque alguns cargos com enormes responsabilidades e uma enorme carga de trabalho continuam a ser desvalorizados em relação a outros. Mas isto será tema de conversas futuras.

Certo é que muitas pessoas vivem com menos de quinhentos euros mensais para se sustentarem, mas a grande luta deverá ser sempre para que se ganhe mais e não que outros ganhem menos. A esquerda é que anda há dezenas de anos a dizer que quer acabar com os ricos, eu, por mim, quero é acabar com os pobres e podermos viver todos de forma digna como bem merecemos.

Haja saúde e deixem-se lá de intrigas que o mais importante é focar nas ideias que são o principal e não tolices que nem acessório têm qualidade para serem. Se querem ir por estes caminhos eu se calhar começo é exigir que alguém devolva o que recebeu indevidamente sem trabalhar.

José Pacheco

Foto de Diário da Lagoa